Embarcando em Amyr Klink: Filipe Bragança abre bastidores do preparo para viver navegador brasileiro nos cinemas
Por Henrique Nascimento — Seu Dinheiro
Certa noite, Filipe Bragança sonhou que nadava com baleias.
Ele estava no meio do oceano, nadando em direção a uma ilha que se encontrava a, aproximadamente, um quilômetro de distância. Em meio às braçadas, o ator notava que baleias começavam a acompanhá-lo e, na sua cabeça, chegava à conclusão de que havia caído em um ninho de baleias. Antes de chegar em terra firme, ele acordou, mas aquele momento, ainda que não tivesse sido real, ficou em sua mente.
Algum tempo depois, em janeiro de 2024, Bragança viu o seu sonho descrito nas páginas do roteiro de um filme que viria a estrelar. Mas não era o seu sonho; era a vida de Amyr Klink.

Fique por dentro das tendências
Acompanhe as novidades do mundo atual com o Lifestyle do Seu Dinheiro. Cadastre-se e receba nossa newsletter especial!
Telefone
Receber
Os cem dias que marcaram a história
Em 10 de junho de 1984, o paulistano Amyr Klink, filho de pai libanês e mãe sueca, embarcou em um pequeno barco a remo no porto de Lüderitz, na Namíbia, para entrar para a história. Sozinho em uma jornada que se estenderia por cerca de 6,5 mil quilômetros, remou na companhia de focas, golfinhos, baleias e até pinguins, mas também encarou a morte de frente ao se familiarizar com todos os humores do mar, do mais calmo ao mais selvagem. Cem dias depois, vencido os desafios, desembarcou na Praia da Espera, na Bahia, a tempo de comemorar o seu aniversário de 29 anos e o fato de ter se tornado o primeiro homem a atravessar o Atlântico Sul em um barco a remo.
Cerca de um ano depois, o relato detalhado da jornada de Amyr Klink chegava às livrarias. Ao longo dos anos seguintes, Cem Dias Entre o Céu e o Mar se tornaria um sucesso literário, com mais de dois milhões de cópias vendidas. Ainda assim, quando aquele roteiro chegou às mãos de Filipe Bragança, foi como se tudo aquilo acontecesse pela primeira vez.
“Eu não conhecia a história, o que eu acho um absurdo”, admite o ator em entrevista ao Seu Dinheiro. “É um feito tão impressionante, tão fascinante, tão corajoso, e de um brasileiro. A gente deveria falar mais sobre isso, o conhecimento e a admiração deveria ser geral e passar por muitas outras gerações.”

A travessia de Bragança
Nascido em 2001, quase vinte anos após Amyr Klink cruzar o Atlântico a remo, Filipe Bragança construiu uma carreira de sucesso na TV, estreando no remake de Chiquititas, exibido entre 2013 e 2015, e passando por produções como Órfãos da Terra, vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela em 2020. Estrelou as séries Dom (2021-2024), Só Se For Por Amor (2022) e Betinho – No Fio da Navalha (2023). Mais recentemente, marcou sua estreia como protagonista em uma novela com Coração Acelerado (2026).
No cinema, participou das comédias Cinderela Pop (2019), 45 do Segundo Tempo (2022) e Perrengue Fashion (2025). Além disso, encarnou Sidney Magal na cinebiografia Meu Sangue Ferve Por Você, lançada em 2024. Foi com essa bagagem que Bragança pleiteou o papel de Amyr Klink.
“Todas as experiências de um ator são importantes para as experiências que vêm em seguida. No caso do [filme do] Sidney Magal, o personagem também era baseado em uma pessoa real, então eu aprendi a estudar, pesquisar sobre uma pessoa que existe ou já existiu, que tem um comportamento e um jeito de falar específicos”, revela.
Um mergulho em Amyr Klink
Na hora de colocar em prática, porém, nem tudo era tão preto no branco: “Os testes são uma coisa complicada. Nós, como atores, não podemos chegar muito prontos para um teste. Nesse caso do Amyr, eu precisava entender o jeito que ele falava, o sotaque e tal, mas não queria chegar com uma ideia pronta. Em um teste, o diretor tinha que poder olhar para mim e falar: ‘Eu consigo dirigir esse cara. Eu consigo pedir para ele o que eu quiser’”, explica o ator.
Desde o momento em que leu o roteiro pela primeira vez até o momento em que, finalmente, iniciou as gravações, em junho de 2024, Bragança viveu por Amyr Klink: “A partir do momento em que eu soube que tinha conseguido o papel, em fevereiro ou março, por aí… Eu já estava estudando, mas aí mergulhei de vez”, relembra.

Nesse período, Bragança não só leu e estudou tudo o que pôde sobre Amyr Klink, mas pôde se encontrar com o navegante algumas vezes. Ao mesmo tempo em que sanava dúvidas sobre a viagem, também lhe observava. “Para entender a maneira como ele se expressava, como ele olhava para as coisas, seu ritmo de fala… e, a partir daí, criar esse personagem”, explica.
Viver Amyr Klink ainda exigia do ator uma rotina disciplinada de exercícios e alimentação e uma dedicação intensa a aulas de remo na Raia Olímpica da USP, em São Paulo. No final, a transformação foi tão grande que surpreendeu até o diretor do longa, Carlos Saldanha. “Na hora do casting, quando fui me encontrar com ele para falarmos do filme, e ele se levantou da cadeira, eu falei: ‘Ele é o Amyr’. Eu não tive dúvida, sabe?”, relembra o cineasta.
100 Dias em 116 minutos
“Foi uma preparação completa, porque tinha desafios físicos, desafios práticos e desafios emocionais também. É um papel complexo, que oferecia um grande desafio para qualquer ator que fosse interpretá-lo”, reflete Bragança. Mas que agora ganha seu capítulo final com a estreia de 100 Dias, programada para daqui a um mês, exatamente.

E o resultado, segundo Bragança, é “um filme que vai ocupar para sempre um espaço muito importante na história do nosso cinema”: “Independentemente de qualquer coisa, ele é, sobretudo, um filme especial, um filme grandioso, um filme muito ambicioso, como a gente não costuma fazer. Não só por essa história, mas também pela qualidade da produção, da pós-produção e pela ousadia do Carlos de contar essa história. (…) Vai ser um filme que, eu tenho certeza, vai deixar uma marca muito forte”, garante.
The post Embarcando em Amyr Klink: Filipe Bragança abre bastidores do preparo para viver navegador brasileiro nos cinemas appeared first on Seu Dinheiro.
Fonte: Seu Dinheiro