Cúpula da PF rejeita acusações de Fux e Mendonça e nega a existência de estrutura “paralela”

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Por Luis Mauro FilhoBrasil 247

247 – A cúpula da Polícia Federal (PF) contesta internamente as acusações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux e André Mendonça sobre a existência de uma suposta estrutura paralela de monitoramento de integrantes da Corte, segundo apuração exclusiva publicada pelo Metrópoles. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, mantém a posição de que atuou dentro de suas atribuições e cumpriu as determinações judiciais recebidas pela PF.

A avaliação de integrantes da direção da PF é de que não foram apresentados elementos concretos capazes de comprovar a existência de uma estrutura paralela na corporação ou uma atuação deliberadamente direcionada contra ministros do Supremo.

Segundo a apuração, Rodrigues está sereno diante das acusações. Na cúpula da PF, também há discordância da interpretação de que a corporação teria confrontado o STF ao contestar judicialmente determinadas decisões.

Fontes ouvidas pelo Metrópoles sustentam que a utilização dos instrumentos jurídicos disponíveis, inclusive por intermédio da Advocacia-Geral da União (AGU), constitui uma forma regular de questionar decisões judiciais e não demonstra, por si só, insubordinação ao Supremo.

A direção da PF também rebate as acusações relacionadas aos relatórios de inteligência mencionados por Fux. A posição interna é de que não houve vazamento de documentos. Segundo a apuração, relatórios que já existiam foram remetidos em cumprimento a uma determinação judicial do ministro Alexandre de Moraes.

As manifestações dos integrantes da corporação se contrapõem às declarações feitas por Fux e Mendonça durante a discussão no Supremo. Fux afirmou que nunca havia imaginado a Polícia Federal confrontando um integrante da Corte e disse que a instituição não poderia ser utilizada para “degradar a Corte”.

Mendonça também criticou a atuação da corporação e falou na existência de uma “PF paralela, com monitoramento de ministros”. O ministro chegou a advertir Gilmar Mendes de que o próprio colega não estaria a salvo de uma atuação dessa natureza.

Gilmar contestou as acusações e concentrou suas críticas na decisão que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. O ministro também questionou a forma como o processo foi conduzido e defendeu maior cautela diante do impacto institucional de uma medida contra o chefe da corporação.

“Qualquer cidadão que tenha um mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado, submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da polícia”, afirmou Gilmar durante a discussão.

O ministro comparou uma decisão dessa dimensão ao afastamento do comandante do Exército e argumentou que uma intervenção na chefia de uma instituição como a PF exigiria cautela. Na avaliação de integrantes da Polícia Federal ouvidos pelo Metrópoles, a manifestação de Gilmar funcionou como contraponto às acusações apresentadas por Fux e Mendonça.

A direção da corporação considera ainda, segundo a apuração, que o cumprimento de decisões judiciais e o uso dos meios legais para contestá-las não podem ser tratados como evidência de insubordinação da Polícia Federal em relação ao Supremo.

Apesar da reação registrada nos bastidores, a PF não pretende divulgar uma manifestação institucional sobre as declarações dos ministros. Procurada oficialmente pelo Metrópoles, a corporação informou que não será publicada nota sobre o episódio.

Fonte: Brasil 247

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