Discurso de Lula na ONU deve abordar defesa da democracia e da soberania, mas sem citar os EUA
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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A fala na próxima terça-feira ainda está em elaboração e deve abordar conflitos, crise do multilateralismo, combate ao crime organizado e defesa das instituições brasileiras
O presidente Lula (PT) deve usar o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, na próxima terça-feira 22, para reforçar a defesa da democracia e da soberania brasileira, mas sem fazer uma acusação direta aos Estados Unidos por interferência na eleição de 2026 . A fala ainda está em elaboração e pode sofrer alterações até a viagem a Nova York, no domingo 20.
A orientação em discussão no Palácio do Planalto é evitar que o discurso seja transformado em uma resposta específica ao governo Donald Trump . A estratégia é tratar democracia, soberania e respeito às instituições como princípios gerais da política externa brasileira , permitindo que a mensagem sobre a eleição seja compreendida sem que os Estados Unidos sejam citados nominalmente .
A fórmula tem precedente no discurso de Lula na ONU no ano passado . Em setembro de 2025, o presidente relacionou o enfraquecimento das democracias com a crise do multilateralismo, além de defender a soberania brasileira diante de medidas que classificou como unilaterais. Também afirmou que a democracia brasileira havia resistido a ataques e que o País não aceitaria tutela externa.
A defesa das instituições deve ganhar novo peso neste ano. A eleição presidencial se aproxima da reta final e o governo brasileiro passou a tratar a possibilidade de interferência externa como uma preocupação permanente, especialmente diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos ao longo da crise bilateral iniciada em 2025.
O tema, porém, deve aparecer inserido em uma agenda mais ampla. Historicamente, os discursos de Lula na Assembleia Geral priorizam questões internacionais e procuram apresentar posições brasileiras sobre conflitos, meio ambiente, desenvolvimento e funcionamento das instituições multilaterais. Em 2025, a fala também abordou a reforma da ONU, o comércio internacional, a mudança climática e a necessidade de fortalecer o multilateralismo.
Donald Trump acompanha trecho do discurso de Lula na ONU, em 2025. Foto: UN Photo/Mark Garten
Um dos assuntos que ganharam espaço nas discussões preparatórias deste ano é o combate ao crime organizado. A avaliação no governo é que o problema deixou de ser apenas uma questão de segurança doméstica e passou a ocupar um espaço maior na agenda internacional, especialmente diante da adoção de medidas de caráter militar dos Estados Unidos na região.
Nesse ponto, Lula deve defender a cooperação internacional e regional no combate às organizações criminosas. O governo também pretende destacar que já existe uma estrutura de cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança e que o País tem defendido mecanismos conjuntos de enfrentamento ao crime organizado.
A guerra e as crises humanitárias também devem permanecer entre os principais assuntos. O presidente costuma utilizar a tribuna da ONU para cobrar soluções diplomáticas para conflitos e defender o fortalecimento das instituições multilaterais. Em 2025, por exemplo, dedicou parte relevante da fala à crise do multilateralismo e à incapacidade das instituições internacionais de responderem aos conflitos e às crises contemporâneas.
A questão climática e a agenda ambiental também devem integrar o discurso, assim como a defesa de reformas na governança global. A programação oficial da 81ª Assembleia Geral prevê o debate de temas relacionados à paz, ao desenvolvimento sustentável, aos direitos humanos e à ação climática, dentro do lema deste ano, que propõe restaurar a confiança e adaptar a ONU às transformações globais.
O discurso será a décima participação de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. A tradição brasileira de abrir o Debate Geral é mantida desde 1955. Neste ano, a sessão começa em 22 de setembro, em Nova York.
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Fonte: Carta Capital