Elias Jabbour: ‘Flávio Bolsonaro quer desligar o Estado. É o fascismo 4.0’ (vídeo)

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O deputado federal eleito Elias Jabbour (PCdoB-RJ) fez um duro alerta sobre o pacote de corte de gastos estudado pela equipe do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que a medida prometida de promover um ajuste fiscal de R$ 250 bilhões (equivalente a 2% do Produto Interno Bruto) inviabiliza o funcionamento dos serviços públicos essenciais no país, segundo declarações publicadas pelo parlamentar em suas redes sociais nesta sexta-feira (16).

Em análise detalhada dos números orçamentários da União, Jabbour demonstrou que o valor anunciado supera inclusive o orçamento anual do principal programa social do país. “Eu fiz a conta que a equipe do Flávio Bolsonaro já fez mas não quer mostrar. Vamos colocar na mão o Bolsa Família de 2026. O Bolsa Família, que atende quase 19 milhões de famílias, custou aos cofres públicos R$ 158 bilhões. O corte que a equipe de Flávio Bolsonaro promete é muito maior do que isso”, enfatizou.

O parlamentar eleito prosseguiu destrinchando as despesas discricionárias do governo federal — isto é, os recursos destinados a obras, infraestrutura, Polícia Federal, escolas e universidades —, que no último ano somaram cerca de R$ 245 bilhões, incluindo R$ 60 bilhões em emendas parlamentares. Segundo Jabbour, mesmo na hipótese irreal de eliminação total das emendas e corte severo do investimento público livre, o valor não cobriria a meta pretendida.

Ele também rebateu o discurso de que o ajuste seria obtido apenas com o enxugamento de despesas administrativas. “Sinceramente, fazer o que eles estão prometendo significa abertamente desligar o Estado. Eles dizem: ‘vamos cortar as regalias de Brasília, voos, carros e viagens’. O ministro do Planejamento fez as contas. A eficiência da máquina [pública] suporta um corte de R$ 10 bilhões. Faltam R$ 190 bilhões. A pergunta é muito simples, para a senhora Daniella Marques e para Flávio Bolsonaro: aonde existe este dinheiro, com esta escala, dentro do orçamento da União?”, questionou.

De acordo com o deputado eleito, uma tesourada dessa magnitude só é factível com o ataque direto às garantias sociais e aos direitos constitucionais da população. “Somente em três lugares: a Previdência, que é a maior despesa do orçamento, os benefícios atrelados ao salário mínimo – como o BPC -, e os pisos da saúde e da educação, que estão na Constituição e que garantem, em tese, que o SUS e a educação não fiquem sem dinheiro”, alertou Jabbour, citando apuração do jornal Folha de São Paulo que aponta que a própria equipe de Flávio Bolsonaro cogita abertamente acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação, além de desvincular o reajuste das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em relação ao salário mínimo.

“Não é terrorismo. É o que eles estão dizendo. Ele está falando que é mentira. Eu quero saber a conta. Qual é a conta que mostra o contrário?”, cobrou.

A equipe econômica do candidato do PL estuda tais medidas de contenção das despesas obrigatórias com o argumento de estancar o crescimento da dívida pública bruta, reduzir a percepção de risco no mercado financeiro e aliviar a pressão sobre as taxas de juros. Contudo, para Elias Jabbour, a execução desse plano representa uma ameaça direta à estrutura democrática e social do país.

“A conta dos R$ 250 bilhões não fecha se não incluir aposentadoria, educação e saúde. Como eles não mostram outra conta, nós temos todo o direito de desconfiar. Essa porrada que eles querem dar tirando R$ 250 bilhões de circulação pode significar algo muito maior, que é uma mudança de regime no Brasil, um regime baseado na superexploração da mão de obra, na precarização do trabalho e no fim dos direitos sociais. O fascismo 4.0”, concluiu.

Eu fiz a conta do corte que Flávio Bolsonaro promete. https://t.co/tSwk2NSB7J

— Elias Jabbour (@eliasjabbour) October 16, 2026

Fonte: Brasil 247

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