Em meio à crise no STF, Mendonça diz que esperava “represálias” e afirma: “não tenho nada a temer”
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (17) que sabia que enfrentaria “represálias” depois de decidir levar adiante informações recebidas da Polícia Federal. Em meio às divergências na Corte relacionadas às apurações do caso Banco Master, ele declarou que não teme os ataques que diz estar sofrendo e que continuará exercendo suas funções.
Mendonça diz que foi advertido sobre ataques
“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim”, afirmou o ministro, de acordo com a coluna da jornalista Andréia Sadi, no G1.
Mendonça não detalhou quem teria feito as advertências mencionadas nem quais teriam sido as circunstâncias em que elas ocorreram.
O ministro também recorreu ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer para responder às críticas. Na avaliação apresentada por Mendonça, ataques pessoais estariam sendo utilizados contra ele em meio às divergências.
“Conforme ensina Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante”, declarou.
“Nada tenho a temer”
Na sequência, Mendonça afirmou que as críticas e o que classificou como tentativas de intimidação não alterarão sua atuação no Supremo.
“No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade”, disse.
A manifestação ocorre durante uma semana de atritos públicos entre integrantes do STF e divergências sobre a condução de procedimentos ligados ao caso Banco Master.
Caso Master amplia divergências no Supremo
Na terça-feira (15), os ministros discutiram a tramitação dos procedimentos relacionados ao caso. A análise acabou interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
As divergências envolvem, entre outros pontos, a condução de apurações e os procedimentos adotados no âmbito do Supremo. A atuação de Mendonça tornou-se um dos focos das discussões internas.
O julgamento específico sobre a atuação do ministro estava programado para 23 de setembro. A sessão extraordinária havia sido convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, depois da decisão de tratar separadamente a análise referente a Mendonça e a discussão envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Fachin retira julgamento de pauta
Em meio às divergências sobre a tramitação dos procedimentos, Fachin cancelou a sessão extraordinária e retirou de pauta o julgamento que examinaria a atuação de Mendonça nas apurações relacionadas ao Banco Master.
Com a mudança, a análise que estava marcada para 23 de setembro deixa de ocorrer naquela data.
Fonte: Brasil 247