Entre descobertas históricas e pioneirismo, Fiocruz foi fundamental para consolidação do SUS

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Por Lucas WilkerBrasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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A história da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confunde-se com a própria trajetória do desenvolvimento da ciência e da saúde pública no Brasil. Nascida na Fazenda de Manguinhos, no Rio de Janeiro, a instituição construiu uma trajetória secular marcada por descobertas científicas, combate a epidemias e inovação tecnológica a serviço do Sistema Único de Saúde (SUS).

A trajetória teve início em 25 de maio de 1900 com a criação do Instituto Soroterápico Federal, criado para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica sob a direção técnica do bacteriologista Oswaldo Cruz e direção geral do Barão de Pedro Affonso. Ao assumir a direção geral em 1902 e, em seguida, a diretoria geral de Saúde Pública em 1903, Oswaldo Cruz liderou campanhas sanitárias que erradicaram a febre amarela e a peste bubônica da capital federal.

As medidas sanitárias enfrentaram forte oposição popular, culminando na Revolta da Vacina em 1904 após a instituição da obrigatoriedade da vacina antivariólica. Apesar dos reveses políticos, o Instituto expandiu sua atuação pelo interior do país por meio de expedições científicas pioneiras.

Rebatizada como Instituto Oswaldo Cruz em 1908, a instituição ganhou projeção internacional. Um dos marcos científicos mais importantes ocorreu em 1909, quando Carlos Chagas descreveu o ciclo completo da tripanosomíase americana (doença de Chagas). Em 1920, Chagas assumiu o Departamento Nacional de Saúde Pública, reorganizando os serviços sanitários em todo o território nacional.

Ao longo do século XX, a instituição acompanhou as profundas transformações políticas do país. Em 1937, iniciou a produção da vacina contra a febre amarela em parceria com a Fundação Rockefeller, tornando-se posteriormente responsável por cerca de 80% da produção mundial desse imunizante. Em 1954, foi criada a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), que mais tarde receberia o nome do sanitarista Sergio Arouca, cujos estudos foram fundamentais para desenhar as diretrizes do SUS.

Durante a ditadura militar, a instituição sofreu o “Massacre de Manguinhos” em 1970, episódio em que dez renomados cientistas tiveram seus direitos políticos cassados e foram aposentados compulsoriamente. No mesmo período, a instituição foi reestruturada, passando a denominar-se Fundação Oswaldo Cruz em 1974. Em 1976, foram criados os laboratórios de Bio-Manguinhos e Far-Manguinhos, impulsionando a produção de vacinas, diagnósticos e medicamentos para a saúde pública.

Com a redemocratização na década de 1980 e a gestão de Sergio Arouca, os cientistas perseguidos foram reintegrados. Em 1987, equipes da Fiocruz alcançaram outro feito histórico: o primeiro isolamento do vírus HIV na América Latina.

No século XXI, a Fiocruz consolidou sua expansão nacional e internacional. A Fundação inaugurou novas unidades regionais (como a Fiocruz Ceará), escritórios no exterior (Moçambique), o laboratório permanente Fioantar na Antártica e o Canal Saúde. Na área de pesquisa, realizou o sequenciamento do genoma da vacina BCG em 2006. Em 2016, a socióloga Nísia Trindade Lima tornou-se a primeira mulher eleita presidente na história da instituição.

A Fiocruz manteve papel de destaque no combate a emergências de saúde pública, atuando na pandemia de Influenza A (H1N1) em 2009 e na epidemia de zika e microcefalia (2015/2016), na qual identificou a presença do vírus em casos da má-formação congênita e desenvolveu kits de diagnóstico diferencial.

Ao comemorar 120 anos em 2020, a Fiocruz foi nomeada referência da OMS para Covid-19 nas Américas. Em resposta à crise sanitária, construiu um complexo hospitalar de emergência em menos de dois meses, produziu testes moleculares em larga escala e coordenou o ensaio clínico internacional Solidariedade no Brasil.

Por meio de acordo de transferência tecnológica com o Reino Unido, a instituição assumiu a produção da vacina contra a covid-19, entregando mais de 150 milhões de doses ao SUS em 2021. Em 2022, disponibilizou as primeiras doses da vacina produzidas com o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) 100% nacional, garantindo a autossuficiência do Brasil. A instituição também assinou parcerias para a produção local de antivirais orais e desenvolveu testes diagnósticos múltiplos para vírus respiratórios.

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Fonte: Brasil de Fato

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