Das previsões à decisão do STF
Por Adilson Roberto Gonçalves — Brasil 247
O STF cancelou sessões da semana anterior para se dedicar exclusivamente à análise do relatório da Polícia Federal que revelou mensagens trocadas entre o criminoso Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, levantamento feito, ao que tudo indica, de forma seletiva por André Mendonça, e assim encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Ao longo dos dias, fazer uma análise do que poderia ou deveria acontecer na apreciação da matéria e eventual julgamento virou raso exercício especulativo, tão incerto que seria o desfecho. E assim foi. De imediato, o ministro Kassio Nunes Marques, de forma surpreendente, se declarou impedido e se retirou do plenário. Na sequência, passamos a ver um duro embate, ou melhor, um verdadeiro bate-boca envolvendo Moraes, Mendonça, além dos ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux, com algumas rusgas entre o presidente e Flávio Dino quanto à condução e interpretação das normas internas do STF.
A questão de fundo é que a parcialidade de André Mendonça, que é um agente explícito do bolsonarismo, contrasta com os atos ao menos suspeitos de Alexandre de Moraes. Um erro não justifica o outro e um crime também não pode acobertar seu análogo. Um dos principais candidatos comprovadamente corrupto é Flávio Bolsonaro que, estranhamente, está fora dos autos nesse momento.
Neste primeiro round do embate supremo, o fiel da balança foi a ministra Cármen Lúcia que se manteve em silêncio durante toda a sessão até o momento de seu voto. Na verdade, ela apenas antecipou que seguiria o presidente para manter os processos separados, de Mendonça e Moraes, uma vez que Flávio Dino pediu vistas e, com isso, suspendeu o julgamento.
Até aqui fica evidente a fraqueza de Edson Fachin como presidente e a força relativa de Alexandre de Moraes na argumentação de sua defesa e na descaracterização do processo ou levantamento feito contra ele. Sai perdendo André Mendonça, após o dedo em riste de Gilmar Mendes que o expôs como mero instrumento do bolsonarismo. Veremos a continuação desse imbróglio na próxima semana, ou quando decidirem voltar à análise dos relatórios, o que pode ficar para depois das eleições. Eleições que podem ser profundamente afetadas pelo que aconteceu no STF.
Em uma análise singela – ou inocente –, André Mendonça foi o perdedor, pois, com os processos mantidos separados, não há razão para deixar de analisar as acusações contra ele na sessão previamente agendada para 23 de setembro.
Fonte: Brasil 247