Delcy Rodríguez irá discutir energia, dívida e mineração com os EUA em Nova York
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou nesta segunda-feira (21) a Nova York à frente de uma delegação que pretende avançar em negociações com representantes dos Estados Unidos sobre petróleo, mineração, dívida e investimentos no país sul-americano.
Segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, as conversas devem abrir caminho para novos acordos econômicos durante a passagem de Rodríguez pelos Estados Unidos. A viagem ocorre em meio à Assembleia Geral das Nações Unidas e antecede um encontro previsto para terça-feira (22) entre a dirigente venezuelana e o presidente estadunidense, Donald Trump.
A reunião entre os dois será realizada à margem de uma recepção organizada pelo presidente dos Estados Unidos, segundo informou recentemente o embaixador estadunidense na ONU, Mike Waltz. A Associated Press também confirmou que o encontro será o primeiro presencial entre Trump e Rodríguez desde que ela assumiu interinamente o comando da Venezuela.
Rodríguez desembarcou na região de Nova York nesta segunda e foi recebida pelo principal diplomata dos Estados Unidos para a Venezuela, John Barrett, de acordo com a televisão estatal venezuelana. A EFE também registrou a chegada da presidente interina para representar Caracas na 81ª Assembleia Geral da ONU.
Negociações avançam antes da reunião com Trump
Ministros e outros integrantes do alto escalão venezuelano vêm negociando com empresas e autoridades estadunidenses há meses. De acordo com as fontes citadas pela Reuters, o governo Trump pretende estimular a recuperação de setores considerados estratégicos da economia venezuelana, especialmente petróleo e mineração.
Neste mês, a ministra do Petróleo, Paula Henao, o ministro da Mineração, Hector Silva, e dirigentes da estatal PDVSA participaram de uma conferência de energia do G20 em Houston.
Durante o evento, foi assinado um memorando de entendimento com a produtora estadunidense Continental Resources para atuação na Faixa do Orinoco, principal região petrolífera da Venezuela. O Financial Times também informou neste mês sobre o movimento da empresa para investir no setor venezuelano.
Outro contrato concedeu à empresa de investimentos Heeney Capital direitos de operação e exportação relacionados a uma mina de ouro venezuelana.
Paralelamente, segundo as fontes da Reuters, um acordo preliminar está em negociação há meses com a ExxonMobil. Caso seja concluído, o entendimento poderá permitir o retorno da petroleira estadunidense aos campos de petróleo da Venezuela.
Energia e mineração ganham espaço na reaproximação
As negociações econômicas acompanham uma mudança significativa na relação entre Caracas e Washington. Rodríguez, que foi vice-presidente durante o governo de Nicolás Maduro, assumiu a Presidência interina em janeiro, depois da captura de Maduro por forças dos Estados Unidos.
Sua viagem atual é a primeira aos Estados Unidos desde que assumiu o cargo. A agenda em Nova York inclui também uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
A expectativa é que petróleo, mineração e financiamento ocupem posição central nas conversas realizadas nesta semana. Parte das tratativas busca definir condições para novos investimentos privados e recuperar setores que enfrentam dificuldades de produção e infraestrutura.
BID prepara plano de dois anos para a Venezuela
Ao mesmo tempo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está elaborando um plano de atuação de dois anos para a Venezuela, concentrado especialmente no setor elétrico e na proteção social.
O presidente do BID, Ilan Goldfajn, afirmou à Reuters que a instituição retomou contatos e missões técnicas no país para avaliar o quadro macroeconômico, os dados disponíveis e as necessidades de investimento.
“Estamos, é claro, retomando nosso envolvimento”, afirmou Goldfajn.
O BID deixou de conceder novos empréstimos à Venezuela em maio de 2018, depois que o país acumulou atrasos em seus pagamentos. O banco ainda registra cerca de US$ 2 bilhões em empréstimos venezuelanos pendentes. Goldfajn não informou como essas dívidas serão solucionadas nem quando novos financiamentos poderão ser liberados.
“Estamos ainda na fase de planejamento e trabalho com os venezuelanos, mantendo contato e realizando missões para ver como podemos trabalhar com eles”, afirmou.
A combinação de negociações com empresas estadunidenses, conversas sobre a dívida e a retomada do diálogo com organismos multilaterais indica que a agenda econômica deverá ocupar parte central da visita de Rodríguez aos Estados Unidos.
Fonte: Brasil 247