Dia de marchas, greve e protestos de estudantes do ensino médio contra o plano de ajuste do governo francês

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Por Révolution Permanente — Esquerda Diário

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Trabalhadores e jovens foram às ruas contra o plano de cortes de 54 bilhões de euros que o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, tenta impor. Com mais de 300 escolas de ensino médio bloqueadas, apesar da repressão policial feroz, a juventude e os servidores públicos apontam o caminho para derrotar o governo.

O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu pretendia chegar à apresentação de seu Orçamento de 2027 sem sobressaltos. No entanto, o dia desta terça-feira, 29 de setembro, desferiu-lhe um duro golpe político nas ruas. Mais de 300.000 pessoas, segundo estimativa da CGT (Confederação Geral do Trabalho), e mais de 200.000, conforme os números sempre mais baixos divulgados pelo Ministério do Interior, mobilizaram-se em mais de 170 pontos de todo o país.

O dia foi marcado por uma convergência inédita entre trabalhadores do setor público, professores, profissionais de saúde, funcionários da France Travail e até bombeiros, e a juventude do ensino médio e universitário, que se manifestou com força própria.

🔴 PARIS | « Le gouvernement mène une politique de répression systématique pour fracasser des lycéens »

Alexis, étudiant à Paris 8 et AED au lycée Paul Eluard, dénonce les violences policières commises à Paul Eluard : crâne fracturé, dent cassée… Il faut s’organiser pour étendre le mouvement aux universités : lycéens et étudiants, face à la casse de nos conditions d’études, bloquons tout !

— Révolution Permanente (@RevPermanente) September 29, 2026

Um ajuste brutal para resgatar o capital financeiro

O estopim desta jornada de protestos é o plano de ajuste fiscal de 54 bilhões de euros anunciado pelo governo de Emmanuel Macron. Com o argumento de reduzir o déficit para abaixo de 5% do PIB, Macron e seu primeiro-ministro, Lecornu, pretendem congelar novamente os salários dos servidores públicos, mantendo-os estagnados desde 2023. Isso implica um congelamento salarial real para milhões de trabalhadores do setor público, em meio a uma inflação que corrói a renda da população.

🔴 PARIS | « Macron nous fait la guerre et sa police aussi, mais on reste déter pour bloquer le pays »

En tête de cortège, lycéens, étudiants et comités contre BEF manifestent pour dénoncer les conditions d’études, les violences policières et le tri raciste dans les facs. https://t.co/nMwOhtG6B7

— Révolution Permanente (@RevPermanente) September 29, 2026

A isso se soma um ataque direto às condições de vida da juventude: o congelamento dos auxílios-moradia (APL), o aumento dos preços dos restaurantes universitários e o reajuste das taxas de matrícula. Tudo isso para pagar uma dívida pública recorde que chega a 119% do PIB (3,59 trilhões de euros) — um endividamento gerado pelos resgates bilionários aos grandes empresários e pelo aumento desenfreado do orçamento militar.

Estudantes do ensino médio na linha de frente, apesar da repressão

Se houve algo que marcou a jornada deste 29 de setembro, foi a mobilização dos estudantes do ensino médio. Estendendo-se a cerca de 300 escolas em todo o território nacional, os comitês de bloqueio organizaram assembleias e barricadas desde cedo.

🔴 TOULOUSE | 10 000 personnes en manifestation !

Après une matinée de mobilisations lycéennes, les travailleurs et les jeunes ont défilé dans les rues toulousaines contre l’inflation et l’austérité. https://t.co/H6OZBOTgeU

— Révolution Permanente (@RevPermanente) September 29, 2026

A resposta repressiva não tardou: patrulhas e o envio de policiais de choque revelaram a face repressiva de um governo que busca silenciar o protesto. As mais de 440 detenções ordenadas pelo Ministério do Interior confirmam que o governo só tem o porrete a oferecer diante da justa reivindicação salarial e educacional.

🔴 PARIS | Les pompiers ACCLAMÉS par les lycéens et les étudiants en tête de cortège !

Belle démonstration de solidarité entre les étudiants, les lycéens et les travailleurs au départ de la manifestation parisienne de la fonction publique. https://t.co/VPAdmfFHbb

— Révolution Permanente (@RevPermanente) September 29, 2026

Apesar das tentativas de intimidação, estudantes do ensino médio aderiram em massa às colunas de trabalhadores em cidades como Paris, Marselha, Lille e Toulouse. A presença de bombeiros uniformizados, lançando fumaça e enfrentando os cordões policiais ao lado de professores e estudantes, conferiu às marchas uma combatividade renovada.

Impor um plano de luta unificado para derrotar o ajuste

As direções sindicais reunidas na aliança dos oito sindicatos (CGT, FO, CFDT, UNSA, FSU, Solidaires, CFE-CGC e FA-FP) viram-se obrigadas a convocar esta jornada devido ao descontentamento que transborda das bases. No entanto, dirigentes como Sophie Binet, da CGT, continuam apostando na pressão parlamentar, lançando um “ultimato de 48 horas” antes que o orçamento entre formalmente na Assembleia Nacional.

Acreditar que negociações institucionais ou emendas parlamentares deterão o governo é um caminho sem saída. Lecornu e Macron não recuarão diante de apelos de boa vontade.

A jornada de hoje demonstrou que a força social existe e sobra potencial para dobrar o braço do Executivo. É indispensável convocar assembleias gerais em todos os locais de trabalho e estudo para construir uma greve geral. A aliança entre a classe trabalhadora e a juventude nas ruas é o único caminho para derrubar o plano de austeridade, defender a educação pública e conquistar um aumento geral de salários e da renda popular.

Tradução em espanhol postada em La Izquierda Diário, tradução para português por Abayomi Abebe.

Fonte: Esquerda Diário

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