Eleição de parlamentares LGBT+ bate recorde em 2026
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O Brasil elegeu 35 parlamentares LGBT+ nas eleições de 2026, quase o dobro dos 18 que conquistaram mandatos quatro anos antes. O resultado estabelece um novo recorde de representação do grupo no Legislativo e ocorre após as candidaturas LGBT+ somarem mais de 10,7 milhões de votos em todo o país.
Segundo o G1, um levantamento do Instituto Plena Cidadania aponta que 519 candidatos LGBT+ disputaram as eleições deste ano. O número também representa uma marca histórica e corresponde a um crescimento de 59% sobre as 319 candidaturas registradas em 2022. O total de votos obtidos por esses candidatos mais que triplicou em quatro anos.
Os 35 eleitos ocuparão, a partir de 2027, cadeiras no Senado, na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Congresso terá 13 deputados e uma senadora LGBT+
A representação LGBT+ também crescerá no Congresso Nacional. Segundo o Instituto Plena Cidadania, a próxima legislatura contará com 13 deputados federais e uma senadora LGBT+.
Entre os nomes que conquistaram novos mandatos estão Erika Hilton e Duda Salabert (PDT-MG), que, em 2022, tornaram-se as primeiras mulheres trans eleitas deputadas federais no Brasil.
Erika Hilton, de 33 anos, natural de Franco da Rocha (SP), disputa eleições desde 2016. Seu primeiro mandato foi conquistado em 2020, quando foi eleita vereadora da cidade de São Paulo.
Na Câmara dos Deputados, Hilton ganhou projeção por sua atuação em defesa dos direitos LGBTQIA+, dos direitos das mulheres, das pautas trabalhistas e do combate à discriminação. É autora de 113 projetos de lei e também ganhou destaque nacional no debate sobre o fim da escala 6×1.
Duda Salabert, de 45 anos, professora e natural de Belo Horizonte, disputa eleições desde 2018. Em 2020, foi eleita vereadora da capital mineira pelo PDT e, em 2022, chegou à Câmara dos Deputados. Dois anos depois, concorreu à Prefeitura de Belo Horizonte, mas não foi eleita.
A atuação da parlamentar está concentrada principalmente nas áreas de meio ambiente, proteção animal, educação e direitos humanos. Duda é autora de 605 projetos de lei. Em 2026, recebeu mais de 229 mil votos e terminou como a terceira candidata a deputada federal mais votada de Minas Gerais.
Thabatta Pimenta será terceira mulher trans na Câmara
A próxima legislatura também marcará a estreia de Thabatta Pimenta (PV-RN) na Câmara dos Deputados. Aos 34 anos, ela será a terceira mulher trans a ocupar uma cadeira na Casa.
Natural de Carnaúba dos Dantas, no Rio Grande do Norte, Thabatta participou neste ano de sua quinta disputa eleitoral. Segundo informações de sua campanha, ela atua na defesa das pessoas com deficiência e em pautas relacionadas à comunidade LGBT.
A candidata recebeu mais de 90 mil votos e ficou na oitava colocação entre os eleitos para deputado federal pelo Rio Grande do Norte.
Além de Erika Hilton, Duda Salabert e Thabatta Pimenta, outras quatro mulheres trans conquistaram cargos legislativos nas eleições de 2026.
TSE mapeia identidade de gênero pela primeira vez
A eleição deste ano também marcou uma mudança na produção de dados oficiais sobre a diversidade dos candidatos. Pela primeira vez, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mapeou a identidade de gênero das pessoas que concorreram.
Entre as 20.989 candidaturas contabilizadas no recorte apresentado, 107, ou 0,51%, eram de pessoas transexuais.
Até então, esse tipo de levantamento era realizado principalmente por entidades ligadas ao movimento LGBTQIA+. Em 2022, por exemplo, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) identificou 79 candidaturas de pessoas trans.
Mulheres e negros são maioria entre os eleitos
O perfil dos 35 parlamentares LGBT+ eleitos mostra predominância de mulheres e pessoas negras. Segundo o Instituto Plena Cidadania, 27 são mulheres. Considerando homens e mulheres, 22 dos eleitos são pessoas negras.
A distribuição geográfica revela forte concentração no Sudeste, que elegeu 20 dos 35 parlamentares LGBT+.
No recorte político, todos os candidatos LGBT+ eleitos pertencem a partidos de esquerda. Entre as candidaturas consideradas pelo levantamento, 408 estavam vinculadas a legendas de esquerda, 64 a partidos de centro e 44 a siglas de direita.
Mesmo com o recorde, a população LGBT+ permanece sub-representada nos Legislativos. De acordo com o Instituto Plena Cidadania, o grupo representa cerca de 9% da população brasileira, mas ocupa 2,15% das vagas legislativas.
Violência política atinge 94% das candidaturas
O crescimento da representação ocorre em meio a um cenário de violência política contra candidatos LGBT+. Segundo o Instituto Plena Cidadania, 94% das candidaturas LGBT+ nas eleições deste ano relataram ter sofrido episódios desse tipo.
Entre os 35 eleitos, oito afirmaram já ter recebido ameaças de morte.
Com o crescimento das bancadas LGBT+ pelo país, a expectativa de representantes do movimento é de que propostas relacionadas à proteção e aos direitos da comunidade ganhem espaço nas Casas legislativas.
Fontes ligadas ao movimento ouvidas pelo G1 também apontam a empregabilidade de pessoas LGBT+ e a defesa contra eventuais retrocessos em direitos já reconhecidos como prioridades para os mandatos que começam em 2027.
Direitos e composição do STF entram no radar
Parte dos principais direitos da população LGBT+ no Brasil foi assegurada por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), e não pelo processo legislativo no Congresso.
Decisões do Judiciário tiveram papel central em temas como o reconhecimento da união homoafetiva, a adoção por casais LGBT+, a doação de sangue e a criminalização da homofobia e da transfobia.
Por essa razão, além do aumento da representação no Legislativo, a futura composição do STF também entrou no radar de organizações ligadas à comunidade. As próximas indicações para o Supremo são consideradas relevantes para a discussão sobre a preservação dos direitos já reconhecidos no país.
Fonte: Brasil 247