Datafolha: crise no STF tem pouco impacto no voto dos eleitores

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Por João Antonio CunhaBrasil 247

247 – A crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) teve impacto limitado sobre a intenção de voto para a Presidência da República, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12). As suspeitas relacionadas ao ministro André Mendonça fizeram 7% dos entrevistados declararem dúvida sobre sua escolha eleitoral, enquanto as acusações envolvendo Alexandre de Moraes alteraram a preferência de 4%.

O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores em 125 cidades entre terça-feira (8) e quinta-feira (10). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.

No caso de Mendonça, 86% dos entrevistados afirmaram que as suspeitas envolvendo o ministro não alteraram sua intenção de voto. Outros 7% disseram ter ficado em dúvida sobre em quem votar por causa do episódio.

Entre os eleitores que declararam preferência por Flávio Bolsonaro, 5% afirmaram ter ficado em dúvida em razão do caso. Entre os apoiadores de Lula, o índice foi de 7%.

Conhecimento sobre o caso Mendonça

A pesquisa também mediu o grau de conhecimento dos eleitores sobre as suspeitas relacionadas a Mendonça. Ao todo, 45% disseram conhecer o teor do caso, sendo que 22% desse grupo se consideraram bem informados.

A diferença entre os grupos políticos foi significativa. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 60% disseram conhecer o episódio. Entre os que declararam voto em Lula no primeiro turno, o percentual foi de 37%.

Mendonça, ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, foi indicado ao STF pelo ex-mandatário. A crise entre ele e Moraes ganhou dimensão política em meio às acusações e disputas relacionadas ao caso do Banco Master.

Caso Moraes também teve impacto limitado

As acusações envolvendo Alexandre de Moraes tiveram efeito ainda menor sobre a intenção de voto. Segundo o Datafolha, 85% dos entrevistados disseram que o episódio não modificou sua preferência eleitoral.

No conjunto dos entrevistados, 7% afirmaram ter ficado em dúvida sobre em quem votar, e 4% disseram ter mudado de ideia. Entre os grupos de apoio aos dois principais candidatos mencionados na pesquisa, 8% dos eleitores de Lula ficaram em dúvida, e 5% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro tiveram a mesma reação. A parcela que efetivamente mudou de preferência foi de 2% em cada grupo.

O grau de conhecimento sobre o caso de Moraes é maior do que o registrado em relação a Mendonça. Ao todo, 66% disseram saber do episódio, enquanto 26% deles afirmaram estar bem informados.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 75% disseram conhecer o caso. Entre os eleitores de Lula, o percentual foi de 61%.

Crise chegou à disputa presidencial

A crise entre os ministros passou a integrar a disputa pela Presidência, com Flávio Bolsonaro associando Moraes ao presidente Lula. Apesar da repercussão política dos episódios, os dois candidatos oscilaram positivamente na pesquisa. Lula passou de 38% para 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 33% para 35%.

A crise institucional teve início mais agudo na terça-feira (1º), quando Mendonça tornou público um relatório sigiloso. O documento apresentava detalhes sobre as relações de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.

Entre as informações mencionadas está um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo ex-banqueiro com o escritório da mulher de Moraes. Também foram divulgadas mensagens nas quais Vorcaro questionava Moraes sobre a conveniência de deixar o país para evitar uma eventual prisão.

Moraes questionou a legalidade de atos adotados por Mendonça e levantou a possibilidade de direcionamento político contra adversários do bolsonarismo.

Disputa envolve sigilos do caso Master

A resposta de Mendonça ocorreu por meio de uma ordem que determinou o afastamento do diretor-geral e do chefe de inteligência da Polícia Federal. O presidente do STF, Edson Fachin, tentou conter a escalada ao suspender as medidas e marcar, para terça-feira (15), uma sessão destinada a discutir a conduta de Moraes.

Na quinta-feira (10), o ministro Flávio Dino autorizou uma operação policial para investigar se recursos de emendas parlamentares de Mário Frias (PL-RJ) foram utilizados no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

O caso também envolve Flávio Bolsonaro. O senador havia pedido dinheiro a Vorcaro para financiar a produção. Ele nega irregularidades. O ex-banqueiro teria enviado quase R$ 70 milhões supostamente destinados à obra.

Por determinação de Fachin, Mendonça havia retirado o sigilo de parte do caso Banco Master. A medida provocou críticas de setores da esquerda, que questionaram a forma seletiva como os dados foram liberados.

Na sexta-feira (11), após pedido de Moraes e de outros ministros, Fachin determinou a liberação de todos os dados do caso. A decisão ampliou o conjunto de informações que podem vir a público e pode atingir Flávio Bolsonaro e outras autoridades.

Fonte: Brasil 247

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