Bancada do agro reelege dois em cada três deputados e amplia presença

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – A bancada do agro reelegeu aproximadamente dois de cada três deputados que buscaram permanecer na Câmara nas eleições de 2026 e ampliou sua presença em outras disputas, com parlamentares migrando para o Senado e quatro integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) eleitos governadores no primeiro turno. Os resultados reforçam a presença do grupo no Congresso e nos Executivos estaduais a partir de 2027.

O levantamento foi publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo após o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Dados divulgados pela própria FPA indicam que 200 integrantes da frente foram eleitos ou reeleitos para cargos no Congresso, considerando deputados que permanecerão na Câmara, senadores que renovaram seus mandatos e parlamentares que trocarão uma Casa pela outra.

Na Câmara, a FPA chega ao fim da atual legislatura com cerca de 300 integrantes. Dos deputados ligados à frente que concorreram à renovação do mandato, aproximadamente sete em cada dez conseguiram se reeleger. Levantamentos publicados após a apuração apontam 174 a 176 deputados reconduzidos, diferença relacionada ao universo de integrantes considerado pelas diferentes listas da bancada.

A representação do agronegócio também ganhará novos integrantes no Senado. Dezessete deputados federais vinculados à FPA foram eleitos senadores e deixarão a Câmara em 2027 para assumir mandatos de oito anos. Entre eles estão Arthur Lira (PP-AL), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Carol de Toni (PL-SC), Domingos Sávio (PL-MG), Evair de Melo (Republicanos-ES), Filipe Barros (PL-PR), Guilherme Derrite (PP-SP), Gustavo Gayer (PL-GO), Marcel van Hattem (Novo-RS), Sanderson (PL-RS) e Zé Medeiros (PL-MT).

Dos 48 senadores que integravam a frente antes das eleições, seis conseguiram renovar seus mandatos. Outros 17 membros da FPA têm mandato em andamento e, portanto, não precisaram disputar a eleição para o Senado neste ano. A composição definitiva da bancada ainda dependerá da adesão de novos deputados e senadores eleitos, já que a participação na frente parlamentar não é automática.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que o resultado eleitoral aumentou especialmente a representação do grupo no Senado. “A FPA sai muito fortalecida dessas eleições, principalmente no Senado”, declarou em entrevista ao programa CNN Agro News, reproduzida pela Agência FPA.

A expansão da representação ligada ao setor também chegou aos governos estaduais. Integrantes da FPA venceram no primeiro turno em Minas Gerais, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul, segundo a própria frente parlamentar.

Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador com cerca de 55,4% dos votos válidos. Ele superou a marca necessária para encerrar a disputa no primeiro turno e deixará o Senado para assumir o governo mineiro em janeiro de 2027.

No Paraná, o senador Sergio Moro (PL) venceu a disputa estadual também no primeiro turno. Com praticamente todas as urnas apuradas, ele alcançou 50,11% dos votos válidos, de acordo com os dados divulgados pela Justiça Eleitoral.

Rondônia e Rio Grande do Sul completam a lista de estados em que integrantes da bancada do agro conquistaram o Executivo. O senador Marcos Rogério (PL) venceu em Rondônia com 57,02% dos votos válidos, enquanto o deputado federal Luciano Zucco (PL) foi eleito no Rio Grande do Sul com 58,05%.

A bancada ainda participa diretamente de disputas estaduais que serão decididas no segundo turno. No Tocantins, dois parlamentares vinculados à FPA avançaram para a etapa final da eleição. No Acre, outro integrante do grupo permanece na disputa pelo governo estadual.

A Frente Parlamentar da Agropecuária reúne políticos de diferentes partidos e atua em temas relacionados ao setor rural, como crédito e seguro agrícola, regularização fundiária, tributação, infraestrutura, defesa sanitária, meio ambiente e comércio exterior. Na legislatura atual, é uma das maiores frentes temáticas do Congresso Nacional.

Com a definição da nova composição do Congresso, temas ligados ao financiamento do setor devem permanecer entre as prioridades da FPA. Lupion citou, entre os principais problemas, o aumento das dívidas dos produtores e as dificuldades de acesso ao crédito.

“Nós estamos enfrentando um endividamento recorde no setor, estamos enfrentando um problema seríssimo de inadimplência, o produtor não está conseguindo plantar, não está conseguindo colher”, afirmou o presidente da frente.

Outra proposta mencionada pelo parlamentar é mudar o formato do Plano Safra para aumentar a previsibilidade dos recursos destinados ao financiamento da produção rural. “A gente tem que entender que o plano safra tem que ser cada vez menos dependente de um governo”, declarou Lupion.

A configuração final da FPA para a legislatura que começa em 2027 só será conhecida depois da posse dos novos congressistas e da formalização das adesões à frente. Além dos integrantes reeleitos, há deputados e senadores recém-eleitos ligados à produção rural que poderão passar a fazer parte do grupo.

Fonte: Brasil 247

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