Demissão de Daniela Lima da TV Globo foi a mando de uma agenda política e econômica que hoje financia a extrema direita do país
Por Artur Figueiredo — Brasil 247
Há poucas semanas da eleição, ecoa nos bastidores da Globo o constrangimento da demissão da jornalista Daniela Lima. A apresentadora do canal GloboNews foi retirada da emissora após diversas críticas reiteradas sobre a família Bolsonaro e o movimento do bolsonarismo no Brasil, há alguns meses. Desde então, o canal vem construindo uma postura parcial, de mau jornalismo, antiético, superficial e raso, em especial nas coberturas da política nacional e do famigerado caso do Banco Master.
A análise parte do pressuposto de que a emissora adotou uma linha editorial claramente voltada a atender uma agenda política e econômica com viés de direita e extrema direita, focando em aspectos irrelevantes para construir uma narrativa que deslegitima o envolvimento do ministro do Supremo André Mendonça e suas ligações diretas com Daniel Vorcaro (principal agente, banqueiro preso pelo escândalo envolvendo o Banco Master).
Desde então, a emissora tem cometido erros graves: em um episódio, fez uma apresentação via PowerPoint centralizando o presidente Lula (PT) no caso do ex-banqueiro, embora em momento algum tenha se mostrado, por meio de investigações, qualquer envolvimento do chefe do Executivo.
A ação se configura como uma estratégia para tirar o foco dos personagens da direita brasileira, principal alvo da Polícia Federal, diretamente envolvidos no caso citado.
Fato novo!
A estratégia da emissora é ligar Moraes a Vorcaro e a Lula — uma tentativa de criar um fato novo: relacionar os juízes do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e Alexandre de Moraes. Trata-se de relacionar indiretamente o presidente Lula a Alexandre de Moraes em um conchavo sem qualquer nexo.
Mendonça e Moraes são citados em investigação da PF, em conversas com Vorcaro.
Daniela Lima, demissão: a decisão parcial foi uma ação para construir um novo cenário diante da decadência do bolsonarismo
Com o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) preso e os escândalos contínuos da família Bolsonaro, a Globo, claramente, buscou, quase em desespero, um “kamikaze” jornalístico: criar um novo lava-jatismo.
Com as falas de Malu Gaspar e Joel Pinheiro, o jornalismo de referência da emissora se transformou em bizarrice, com análises de péssima qualidade, sem profundidade ética e jornalística. Nessa toada, em que preferiram atender aos devaneios de chefes em prol de agentes econômicos e acionistas, foi-se a credibilidade.
Daniela Lima, de “patinho feio” tratada pelo Grupo Globo, ganha cada vez mais holofotes no UOL, não apenas denunciando crimes de caráter político, mas também colocando em xeque a ideia de que o jornalismo se define pela ética e pela responsabilidade social e profissional.
A tentativa de eleger Flávio Bolsonaro se mostra cada vez mais frágil diante da descoberta de diversas denúncias. A tentativa de manipulação de André Mendonça, ao proteger a dinastia bolsonarista, evidencia como a democracia no Brasil não passa de fantoche, cantarolada e manipulada pelo mercado.
O futuro?
Quem decidirá o rumo do Brasil é Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro tem a famosa “capivara” de agentes políticos envolvidos. O protagonismo da Polícia Federal, acima dos interesses de ministros “ditadores paladinos”, é a retórica da política nacional: confrontar a ética, travar a guerra cultural e escancarar a verdade “nua e crua”. Esse é o caminho do progresso!
Fonte: Brasil 247