Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – A investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, obra dedicada a Jair Bolsonaro (PL), identificou que uma associação comandada pela mesma empresária à frente da produtora do longa recebeu cerca de R$ 6,2 milhões em uma suposta triangulação de recursos públicos. A Polícia Federal ainda não esclareceu o destino dado a esse dinheiro.

As informações foram publicadas pela Folha de São Paulo, com base na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação realizada na quinta-feira (10) contra o esquema de financiamento da produção. A entidade citada é a Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira Gama, dona da produtora Go Up Entertainment.

Segundo a investigação, a ANC recebeu R$ 6.175.273,64 entre julho de 2024 e dezembro de 2025 de quatro empresas que, no mesmo período, haviam recebido recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), também ligado a Karina. O dado aparece em Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf.

O ponto considerado central pelos investigadores é que o relatório financeiro da própria ANC registra movimentação muito menor: R$ 1,1 milhão entre maio de 2025 e maio de 2026, com R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos. Para a PF, a diferença levanta a hipótese de que a associação tenha outras contas bancárias não comunicadas ao Coaf.

“Chama a atenção o fato de ser essa a única comunicação de titularidade da ANC, pois ela aparece por diversas vezes como destinatária de recursos em comunicações de terceiros, recebendo valores bastante superiores aos mencionados nesta comunicação, o que leva a crer que ela possui outra conta bancária, que não foi comunicada”, diz a investigação.

Na decisão, Dino também destacou a inconsistência entre os valores identificados nas comunicações de terceiros e os dados formais atribuídos à associação. Segundo o ministro, “constata-se registros do envio de um total de R$ 6.175.273,64 para a ANC, o que, novamente, torna curioso o não recebimento de comunicações simétricas referentes às contas da mencionada organização da sociedade civil, notadamente considerando que ela não tem fins lucrativos”.

A apuração sobre “Dark Horse” ganhou força depois que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, admitiu ter pedido recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre seu pai. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos pelo ex-banqueiro, R$ 60 milhões teriam sido efetivamente repassados.

A PF apura se, além do dinheiro privado ligado a Vorcaro, houve desvio de verbas públicas para a produção. De acordo com a investigação, o esquema teria envolvido tanto recursos federais, por meio de emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP), quanto verbas municipais da Prefeitura de São Paulo.

O ICB, que também pertence a Karina Gama, foi beneficiário de R$ 1 milhão em emendas de Mario Frias e de R$ 108 milhões em um contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi. A suspeita da PF é que parte dos valores repassados ao instituto tenha circulado por uma rede de empresas e entidades ligadas à empresária, incluindo a ANC e a Go Up Entertainment.

Segundo a Folha, a Polícia Civil de São Paulo também investiga o caso e apura se o ICB utilizou faturas e notas fiscais descritas como frias para justificar despesas pagas com recursos da prefeitura.

A ANC já havia sido citada em repasses de emendas parlamentares. Uma série da entidade sobre heróis nacionais recebeu R$ 2,6 milhões em emendas destinadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF), além de Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia mandato pelo PL do Rio de Janeiro.

Conforme revelado pelo UOL, os recursos foram enviados em 2024 por meio de emenda Pix ao governo de São Paulo e tinham a ANC como destino final. A PF afirma, porém, que as emendas de Bia Kicis e Marcos Pollon não chegaram a ser transferidas pelo governo paulista à associação “em razão de óbices normativos e técnicos na celebração do respectivo termo de parceria”.

Em 2025, o deputado estadual paulista Gil Diniz (PL) também destinou R$ 200 mil para a série documental “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. O pagamento foi realizado em agosto daquele ano.

Outra frente da investigação apura se parte dos valores pagos por Daniel Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para bancar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que atua no exterior em busca de apoio do governo de Donald Trump contra a eleição de Lula (PT).

A defesa de Karina Gama afirmou, no dia da operação, que a empresária está “contribuindo espontânea e voluntariamente” com as investigações. Segundo os advogados, ela atendeu a um pedido da PF e “entregou mais de 20 mil laudas de documentos, o que prova sua boa-fé e lealdade processual”.

Neste domingo (13), a defesa disse considerar positiva a decisão de Dino de retirar o sigilo da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo sobre o filme. Em nota, afirmou que “desde o primeiro momento, a sra. Karina Gama tem sustentado, de maneira firme e inequívoca, que não praticou qualquer ilícito”.

“A defesa confia que a plena exposição dos fatos demonstrará que a sra. Karina Gama não pode ser transformada em culpada pela intensa efervescência da vida nacional, em um momento de extraordinária agitação e movimentação política”, acrescentou.

Fonte: Brasil 247

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