Diferença entre votos para senadores do PL e Flávio não indica fraude
Por Luiz Fernando Menezes — Aos Fatos | Valorize o que é real
Não é um indício de fraude eleitoral a diferença entre votos recebidos no primeiro turno pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e os obtidos por todos os postulantes ao Senado pelo seu partido, o PL. Posts que fazem essa alegação nas redes desconsideram que os eleitores puderam votar em dois senadores neste ano. Além disso, dados de eleições passadas mostram que esses números nunca coincidem.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 7.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (5). O conteúdo também tem sido compartilhado no WhatsApp, onde não é possível estimar o alcance.
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A conta não fecha: somente os senadores do PL tiveram 58.123.987 de votos. Flávio Bolsonaro teve 56.076.888 de votos.

São enganosas as publicações que comparam os votos recebidos por candidatos a senador do PL com os recebidos por Flávio Bolsonaro para sugerir que houve fraude eleitoral no primeiro turno. Essa diferença pode ser explicada por uma série de motivos e não comprova nenhuma irregularidade.
O primeiro é que cada eleitor votou em dois candidatos ao Senado, e não em um. Levando em consideração que 158,7 milhões de brasileiros estavam aptos a votar, isso significa que, enquanto Flávio disputava esses 158,7 milhões de votos, os candidatos ao cargo de senador disputavam cerca de 317,4 milhões.
Os 19 senadores do PL eleitos receberam, juntos, 45,2 milhões de votos. Somando esse número com a votação dos outros 14 candidatos que não conseguiram se eleger (13 milhões), o PL recebeu cerca de 58,2 milhões de votos. Já Flávio recebeu 56,1 milhões de votos.
Outro ponto omitido é que nem todos os estados tinham dois candidatos do PL. No Paraná, por exemplo, o PL tinha apenas um — Filipe Barros — e apoiou Deltan Dallagnol, do Novo, para a segunda vaga.
Por fim, é incorreto afirmar que todas as pessoas que votaram em Flávio também escolheram necessariamente candidatos do PL ao Senado. Candidatos — sejam de esquerda, centro ou direita — não conseguem fazer com que seu eleitorado acompanhe todas as recomendações da sua chapa.
Para exemplificar, veja o resultado de 2022, quando só havia disputa por uma cadeira no Senado:
- Em São Paulo, Marcos Pontes (PL) foi eleito com 10,7 milhões de votos. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no entanto, recebeu no estado 12,2 milhões de votos no primeiro turno;
- Em contrapartida, Lula recebeu 10,4 milhões de votos em São Paulo, mas o seu candidato, Márcio França, (PSB), recebeu 7,8 milhões.
- No Rio, Jair Bolsonaro recebeu 4,8 milhões de votos, enquanto Romário (PL) conseguiu 2,3 milhões;
- Por outro lado, Lula conseguiu 3,8 milhões de votos dos cariocas naquela eleição e seu candidato, André Ceciliano (PT), apenas 986,6 mil.
O caminho da apuração
Aos Fatos contabilizou o número de votos de todos os senadores do PL e procurou, no TSE, dados que explicassem a diferença em relação ao eleitorado de Flávio Bolsonaro. A reportagem também procurou dados da eleição passada para evidenciar que esses números não costumam coincidir, seja na esquerda ou na direita.
Por fim, Aos Fatos procurou o TSE para comentar a peça de desinformação, mas não houve resposta até a publicação desta checagem.