Em Minas, Lula alerta para retrocessos sob Flávio Bolsonaro e defende a soberania nacional
Por Paulo Emilio — Brasil 247
Em ato em Juiz de Fora, presidente celebra fim da escala 6×1, pede mobilização para o segundo turno e critica o clã Bolsonaro: “Ou é a bandeira brasileira que vai tremular ou a bandeira americana, se eles ganharem as eleições. É isso que está em jogo”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou os brasileiros a defender a soberania nacional e os direitos trabalhistas no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Durante uma caminhada em Juiz de Fora (MG), nesta sexta-feira (16), o petista criticou a família Bolsonaro, destacou a conquista do fim da escala 6×1 e afirmou que o resultado das urnas será decisivo para o futuro do país.
O presidente discursou diante de uma multidão durante a mobilização do Brasil Pronto pra Mais. Ao abordar a disputa eleitoral, associou a defesa da bandeira nacional à preservação da independência brasileira e fez críticas à influência dos Estados Unidos sobre setores da política nacional.
“Ou é a bandeira brasileira que vai tremular ou a bandeira americana, se eles ganharem as eleições. É isso que está em jogo”, declarou.
Lula também advertiu que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia colocar em risco direitos sociais e trabalhistas. Ao defender a continuidade das políticas de seu governo, afirmou que os avanços conquistados ao longo dos anos exigiram mobilização popular e não devem ser considerados permanentes.
“Construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é muito fácil”, afirmou.
Lula celebra fim da escala 6×1 e destaca conquistas trabalhistas
A caminhada teve início na Praça Clodesmidt Riani, batizada em homenagem ao sindicalista mineiro que participou da mobilização pela conquista do 13º salário, durante a greve geral de 1962. Riani completaria 106 anos em 2026.
Lula recordou que tinha 17 anos e trabalhava em uma fábrica de parafusos quando participou daquela mobilização. Ao estabelecer uma relação entre as lutas sindicais do passado e as mudanças recentes na legislação trabalhista, destacou a promulgação do fim da escala 6×1.
“Não há nada nesse país que os trabalhadores conquistaram que não foi com luta. E hoje conquistamos o fim da escala 6×1”, celebrou.
A mudança estabelece uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. O presidente ressaltou os efeitos da medida sobre a vida dos trabalhadores, especialmente das mulheres que precisam conciliar a atividade profissional com as responsabilidades familiares.
Durante o discurso, Lula também mencionou a promulgação da lei que assegura aposentadoria especial aos agentes comunitários de saúde. As duas medidas foram apresentadas como conquistas que, segundo ele, precisam ser protegidas de eventuais mudanças de orientação política.
Presidente pede mobilização para o segundo turno
Com a votação marcada para 25 de outubro, Lula orientou seus apoiadores a procurar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno e aqueles que ainda não decidiram em quem votar.
“É muito importante que a gente faça um trabalho de convencer as pessoas a irem votar no dia 25, porque as pessoas precisam saber que o que está em risco é o futuro deste país”, afirmou.
O presidente recomendou que a campanha priorize o diálogo, evitando confrontos com pessoas que manifestem resistência à sua candidatura. Como argumentos, sugeriu apresentar realizações de seus governos, incluindo investimentos em educação, a criação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o programa Farmácia Popular e a política de valorização do salário mínimo acima da inflação.
Ao se dirigir aos indecisos, Lula defendeu que a escolha eleitoral seja feita com base nas perspectivas de desenvolvimento do país e nas consequências das políticas públicas para a população.
“Esse eleitor não tem que escolher entre Lula e o outro candidato. Esse eleitor tem que votar nele. Manda ele escolher o Brasil que ele quer. Quando ele decidir o Brasil que ele quer, eu tenho certeza que ele vai votar no 13”, declarou.
“Se a pessoa falar ‘ah, eu não gosto do Lula, não vou votar no Lula’, queria pedir que você não brigue com essa pessoa”, orientou.
Lula alerta para paralisação de obras em Minas Gerais
O presidente também abordou os investimentos federais em Minas Gerais e afirmou que uma eventual derrota eleitoral poderia comprometer projetos em andamento.
Ao criticar a família Bolsonaro, advertiu sobre o risco de o estado se transformar em um “cemitério de obras paralisadas”, expressão utilizada para descrever as consequências que atribui a uma possível mudança na condução do governo federal.
Antes de deixar Juiz de Fora para participar de outro compromisso de campanha em Ipatinga, Lula agradeceu à população e aos profissionais envolvidos na segurança do evento.
Ele também reafirmou o compromisso da administração federal com a reconstrução das áreas atingidas pelas chuvas no município.
“O povo de Juiz de Fora pode ficar tranquilo que não faltará ajuda do governo federal para recuperar os estragos da calamidade”, assegurou.
Wagner Moura também defende soberania sobre riquezas nacionais
A defesa da soberania brasileira, um dos principais temas do discurso de Lula, também foi abordada pelo ator Wagner Moura em um episódio da série Revelando, divulgado nesta sexta-feira no YouTube.
O programa trata dos interesses dos Estados Unidos nas reservas brasileiras de terras raras, minerais utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos e tecnologias estratégicas. A produção também aborda as relações entre aliados do presidente norte-americano Donald Trump e integrantes do bolsonarismo.
O episódio apresenta uma entrevista com o general Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, que critica o alinhamento de políticos brasileiros aos interesses estadunidenses.
Ao comentar a participação do militar, Wagner Moura destacou a convergência entre pessoas de diferentes posições políticas na defesa dos recursos naturais do país.
“Eu sou um ator de esquerda, ele é um general de direita que trabalhou com o Bolsonaro. E nós concordamos no essencial. Nossos minerais raros são estratégicos. Os brasileiros que estão tentando entregar o Brasil de bandeja para Trump são uma vergonha para o Brasil”, afirmou.
O ator também questionou quem será beneficiado pela exploração das riquezas minerais brasileiras nas próximas décadas.
“O Brasil vai ser um país muito rico nas próximas décadas. A pergunta é: quem vai ser o dono dessa riqueza? A gente ou um bando de americano que gosta de tomar o que é dos outros?”, declarou.
Fonte: Brasil 247