Em 8 meses, afastamentos por vício em jogos no ES já superam o total de 2025

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Publicado em 21 de Outubro de 2026 às 09:02

André Cypreste

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O número de afastamentos profissionais concedidos a trabalhadores com problemas relacionados ao vício em jogos e apostas cresceu no Espírito Santo nos últimos anos. De janeiro a agosto de 2026, foram registrados 11 benefícios no Estado, número 57,1% maior que os sete reportados em todo o ano de 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social.  Em 2024,  houve apenas um benefício registrado.

As bets (apostas esportivas e jogos on-line) estão proibidas no Brasil desde 25 de setembro de 2026 , quando o governo federal publicou uma medida provisória (MP) determinando o encerramento das atividades do setor no país.

Os dados da pesquisa “Bets, consumo e saúde mental”, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), mostram que, somente em junho de 2026, foram feitos 7,3 milhões de apostas no Estado, com gasto total de R$ 397,7 milhões.

O pico de apostas ocorreu em outubro de 2025, quando foram computados 9,3 milhões de jogos, totalizando mais de R$ 518 milhões.

Os benefícios são concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a segurados que comprovam incapacidade temporária para o trabalho. Nesse levantamento, os registros estão relacionados ao jogo patológico, condição associada ao comportamento compulsivo de jogar, que pode envolver diferentes modalidades, incluindo apostas eletrônicas.

O crescimento dos registros no Espírito Santo acompanha uma tendência observada nacionalmente.  No Brasil, foram 143 beneficiários em 2024, número que passou para 312 em 2025 e chegou a 377 entre os meses de janeiro e agosto de 2026, segundo os dados divulgados pela Previdência Social. O crescimento ocorreu no período em que o mercado de apostas on-line passou por mudanças regulatórias e ampliou sua presença no país.

O levantamento nacional também traçou o perfil dos trabalhadores com vínculos formais ativos que receberam o benefício entre 2023 e 2025. Os homens representaram 71% dos casos, enquanto as mulheres corresponderam a 29%.


A faixa etária de 30 a 39 anos concentrou 44,1% dos registros, seguida pelos trabalhadores de 40 a 49 anos, com 22,8%, e por aqueles de 25 a 29 anos, que representaram 17,1%.

Os serviços concentraram 54% dos trabalhadores com vínculos ativos que receberam o benefício. A indústria respondeu por 23% dos casos e o comércio, por 20%.

Para Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho e responsável pelo levantamento, o endividamento associado aos jogos é um dos fatores de preocupação diante do avanço dos casos.

Os poucos dados disponíveis são bastante claros em relação ao vício que os jogos eletrônicos criam. Precisamos afastar essa ameaça da vida de crianças, adolescentes e adultos em todas as regiões do país

Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho

O crescimento dos benefícios, porém, não permite concluir isoladamente que a expansão das plataformas de apostas tenha provocado o aumento dos afastamentos. Os dados contabilizam pessoas que tiveram a incapacidade reconhecida para fins previdenciários e não representam o total de brasileiros que enfrentam problemas com jogos.

Entre janeiro e julho de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 564 atendimentos relacionados ao vício em jogos, somando 247 cidadãos assistidos — principalmente homens jovens de baixa renda. Do total, 72,9% são do sexo masculino e 38% têm idade entre 25 e 34 anos.

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