Direção do PT atribui ao fim abrupto das bets o resultado das urnas
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A direção do PT incluiu o fim abrupto das bets entre os fatores que, em sua avaliação, prejudicaram o desempenho do presidente Lula no primeiro turno da eleição presidencial. Segundo relatos publicados pela imprensa, integrantes da cúpula petista responsabilizam o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, por ter defendido a proibição integral das apostas online às vésperas da votação, segundo reporta o Uol.
A avaliação ocorre durante o balanço interno da campanha e a preparação para o segundo turno. De acordo com os relatos, o presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, e integrantes do Ministério da Fazenda eram contrários à adoção da medida da forma como foi apresentada. O temor era de perda de arrecadação e, principalmente, de uma reação eleitoral que pudesse beneficiar Flávio Bolsonaro.
Proposta inicial era mais restrita
A discussão dentro do governo previa inicialmente uma intervenção mais limitada, concentrada nos cassinos online, incluindo jogos como o chamado Tigrinho. Sidônio, porém, teria defendido uma decisão mais ampla, abrangendo também as apostas esportivas. Lula acabou assinando, em 25 de setembro, a medida provisória que determinou o encerramento das atividades das plataformas.
A proibição foi anunciada a apenas nove dias do primeiro turno. Lula vinha defendendo publicamente havia semanas uma ação dura contra o setor, argumentando que as apostas provocavam endividamento, desestruturação familiar e problemas de saúde associados à ludopatia. Em agosto, o presidente já havia declarado que, pessoalmente, defendia o fim das bets.
Agora, entretanto, integrantes da própria campanha avaliam que o momento escolhido para implementar a medida pode ter produzido efeitos eleitorais adversos. Em reunião realizada em Brasília após o primeiro turno, membros da campanha consideraram que a proibição pode ter sido um erro estratégico, embora não existam pesquisas que permitam estabelecer uma relação causal entre a medida e o resultado das urnas.
Essa ressalva é relevante porque os levantamentos disponíveis indicavam amplo apoio social à proibição. Pesquisa Datafolha realizada entre 28 de setembro e 1º de outubro apontou que 78% dos entrevistados eram favoráveis ao fim das apostas online, contra 18% contrários.
Comunicação entra na mira
As críticas a Sidônio fazem parte de uma discussão mais ampla sobre os problemas da comunicação da campanha no primeiro turno. Dirigentes do PT defendem mudanças para a etapa decisiva da eleição.
Por enquanto, não está em discussão a substituição do publicitário Raul Rabello, responsável pela propaganda eleitoral de Lula e ex-sócio de Sidônio. Uma possibilidade considerada é incorporar à equipe Otávio Antunes, publicitário identificado com uma comunicação mais agressiva.
Antunes comandou a propaganda de Fernando Haddad na eleição para o governo de São Paulo vencida por Tarcísio de Freitas. Dentro do PT, porém, o resultado daquela disputa não foi atribuído ao trabalho do publicitário.
Ele também foi responsável pela campanha da chamada “taxação BBB” — bilionários, bancos e bets —, que defendia elevar a tributação sobre os setores de maior renda e, em contrapartida, aliviar impostos cobrados dos mais pobres.
Debate sobre as bets continua
O diagnóstico petista não significa uma mudança de posição de Lula sobre os problemas sociais provocados pelas apostas. Ao anunciar a proibição, o presidente comparou os efeitos da ludopatia aos de outras formas graves de dependência e afirmou que as bets haviam levado o cassino para dentro das casas brasileiras.
O debate interno é sobretudo sobre a forma e o momento da decisão. A avaliação de parte da direção partidária é que uma medida de tamanho impacto econômico e social, adotada nos últimos dias da campanha, abriu uma frente de conflito desnecessária com apostadores, influenciadores, empresas do setor e clubes de futebol.
A tese, no entanto, permanece uma interpretação política da direção petista, e não uma conclusão demonstrada por pesquisas eleitorais. Os próprios dados do Datafolha mostram que a proibição contava com apoio majoritário inclusive entre eleitores de Flávio Bolsonaro.
Sidônio Palmeira foi procurado pela imprensa para comentar as críticas atribuídas à cúpula do PT, mas não se manifestou.
Fonte: Brasil 247