Delcy Rodríguez anuncia na FAO plano para erradicar a fome na Venezuela
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
teleSUR – A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na segunda-feira (12) a implementação do Plano Venezuela Alimenta, uma iniciativa destinada a integrar os diferentes processos produtivos do país com o objetivo de avançar na erradicação da fome.
“Quero, desta tribuna, anunciar o Plano Venezuela Alimenta para articular todos os processos de produção de alimentos na busca deste objetivo supremo: fome zero”, declarou a mandatária sul-americana durante sua participação na sessão plenária do Fórum Mundial da Alimentação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizado em Roma, na Itália.
Rodríguez destacou que a Venezuela possui experiência comprovada na implementação de políticas destinadas ao combate à fome. Afirmou ainda que o país está próximo de alcançar novamente essa meta, após um período marcado pela instabilidade política e pela imposição de sanções unilaterais.
“A Venezuela possui uma experiência comprovada na erradicação da fome, como foi reconhecido pela FAO. Estamos muito perto de conseguir isso novamente, com programas sociais de alimentação mais robustos e um grande esforço nacional”, afirmou.
Na continuidade de seu discurso de alto nível, durante a jornada inaugural do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, a presidente encarregada da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, reafirmou que o país superou o desabastecimento provocado, segundo ela, pelas agressões financeiras externas, avançando na consolidação da plena soberania agroalimentar.
Durante sua apresentação à plenária da FAO, a mandatária anunciou que encaminhará formalmente à Assembleia Nacional uma nova Lei para a Economia Local. A proposta pretende integrar os setores comunais, comunitários e de empreendedorismo às capacidades da grande indústria agroalimentar venezuelana.
Rodríguez apresentou dados sobre a evolução do parque industrial do país e informou que a utilização da capacidade instalada na agroindústria passou de 66% em 2021 para 78% em 2025.
Segundo a presidente, esse crescimento é impulsionado por novas alianças produtivas e por uma política contínua de substituição de importações. A estratégia é complementada por uma rede estatal de proteção social que garante atendimento nutricional diário a mais de 2,5 milhões de crianças e adolescentes por meio do Programa de Alimentação Escolar (PAE), além de assistência alimentar direta a mais de 5 milhões de famílias venezuelanas.
Transformação da renda energética em soberania agrícola e sustentável
A chefe de Estado ressaltou que a estratégia do governo bolivariano busca transformar a riqueza energética e os recursos de hidrocarbonetos do país em instrumentos permanentes de desenvolvimento agrícola.
Rodríguez destacou a necessidade urgente de avançar para um modelo de agricultura regenerativa, capaz de preservar os solos e as bacias hidrográficas. Segundo ela, a soberania alimentar exige um desenvolvimento sustentável que vá além da resposta a situações emergenciais e promova uma transformação estrutural da produção.
Nesse contexto, a presidente reafirmou o compromisso de erradicar a insegurança alimentar em todo o território venezuelano, estabelecendo como meta do Estado alcançar novamente indicadores compatíveis com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de Fome Zero antes de 2030.
A mandatária também destacou o reconhecimento concedido pela FAO, no âmbito do Ano Internacional da Mulher Agricultora, a María Cantalicia de Torres, camponesa dos Andes venezuelanos e guardiã de sementes nativas de batata, homenageada como “Heroína da Alimentação”.
A distinção representa o papel fundamental desempenhado pelas mulheres rurais na preservação da biodiversidade e na defesa da soberania alimentar.
Multilateralismo inclusivo e o renascimento definitivo da pátria
Ao abordar o papel da organização multilateral, Rodríguez defendeu o fortalecimento da FAO para que a instituição possa acompanhar seus Estados-membros na superação das desigualdades de acesso à tecnologia digital e ao capital, apontadas como alguns dos principais desafios estruturais enfrentados pelos países em desenvolvimento.
A presidente reivindicou um multilateralismo verdadeiramente inclusivo, baseado no respeito à autodeterminação dos povos, que substitua mecanismos de tutela internacional por espaços de cooperação conjunta fundamentados na ciência, na tecnologia e no reconhecimento das prioridades nacionais.
Ao concluir sua intervenção, a mandatária reafirmou a determinação do povo venezuelano de superar as adversidades provocadas, segundo ela, pelo cerco imperialista, por meio do trabalho, do diálogo, da paz e da transformação democrática.
Em sua mensagem ao fórum internacional, Rodríguez afirmou que a tragédia provocada pela agressão econômica se transformou em um marco histórico, demonstrando que a dignidade dos povos não se curva diante das dificuldades. A presidente declarou, em tom de esperança, que a Venezuela renasce a partir de suas bases produtivas para construir prosperidade, justiça social e soberania integral.
O Fórum Mundial da Alimentação reúne representantes de mais de 130 países, incluindo delegações de alto nível, e seguirá até 16 de outubro.
Durante as atividades, países em desenvolvimento deverão unir suas vozes para exigir a eliminação das medidas coercitivas unilaterais e promover uma cooperação internacional fundamentada na solidariedade, na justiça social e no respeito à soberania dos povos.
Fonte: Brasil 247