Empresas globais miram oportunidades com aproximação da feira de importações da China
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O relógio marca a contagem regressiva de um mês para a 9ª Exposição Internacional de Importação da China (CIIE). Em Xangai, o cenário empresarial global se desenha com a chegada de expositores dos mais variados setores e origens — trazendo inovações em tecnologia médica e manufatura, ao lado de riquezas culturais e comerciais como o café da Costa do Marfim e os sabonetes da Síria. A reportagem foi divulgada no Diário do Povo.
A feira anual, a primeira exposição de nível nacional do mundo voltada exclusivamente às importações, consolidou-se como uma das principais portas de entrada para empresas estrangeiras interessadas nos amplos mercados consumidor e industrial da segunda maior economia global.
Desde seu lançamento, em 2018, a CIIE atraiu participantes de mais de 180 países, regiões e organizações internacionais. Expositores estrangeiros somaram cerca de 27 mil participações nas exposições empresariais, com mais de 3.400 novos produtos, tecnologias e serviços apresentados pela primeira vez.
O evento deste ano, previsto para ocorrer de 5 a 10 de novembro, acontece no momento em que a China inicia o período de seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030), com um impulso renovado para uma abertura de alto padrão e para o fortalecimento da demanda interna.
Para algumas empresas, esta será a primeira participação na CIIE.
A austríaca WFL Millturn Technologies, fabricante de máquinas-ferramenta que entrou no mercado chinês há mais de 20 anos, enviou seus produtos para a exposição a partir da cidade industrial de Linz, em agosto.
O diretor-geral da WFL, Stefan Hackl, afirmou que a empresa decidiu participar da CIIE devido ao papel da China no centro da cadeia global de manufatura e espera usar a feira para ampliar ainda mais sua presença nos mercados chinês e da Ásia-Pacífico.
“Não vejo nenhuma boa razão para que não sejamos bem-sucedidos na China nas próximas décadas”, afirmou Hackl.
A Perennial Holdings Private Limited, com sede em Singapura, é outra estreante.
A empresa estabeleceu, em Tianjin, no norte da China, o primeiro hospital geral terciário do país totalmente controlado por capital estrangeiro. Desde a inauguração, o hospital recebeu pacientes de mais de 40 países e regiões, enquanto a companhia busca novos investimentos em saúde em outras cidades chinesas.
“Quando você investe na China, está investindo no mercado mais competitivo do mundo”, afirmou Pua Seck Guan, presidente executivo e CEO da Perennial Holdings.
Pua acrescentou que a abertura do setor de saúde da China poderá criar mais oportunidades para investidores estrangeiros.
Os novos participantes chegam em um momento em que a China continua ampliando o acesso de empresas estrangeiras ao mercado. Em 2025, o país registrou 70.392 novas empresas com investimento estrangeiro, um recorde e uma alta de 19,1% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, o número cresceu 5,3% na comparação anual, enquanto o investimento estrangeiro direto efetivamente utilizado chegou a 402,14 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 59,71 bilhões.
A China também busca ampliar as importações enquanto trabalha para estimular o consumo interno e perseguir um comércio mais equilibrado. Em agosto, as importações aumentaram 21,7%, com crescimento superior ao das exportações pelo sexto mês consecutivo.
As oportunidades oferecidas pela CIIE vão além das grandes empresas multinacionais. Quase 13 mil micro, pequenas e médias empresas estrangeiras participaram das oito primeiras edições.
O empresário sírio Muhannad Shakally se prepara para sua nona CIIE. Quando levou sabonetes tradicionais sírios à primeira edição da feira, em 2018, estava testando o mercado chinês. Hoje, os pedidos mensais superam cinco toneladas, o equivalente a cerca de 20 mil barras. “Eles são vendidos quase assim que chegam. Eu nem mantenho estoque”, afirmou.
Neste ano, ele planeja apresentar produtos de aromaterapia e chás de ervas sírios, na expectativa de levar mais produtos de seu país aos consumidores chineses.
Há anos, a CIIE oferece estandes gratuitos a expositores dos países menos desenvolvidos do mundo. Neste ano, os organizadores vão ampliar uma seção dedicada a produtos asiáticos e africanos, com medidas destinadas a ajudar empresas africanas a aproveitar as oportunidades criadas pela política chinesa de tarifa zero.
Desde 1º de maio, a China aplica tratamento de tarifa zero às importações provenientes de todos os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, ao mesmo tempo em que amplia o acesso ao mercado por meio de medidas que incluem o fortalecimento de “canais verdes” para produtos como pimentas secas, grãos de café, castanhas de caju e produtos aquáticos silvestres.
Uma delegação oficial da Costa do Marfim participará pela primeira vez da exposição empresarial da CIIE, apresentando cacau, café, castanhas de caju e nozes de cola. “Estamos muito felizes por participar pela primeira vez. Esta será uma boa oportunidade para apresentar a Costa do Marfim ao mundo”, afirmou Rami Koné, funcionário da agência de exportações do país.
Einar Tangen, pesquisador sênior do Center for International Governance Innovation, afirmou que pequenas e médias empresas do Sul Global, especialmente da África, antes estavam à margem do comércio mundial. Segundo ele, a China proporcionou a essas empresas oportunidades para compartilhar os benefícios de sua abertura e de seu desenvolvimento.
Fonte: Brasil 247