Economia argentina desaba e informalidade bate recorde sob Milei

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – A economia argentina encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2026 ante os três primeiros meses do ano, enquanto o desemprego avançou para 7,9% e a informalidade no mercado de trabalho atingiu o recorde de 45%. Os dados revelam perda de dinamismo do consumo e dos investimentos durante o governo do presidente Javier Milei.

As informações foram divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) e reunidas em reportagem da teleSUR nesta quinta-feira. Os números mostram que a retração econômica entre abril e junho ocorreu em meio à aceleração da inflação, com taxas anuais variando de 32,4% a 33,5%.

Além da queda do Produto Interno Bruto (PIB), as importações de bens e serviços recuaram 3,5% em relação ao primeiro trimestre. O consumo privado, um dos principais componentes da atividade econômica, diminuiu 2,4%, enquanto o consumo público caiu 2,3%. A formação bruta de capital fixo, indicador usado para medir os investimentos, teve baixa de 0,8%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB argentino cresceu 2%. O resultado, contudo, foi sustentado principalmente pelo aumento de 13,7% das exportações de bens e serviços. No mesmo período, o consumo privado teve avanço de apenas 0,4%, e o consumo público caiu 4,1%.

O investimento apresentou o pior desempenho entre os principais componentes da demanda, com retração anual de 11,1%. As importações reais também diminuíram 8,6%, um movimento associado à redução do consumo interno.

Entre os setores da economia, a indústria de transformação registrou queda de 2,1% na comparação anual. A construção avançou somente 0,2%, enquanto a administração pública recuou 1,4%. Outras atividades de serviços comunitários, sociais e pessoais tiveram baixa de 0,9%.

Um relatório da consultoria LCG apontou que os investimentos permanecem próximos de 17% do PIB argentino, “o nível mais baixo desde os trimestres posteriores à desvalorização de dezembro de 2023 e, anteriormente, desde a pandemia” de Covid-19, em 2020.

Economistas consultados mensalmente pelo Banco Central da Argentina estimam crescimento médio de 2,1% para a economia em 2026, após uma expansão de 4,4% em 2025. O governo Milei havia projetado inicialmente uma alta de 5%, mas reduziu a previsão para 3% no projeto de Orçamento encaminhado ao Congresso. Para 2027, a estimativa oficial é de crescimento de 4%.

A LCG apresenta uma avaliação mais conservadora. A consultoria prevê expansão de aproximadamente 2% neste ano e de 2,5% em 2027.

Desemprego e informalidade avançam

A deterioração do mercado de trabalho acompanha a perda de força da atividade econômica. Segundo o Indec, a taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre, alta de 0,1 ponto percentual em relação aos primeiros três meses do ano e de 0,3 ponto na comparação com o período entre abril e junho de 2025.

Nos 31 principais conglomerados urbanos analisados pelo instituto, 1,164 milhão de pessoas estavam desempregadas. O contingente aumentou em 19 mil pessoas em relação ao primeiro trimestre e em 73 mil ante o mesmo intervalo do ano passado.

A pesquisa abrange regiões urbanas onde vivem 30,1 milhões de habitantes, diante de uma população nacional estimada em aproximadamente 46,6 milhões. Outros quase 2,5 milhões de argentinos ocupados procuravam uma nova colocação entre abril e junho.

Ao mesmo tempo, a taxa de informalidade trabalhista alcançou 45%, o maior patamar desde que o Indec começou a divulgar o indicador, no último trimestre de 2023. Cerca de 6,1 milhões de pessoas estavam ocupadas sem vínculo formal no segundo trimestre.

A proporção de trabalhadores informais cresceu 0,8 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e 1,8 ponto na comparação anual.

“A baixa capacidade da economia para gerar empregos é evidenciada pela deterioração de sua qualidade, refletida no aumento da informalidade”, afirmou o Centro de Pesquisa e Formação da Central de Trabalhadores da Argentina em relatório citado pela teleSUR.

Empregos formais desaparecem

Dados da Secretaria do Trabalho, que consideram todos os trabalhadores registrados no país, indicam que 121 mil empregos assalariados formais foram eliminados no setor privado entre junho de 2025 e junho de 2026. No setor público, desapareceram outros 30,5 mil postos.

O órgão identificou, durante o segundo trimestre, “uma continuidade do processo de destruição do emprego assalariado privado”.

A indústria aparece entre as áreas mais afetadas. O setor perdeu 51,8 mil vagas formais no período de 12 meses encerrado em junho de 2026, segundo os registros oficiais.

O fechamento de empresas também prosseguiu durante a aplicação das medidas de austeridade do governo. Levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) aponta que 31.342 empresas encerraram as atividades desde o fim de 2023, quando Milei assumiu a Presidência, até junho deste ano.

Nesse intervalo, foram eliminados 434.126 postos de trabalho registrados em unidades produtivas, de acordo com os dados do centro de estudos.

Milei volta a atacar jornalistas

Após a divulgação dos indicadores, Milei publicou uma mensagem com insultos contra profissionais da imprensa, sem apresentar dados que contestassem os números oficiais.

“Jornalistas de merda, depois reclamam quando digo que são merdas humanas que passam o tempo todo mentindo. São lixos repugnantes”, escreveu o presidente na rede social X.

A postagem foi feita depois que veículos argentinos começaram a repercutir os resultados econômicos e trabalhistas divulgados pelo Indec.

Na semana passada, a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) advertiu que os ataques e insultos “sistemáticos” de Milei contra jornalistas e empresas de comunicação “geram um efeito de contágio” no restante da sociedade.

Em relatório apresentado durante sua assembleia anual, a entidade informou que, somente entre 17 e 23 de agosto de 2026, “335 mensagens contra a imprensa foram republicadas pela conta do presidente, além de 26 publicações próprias e 21 alusões depreciativas ao jornalismo em intervenções públicas”.

A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), principal sindicato dos servidores públicos argentinos, também solicitou nesta semana informações ao governo sobre a saúde física e mental do presidente, com o objetivo de avaliar sua aptidão para o exercício do cargo.

O pedido mencionou avaliações públicas dos psiquiatras Graciela Peyrú, presidente da Fundação para a Saúde Mental, e Enrique Stola. Os especialistas falaram, respectivamente, em “características compatíveis com um quadro maníaco” e “forte instabilidade emocional”.

Fonte: Brasil 247

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