Em carta ao ministro da Educação, alunos da Ufes reivindicam moradia estudantil

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Publicado em 18 de Setembro de 2026 às 16:47

Patrick Mizrahi

Publicado em 

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Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) entregaram na quinta-feira (17) ao ministro da Educação, Leonardo Barchini, uma carta com nove reivindicações da comunidade discente (formada pelos alunos). O documento foi entregue  pela presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Michele Gimenis, ao representante do governo federal, em evento no  campus de Goiabeiras, em Vitória. Conforme a líder, o compromisso firmado é que a carta seja levada a Brasília com as reivindicações.

Das nove demandas, Michele aponta a moradia estudantil e o aumento dos auxílios como prioridades. As medidas, acrescentou, são importantes, sobretudo, para atender os universitários que trabalham e aqueles que precisam migrar de outras cidades ou Estados para estudar na Ufes.

A gente tem hoje uma grande quantidade de estudantes que são trabalhadores, que trabalham na escala 6×1, que recebem um salário mínimo, que moram sozinhos porque vêm de outros Estados, vêm de outras cidades

Michele Gimenis, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE)

Veja as nove reivindicações da carta dos estudantes:

Ampliação e valorização da assistência estudantil , com auxílios em valores suficientes para garantir a permanência dos estudantes.

Implementação de uma política de moradia estudantil na Ufes.

Redução do preço do Restaurante Universitário (RU) , para garantir alimentação acessível aos estudantes.

Melhoria e manutenção da infraestrutura , com prédios em condições adequadas, água e banheiros funcionando.

Recomposição e ampliação do quadro de professores , especialmente nos cursos da área da saúde, como Terapia Ocupacional.

Investimento nos cursos já existentes , para que a expansão da universidade não ocorra em detrimento das graduações atuais.

Ampliação dos investimentos nas universidades federais , garantindo estrutura e condições para a expansão.

Fim do arcabouço fiscal , para que as necessidades sociais não sejam subordinadas às limitações impostas pelo regime fiscal.

Cumprimento da meta de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação , com financiamento público considerado adequado pelos estudantes.

Fonte:  Diretório Central dos Estudantes (DCE)

A iniciativa surgiu a partir de conversas da gestão do DCE sobre melhorias na universidade, afirma Michele.

Segundo ela, na tarde anterior à visita do ministro, o  diretório foi convidado a participar da cerimônia. Em razão do curto prazo disponível, a carta foi elaborada pela própria gestão, formada atualmente por 21 pessoas. A atual diretoria assumiu há pouco mais de um mês.

Michele afirma que o DCE representa os cerca de 20 mil estudantes de graduação da Ufes. A entidade também atua em conjunto com os movimentos estudantis Correnteza, União da Juventude Comunista (UJC) e Juntos.

A entrega da carta ocorreu durante a cerimônia que marcou a aprovação do curso de Medicina no campus de Alegre, no Sul do Espírito Santo. No documento, os estudantes afirmam que não são contrários à abertura de novos cursos, mas defendem que a expansão da universidade seja acompanhada de investimentos nas graduações já existentes.

 “Por isso, diante da aprovação do curso de Medicina em Alegre, queremos deixar uma questão clara: se é para ampliar a universidade pública, que se amplie também o investimento naqueles que fazem a universidade existir”, pontuam. 

Em outro trecho, os estudantes reforçam a cobrança: “Também não podemos falar em expansão da universidade enquanto os cursos que já existem enfrentam falta de professores”.

Procurada pela reportagem de A Gazeta, o Ministério da Educação (MEC) enviou uma nota sobre a entrega do documento e as reivindicações apresentadas pelos estudantes.

A pasta informou que a carta será formalmente encaminhada ao reitor da universidade, Eustáquio Vinícius de Castro. “A Ufes possui autonomia administrativa, financeira e de gestão patrimonial, nos termos do artigo 207 da Constituição Federal de 1988. Dessa forma, cabe à própria universidade gerir e definir a destinação de seus recursos para o funcionamento e manutenção de suas instalações”, diz a nota.  

O texto enviado também afirma que o MEC  promoveu uma suplementação orçamentária de R$ 15,24 milhões no orçamento da Ufes, cuja dotação para 2026 totaliza R$ 145,27 milhões (11,7% acima do previsto na lei orçamentária aprovada pelo Congresso Nacional). 

“Nos últimos quatro anos (2022-2026), o orçamento da Ufes registra um crescimento de 22%. O MEC acompanha de forma contínua as necessidades das universidades federais, atuando no apoio à manutenção e melhoria de sua infraestrutura, respeitados os limites orçamentários e financeiros e os instrumentos próprios de execução.” 

A Ufes foi procurada pela reportagem, mas não respondeu à demanda até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para eventuais respostas.

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*Este conteúdo foi produzido por Patrick Mizrahi , residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora adjunta Andreia Pegoretti .

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