Duplicatas escriturais: 63,6% das empresas apontam prazo de manifestação como desafio
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Levantamento da V360 mostra que prazo de manifestação e integração com ERPs lideram dificuldades das empresas na adaptação ao novo modelo
Prazos de manifestação aparecem como o maior obstáculo das empresas na adaptação às duplicatas escriturais, segundo levantamento da V360. A pesquisa aponta que 63,6% das companhias analisadas citam esse ponto como dificuldade, enquanto 54,5% mencionam entraves na integração com sistemas de ERP.
Além desses dois pontos, 45,5% das empresas relatam problemas para conciliar a duplicata com nota fiscal ou ordem de compra. Outras 36,4% apontam dificuldades no cadastro e na governança de credores.
Segundo Izaias Miguel, CEO da V360, os números mostram uma mudança de fase na relação das empresas com o tema. “A pergunta deixou de ser apenas como a duplicata escritural vai funcionar e passou a ser como vamos fazer isso funcionar dentro da nossa operação. Quando a discussão chega ao ERP, à conciliação e ao prazo de manifestação, significa que estamos entrando em uma etapa muito mais prática dessa mudança”, afirma.
O levantamento também acompanhou a evolução do debate ao longo dos meses. Em dezembro, as dúvidas giravam em torno da legislação e do funcionamento do novo ecossistema. Nos meses seguintes, ganharam espaço as discussões sobre riscos financeiros. Já em maio, integração e adequação de sistemas passaram a dominar as conversas.
Assim, a preparação para as duplicatas escriturais deixa de ser tarefa isolada das equipes que acompanham a regulamentação. Financeiro, fiscal, contas a pagar e tecnologia passam a dividir a responsabilidade pela adequação.
Isso acontece porque cada duplicata recebida precisa ser relacionada à operação comercial que a originou. Informações de sistemas distintos costumam precisar ser cruzadas antes de a empresa decidir pela manifestação.
“Quando uma empresa recebe milhares de documentos e possui diferentes etapas de validação, esse processo não pode depender de uma conferência isolada. O desafio passa a ser conectar as informações e criar um fluxo capaz de identificar rapidamente o que está correto, o que apresenta divergência e o que precisa de uma ação”, explica Miguel.
A pesquisa reforça que a adaptação às duplicatas escriturais não se limita a uma obrigação nova. O título passa a interagir com rotinas já existentes nas empresas, como recebimento de documentos fiscais, ordens de compra, cadastro de fornecedores, contas a pagar e conciliação financeira.
A qualidade e a integração dos dados passam a definir a capacidade de resposta das companhias. Uma divergência entre a duplicata e a nota fiscal correspondente, por exemplo, pode exigir análise interna antes da manifestação. Mudanças ligadas ao credor também demandam processos de validação e rastreabilidade.
Para a V360, essa complexidade explica a migração do debate para tecnologia e integração. Quanto maior o volume de documentos processados, maior tende a ser a necessidade de automatizar cruzamentos e reunir informações, reduzindo a dependência de controles manuais.
“A duplicata escritural não cria apenas uma informação nova para o financeiro acompanhar. Ela precisa conversar com dados que já estão espalhados pela operação. O desafio tecnológico está em conectar essas pontas e organizar os registros em um fluxo que a empresa consiga administrar em escala”, conclui Izaias.
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Fonte: Carta Capital