Andar 30 minutos ou caminhar por mais tempo em ritmo leve: personal trainers explicam a diferença
Por Tamiles Santos Brito — Catraca Livre
Nem toda caminhada produz exatamente o mesmo estímulo no corpo. Andar por 30 minutos em um ritmo mais acelerado pode exigir mais do sistema cardiovascular do que caminhar durante um período maior em velocidade confortável, enquanto uma caminhada leve e prolongada também pode contribuir para aumentar o tempo total de atividade física. A diferença está principalmente na intensidade, na duração, no condicionamento de cada pessoa e no objetivo da atividade, e não em uma regra que determine que um formato seja sempre melhor que o outro.
O que muda quando a caminhada fica mais rápida?
Quando o ritmo aumenta, o corpo precisa trabalhar mais para sustentar o movimento. A respiração e os batimentos cardíacos tendem a subir, e a caminhada pode atingir uma intensidade considerada moderada. O CDC usa como referência a chamada “conversa”: durante uma atividade moderada, a pessoa consegue conversar, mas não cantar confortavelmente.
Por isso, uma caminhada de 30 minutos em ritmo acelerado pode representar um estímulo cardiovascular diferente de uma caminhada muito tranquila pelo mesmo período. A velocidade exata, porém, não deve ser interpretada de maneira igual para todo mundo, porque a intensidade relativa depende do condicionamento físico e das características individuais.
Caminhar por mais tempo em ritmo leve também vale a pena?
Sim, principalmente porque aumentar o tempo em movimento pode contribuir para elevar o volume total de atividade física da semana. O CDC ressalta que alguma atividade física é melhor do que nenhuma e que os minutos podem ser distribuídos ao longo da semana, em vez de concentrados em uma única sessão.
Entretanto, se o ritmo for realmente muito leve, a atividade pode não atingir a intensidade moderada necessária para contar da mesma maneira dentro das recomendações aeróbicas. Isso não torna a caminhada inútil: significa apenas que duração e intensidade são variáveis diferentes e precisam ser consideradas juntas.
É melhor andar 30 minutos ou caminhar durante mais tempo?
Não existe uma resposta única. Para uma pessoa que já está condicionada, aumentar o ritmo durante 30 minutos pode ser uma maneira prática de alcançar intensidade moderada. Para alguém que está começando ou não consegue sustentar uma velocidade maior, caminhar por mais tempo em um ritmo confortável pode ser uma forma de permanecer ativa e desenvolver gradualmente a tolerância ao exercício.
As recomendações atuais para adultos indicam pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, como caminhada rápida, além de atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Esses 150 minutos podem ser distribuídos de diferentes maneiras ao longo dos dias.
O que realmente importa para quem quer melhorar a caminhada?
Mais importante do que procurar uma duração “mágica” é observar como a atividade se encaixa na rotina e aumentar o estímulo gradualmente. Uma pessoa que atualmente caminha pouco pode começar com períodos confortáveis e, conforme ganha condicionamento, aumentar o tempo, a frequência ou o ritmo. O próprio CDC recomenda escolher atividades compatíveis com as capacidades individuais para facilitar a continuidade.
Também não é necessário transformar toda caminhada em um treino intenso. Alternar períodos confortáveis com trechos um pouco mais rápidos pode ser uma maneira de variar o esforço, desde que isso seja adequado ao condicionamento da pessoa. No fim, uma caminhada que consegue ser mantida regularmente tende a ser mais útil para a rotina do que um treino excessivamente difícil que acaba sendo abandonado.
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Fonte: Catraca Livre