Escala 6×1 coloca direita em saia justa no Senado
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – Parlamentares da base governista querem usar o debate sobre o fim da escala 6×1 para cobrar publicamente o posicionamento de aliados do atual presidenciável da extrema direita Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já se manifestaram contra a proposta. Senadores de oposição chamam a PEC de “medida eleitoreira” e avaliam estratégias para tentar impedir a votação. As declarações dos parlamentares foram divulgadas nesta terça-feira (6) pelo G1.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo pretende levar a proposta adiante e acompanhar a posição dos parlamentares ligados ao candidato do PL.
“Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu estou pagando pra ver, pra ver essa atitude que eles puderem tomar”, disse Guimarães, após reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Ex-líder do governo, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que há disposição da base governista para votar a proposta, mas cobrou uma posição de Flávio Bolsonaro.
“Eu estou vindo ao plenário porque, pelo que eu percebo, o pessoal da oposição, ou seja, os torcedores do candidato Flávio Bolsonaro, não estão dando presença na tentativa de inviabilizar o debate do fim do trabalho aos sábados”, disse. “O candidato terá que mostrar a cara e dizer que é contra”, acrescentou Wagner.
A PEC já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro. Na ocasião, aliados de Flávio Bolsonaro, entre eles Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do candidato, criticaram a medida. Desde então, governistas afirmam que a oposição segura o avanço da proposta no Senado.
Alcolumbre mantém agenda de discussão
O Senado iniciou nesta terça a primeira de cinco sessões de discussão exigidas para a votação de uma proposta de emenda à Constituição. Segundo Guimarães, Davi Alcolumbre se comprometeu a pautar a PEC antes do segundo turno.
A expectativa de integrantes do governo é que o próprio presidente do Senado conduza a sessão. Aliados de Alcolumbre afirmam que a proposta terá prioridade e seguirá o rito combinado com a base governista.
Mesmo com essas sinalizações, senadores governistas admitem dificuldade para garantir a votação. A eleição de domingo alterou a correlação de forças no Senado e ampliou a presença da direita na Casa a partir de 2027.
“Vamos tentar”, disse a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
Nos bastidores do Congresso, integrantes da base avaliam que a relação de Alcolumbre com parte da direita se desgastou nos últimos anos, especialmente por causa de críticas de senadores bolsonaristas à condução de temas ligados ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Oposição fala em obstrução
Senadores de oposição discutem a possibilidade de obstruir a sessão, ou seja, retirar presença para impedir quórum. A orientação circulou nesta terça-feira entre parlamentares contrários à PEC.
Pouco antes do início da sessão, 30 senadores tinham registrado presença. Grande parte dos ausentes pertencia à oposição.
Mesmo entre oposicionistas, há avaliação de que o tema exige cautela por causa da popularidade da proposta. Por isso, novas reuniões devem ocorrer para definir a estratégia.
Nesta terça, Flávio Bolsonaro voltou a defender uma proposta alternativa apresentada por Rogério Marinho. O texto da oposição prevê redução de jornada com diminuição proporcional de salário, mediante acordo entre trabalhador e empregador.
“Eu tenho uma proposta infinitamente melhor que é dar liberdade para o trabalhador negociar sua carga horária. Vamos dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada conforme as suas possibilidades”, disse Flávio.
Fonte: Brasil 247