Entre pressão eleitoral e abstenção, PL deve liberar bancada na votação do fim da escala 6×1

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Por Vinícius Nunes — Carta Capital

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Flávio Bolsonaro deve votar a favor da PEC para evitar desgaste na campanha, mas pretende criticar o ‘uso eleitoral’ da proposta por Lula

O PL deve deixar seus senadores livres para votar na proposta que acaba com a escala 6×1 , em vez de fechar questão contra uma das principais bandeiras de Lula (PT) na disputa presidencial. A orientação ainda será discutida pela bancada, na manhã de quarta-feira 14, mas a tendência é que o partido evite assumir uma posição que possa prejudicar Flávio Bolsonaro na reta final da campanha.

O coordenador da campanha bolsonarista, o senador Rogério Marinho (PL-RN), defende a abstenção. A avaliação de parte dos senadores, porém, é que não há espaço para simplesmente deixar de se posicionar sobre a proposta , que tem forte apelo popular.

Flávio também deve votar a favor da PEC, embora esteja pressionado pelo setor empresarial. Esse deve ser um dos principais temas a ser tocado no encontro que o presidenciável terá nesta terça-feira 13, mais tarde, com representantes da indústria e do agro.

O candidato pretende aproveitar a oportunidade para se justificar aos “donos do PIB” pelo seu voto favorável à proposta no dia seguinte. A fala no encontro será uma antecipação ao discurso que o senador pretende fazer no Senado, quando defenderá “melhores condições de trabalho”, mas acusará o governo Lula de adotar medidas eleitoreiras e prejudiciais à economia.

A dificuldade para o PL é que Lula transformou a votação em um teste público para o adversário. Nos últimos dias, o presidente desafiou Flávio a apoiar o fim da escala 6×1 e a orientar os senadores do partido a fazer o mesmo. Um voto contrário daria ao petista argumento para acusar o candidato de se opor a uma medida favorável aos trabalhadores.

Resta saber como Flávio vai se posicionar ao eleitorado, dizendo ser contra o fim da 6×1 e mesmo assim votando a favor da medida governista.

A votação da PEC 221/2019 foi pautada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em aceno ao governo Lula. Para ser aprovada, a proposta precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos.

O texto reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso remunerado sem redução salarial. O governo tenta concluir a tramitação antes do segundo turno da disputa presidencial, em 25 de outubro. Se o Senado alterar o conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de voltar aos deputados, o que pode atrasar a decisão.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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