Eduardo Bolsonaro diz que usará sessão do STF para pedir sanções dos EUA contra ministros da Corte

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta terça-feira (15) que pretende apresentar em Washington registros da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discute a possível abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o material poderá integrar sua articulação em favor de uma nova rodada de sanções dos Estados Unidos.

Eduardo publicou a mensagem no X, antigo Twitter, durante o julgamento no Supremo e afirmou que pretende levar o conteúdo da sessão à capital estadunidsense. “Tudo registrado e pronto para expor em DC onde, se Deus quiser, se iniciará uma nova rodada de sanções”, escreveu Eduardo, em referência a Washington, D.C.

Na publicação, o ex-parlamentar também dirigiu críticas aos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Eduardo acusou Moraes de reivindicar garantias que, segundo sua interpretação, teriam sido negadas pelo magistrado a réus em processos sob sua condução. Também criticou Gilmar por questionamentos feitos ao ministro André Mendonça e chamou Dino de “bobo da corte”.

Viagem a Washington terá sanções na agenda

A manifestação ocorre às vésperas de reuniões que Eduardo deverá realizar em Washington nesta semana para discutir justamente a possibilidade de novas medidas contra Moraes.

O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo confirmou à Gazeta do Povo que Eduardo terá mais de um encontro na capital dos EUA e que eventuais sanções contra o ministro estarão entre os assuntos discutidos. Os nomes dos participantes das reuniões não foram divulgados.

Na sexta-feira (11), Eduardo já havia anunciado que viajaria a Washington para tratar da retomada de sanções previstas na Lei Global Magnitsky contra Moraes. Na ocasião, não revelou com quem pretendia se reunir.

“Semana que vem estou indo a Washington DC para conversar com algumas pessoas muito interessantes para reanimar, reaver a possibilidade da gente ter uma Magnitsky Moraes”, declarou.

Eduardo já havia defendido publicamente, no início de setembro, a reativação das medidas contra o ministro e afirmado que ele e seus aliados fizeram esse pedido ao governo estadunidense.

“É certo que sim, nós já pedimos e isso fica dentro da avaliação do governo americano. O nosso trabalho aqui é dar a nossa opinião quando nós somos consultados. Então, por óbvio, eu sou entusiasta do retorno da lei Magnitsky, porque eu vejo abusos de direitos humanos”, afirmou Eduardo em entrevista ao UOL.

EUA discutem eventual retomada de medidas

A movimentação ocorre enquanto há discussões em Washington sobre uma eventual retomada das sanções.

Segundo reportagem publicada pelo UOL na segunda-feira (14), autoridades estadunidenses ouvidas sob reserva afirmaram que novas medidas com base na Lei Global Magnitsky contra Moraes poderiam ocorrer a qualquer momento. De acordo com a publicação, o processo utilizado como fundamento para as sanções anteriores continua sendo considerado válido pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Ainda conforme a reportagem, uma eventual retomada das punições financeiras dependeria do aval do Departamento de Estado.

Moraes foi submetido em 2025 a sanções dos Estados Unidos com base na Lei Global Magnitsky. As medidas foram posteriormente retiradas. Reportagens recentes indicam que o tema voltou a ser discutido em Washington diante da crise envolvendo o Supremo.

Sessão do STF é marcada por confronto

A declaração de Eduardo ocorreu durante uma sessão extraordinária do Supremo que analisa questões relacionadas à possibilidade de investigação de Moraes a partir de elementos associados ao caso Banco Master.

O julgamento desta terça-feira não representa uma decisão sobre eventual culpa do ministro. A Corte discute aspectos processuais e o prosseguimento das apurações relacionadas a informações reunidas pela Polícia Federal.

A sessão foi marcada por fortes divergências entre integrantes do STF. Moraes e André Mendonça protagonizaram um confronto sobre a condução das investigações, enquanto Gilmar Mendes também apresentou questionamentos sobre o caso.

Parte das discussões envolve mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes contestou a validade do relatório da Polícia Federal e afirmou durante sua manifestação que o documento seria “imprestável”. Também alegou haver indícios de participação externa em sua elaboração.

“É imprestável”, declarou Moraes ao se referir ao relatório.

O ministro também afirmou que haveria uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”, acusação apresentada por ele durante sua defesa e que não constitui uma conclusão estabelecida pelo tribunal.

Dino reage à possibilidade de sanções

A perspectiva de novas medidas norte-americanas também entrou diretamente no debate do plenário.

Flávio Dino afirmou durante a sessão ter recebido com “surpresa e indignação” a notícia de que os Estados Unidos poderiam restabelecer sanções contra integrantes do Supremo em meio ao julgamento.

“Para minha surpresa e indignação, li agora na hora do almoço uma notícia de que os Estados Unidos vão restabelecer sanções a ministros do STF por conta deste julgamento aqui”, afirmou.

Dino classificou a possibilidade de pressão externa sobre o tribunal como uma questão de “enorme gravidade jurídica, constitucional” e argumentou que o STF integra a estrutura soberana do Estado brasileiro.

“Eu reputo isso como de enorme gravidade jurídica, constitucional. Aqui é o Tribunal Supremo de um País soberano. Portanto, esse ambiente de pressão ilegítima deve constituir alvo da indignação, não no Tribunal, mas de todos os brasileiros, por uma razão assentada nos paradigmas das relações diplomáticas entre as nações soberanas, que é o princípio da reciprocidade”, declarou Dino.

O ministro acrescentou que uma eventual pressão dos Estados Unidos “não altera rigorosamente nada” em sua atuação no Supremo.

Até esta terça-feira,contudo, não havia anúncio oficial do governo dos Estados Unidos confirmando uma nova rodada de sanções em decorrência do julgamento.

Fonte: Brasil 247

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