Empresa que herdou linhas da UPBus também é ligada ao PCC, aponta polícia

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – A Alfa Rodobus Transportes, escolhida para assumir linhas anteriormente operadas pela UPBus após a empresa ser investigada por suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), também é apontada pela Polícia Civil de São Paulo como integrante da rede de companhias sob influência da facção.

A informação consta de documentos da investigação obtidos pelo jornal O Globo. A apuração integra a terceira fase da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) para investigar o suposto controle financeiro e operacional exercido pelo PCC sobre empresas do transporte coletivo. Outras reportagens publicadas nesta quinta confirmam que as autoridades investigam a possível influência da organização criminosa sobre 12 das 22 empresas do sistema municipal.

O caso chama atenção porque a Alfa Rodobus foi justamente a empresa que ampliou sua participação no sistema depois que a Prefeitura de São Paulo rompeu o contrato da Qualibus/UPBus. A UPBus havia sido alvo, em 2024, da Operação Fim da Linha, que investigou o uso de empresas de transporte para lavagem de recursos atribuídos ao PCC.

Com a substituição, a Alfa, que já atuava havia cerca de dez anos no transporte paulistano, passou a operar outras dez linhas na Zona Leste em fevereiro deste ano. Agora, a própria companhia que recebeu essas linhas aparece entre as empresas investigadas por possível ligação com a organização criminosa.

“Chama a atenção ainda que após a Operação Fim da Linha e a consequente rescisão da concessão em face da Qualibus/UPBus, a empresa que a sucedeu na exploração das linhas antes operadas pela UPBus foi justamente a empresa Alfa Rodobus, de tal sorte que é extremamente preocupante o vínculo de tais empresas — alguns já confirmados — com o crime organizado”, afirma a Polícia Civil nos documentos obtidos pelo O Globo.

Mensagens apontariam Alfa entre empresas da facção

Um dos elementos utilizados pelos investigadores são mensagens encontradas no celular de José Daniel Satilite, apontado pela polícia como integrante do PCC e intermediário dos interesses da organização junto a empresários, advogados, políticos e agentes públicos.

O aparelho foi apreendido durante uma operação realizada em 5 de junho de 2025. Segundo a investigação, José Daniel manteria “relacionamento direto” com integrantes de “elevado escalão” da facção e apareceria como sócio de empresas que, na avaliação dos investigadores, seriam controladas pelo PCC.

Em uma conversa analisada pela Polícia Civil, José Daniel teria encaminhado uma relação das empresas de ônibus associadas à organização criminosa. A Alfa Rodobus Transportes aparece na lista.

A dimensão da suspeita vai além de uma única companhia. Segundo as investigações, 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo municipal estariam, em tese, sob controle do PCC. A informação também consta da decisão judicial que autorizou a nova operação.

Levantamento divulgado nesta quinta inclui a Alfa Rodobus entre as empresas mencionadas nas investigações, ao lado de companhias como Transwolff, A2 Transportes, Transunião, Norte Bus e Viação Transcap.

Operação mira infiltração no transporte público

A Operação Vectura Corrupta investiga uma estrutura que, segundo as autoridades, teria permitido ao PCC avançar sobre contratos públicos e empresas de transporte por meio de intermediários e pessoas formalmente colocadas à frente das companhias.

As investigações apontam suspeitas de utilização das empresas para movimentação de recursos de origem criminosa, inclusive por meio de operações envolvendo compra e venda de ônibus. Também são apurados possíveis casos de corrupção de agentes públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

A ofensiva desta quinta-feira prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Ao menos dez dos alvos já haviam sido presos até o início da tarde.

Ex-presidente da SPTrans é preso

Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, empresa municipal responsável pela gestão dos contratos de concessão, planejamento do transporte coletivo e fiscalização das companhias que prestam o serviço.

Levi comandou a SPTrans inicialmente em 2020, durante a administração do então prefeito Bruno Covas, e posteriormente voltou à presidência da companhia, permanecendo no posto até janeiro de 2025.

Segundo a investigação relatada pelo O Globo, Levi “teria ciência” de tratativas envolvendo empresas e integrantes do crime organizado. A suspeita se baseia, entre outros elementos, em referências ao ex-presidente da SPTrans encontradas nas conversas analisadas.

Os investigadores afirmam que José Daniel Satilite não seria um interlocutor direto de Levi, mas que os dois teriam realizado “encontros periódicos” relacionados à reorganização das empresas depois da Operação Fim da Linha.

Em uma das mensagens examinadas pela polícia, José Daniel afirma ser necessário “iniciar a conversa com o Levi da SP Trans”. Dias depois, registra que “já temos a resposta do Levi”.

Outras apurações sobre a Operação Vectura Corrupta também apontam que Levi é suspeito de ter se reunido, enquanto presidia a SPTrans, com um intermediário ligado ao PCC para discutir interesses relacionados às empresas de transporte.

Defesa diz que ainda não teve acesso aos autos

O escritório Fernando José da Costa Advogados, responsável pela defesa de Levi, afirmou ter sido “surpreendido, na manhã desta quinta-feira, com a notícia de sua prisão”.

“Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área. A defesa ainda não teve acesso aos autos, nem às circunstâncias que fundamentaram a medida. Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação”, declarou a defesa.

A nova operação amplia uma investigação que começou a revelar, em 2024, a possível infiltração do PCC no transporte coletivo paulista. A principal novidade agora é a suspeita de que a rede seria consideravelmente maior: segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, mais da metade das empresas que operam o sistema municipal de São Paulo estaria sob influência ou controle da organização criminosa.

Fonte: Brasil 247

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