Cultura que gira a economia: Instituto da Providência forma 251 mulheres para fortalecer negócios e geração de renda nas periferias do Rio

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Por Leonardo SobreiraBrasil 247

247 – Quando cultura, trabalho e empreendedorismo se encontram, a potência criativa das mulheres também movimenta a cadeia produtiva cultural e a economia dos territórios. É a partir dessa conexão que o Instituto da Providência formou 251 mulheres em situação de vulnerabilidade pelo projeto Negócio de Mulher – Cultura que Gira a Economia, iniciativa que articula qualificação profissional, desenvolvimento socioemocional e formação para geração de renda na periferia do Rio.

Com duração de nove meses, o projeto de empreendedorismo feminino promoveu formações na área da economia criativa, com foco em gastronomia, moda e beleza. O grande diferencial do percurso pedagógico é a sua base metodológica: a Tecnologia Social do Instituto da Providência. Aplicada há mais de 20 anos em diversos territórios e certificada pela Fundação Banco do Brasil em 2018, essa metodologia própria integra desenvolvimento socioemocional, capacitação profissional e foco direto na geração de renda.

Aprovada pela Lei de Incentivo do ISS da Secretaria Municipal de Cultura, a iniciativa estruturou, em 2026, uma trilha completa de capacitação. Foram formadas 8 turmas de desenvolvimento socioemocional (240 horas), 13 turmas de beleza, moda e gastronomia (950 horas) e 11 turmas de formação empreendedora (330 horas). Além disso, o projeto ofereceu 540 horas de mentoria de negócios em parceria com o Sebrae.

“A continuidade do Negócio de Mulher mostra como a cultura pode estar diretamente ligada ao trabalho e à geração de renda das mulheres nos territórios. Ao apoiar negócios criativos estamos também fortalecendo pessoas que produzem e movimentam a cultura no seu entorno. A Lei de Incentivo à Cultura é fundamental para viabilizar esse trabalho de forma contínua, porque permite que a formação não seja uma ação pontual e que mais mulheres possam desenvolver seus negócios a partir das atividades que já fazem parte da vida e da cultura de suas comunidades”, afirma Maria Garibaldi, diretora executiva do Instituto da Providência.

A conclusão da formação foi celebrada no dia 17 de setembro, em uma formatura realizada no Teatro Bangu Shopping, no Rio de Janeiro. A cerimônia reuniu as 251 formandas e contou com o show da cantora Ana Neri e sua banda, além de uma apresentação de palhaçaria da Casa de Artes Irmãs Martins — coletivo e produtora cultural independente certificado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.

“Não estamos aqui só para receber um certificado. Estamos aqui para celebrar histórias de mulheres que apesar de tantas dificuldades escolheram continuar. Mulheres diferentes, com histórias diferentes, mas carregando os mesmos desafios. Mães que precisam cuidar dos filhos, da casa, trabalhar, pagar as contas e muitas das vezes enfrentar tudo isso sem ter com quem dividir. O Instituto da Providência nos ensinou muito mais que técnica, aprendemos que nossas mãos podem criar, transformar e gerar renda, nos fez recuperar nossa confiança.”, afirmou a formanda Debora de Castro Paes Silva, representante da área da Beleza.

A celebração contou ainda com a entrega do capital-semente HIVE, iniciativa idealizada por estudantes da Escola Americana do Rio de Janeiro, à cinco empreendedoras no valor de R$ 2 mil para cada uma. Motivados em contribuir com a diminuição da desigualdade social, os jovens buscaram o Instituto, entenderam como funciona o trabalho desenvolvido e se mobilizaram para serem apoiadores da Instituição. 

“Estou aqui para expressar o quanto este ciclo foi transformador para cada uma de nós. Este curso foi muito além do aprendizado prático: ele agregou um conhecimento imenso e, acima de tudo, fortaleceu nossa mente e a nossa confiança sobre o que somos verdadeiramente capazes de realizar. Cada peça costurada foi também a construção da nossa própria autonomia.”, discursou Fernanda Carneiro, representante das turmas do curso de Corte e Costura.

“Estamos aqui para celebrar sonhos! Tivemos oportunidades para torná-lo realidade . Em nome de todas as alunas , quero expressar nossa profunda gratidão ao Projeto Negócio de Mulher , por acreditar em nós, por nos incentivar e por nos mostrar que nunca é tarde para aprender, recomeçar e acreditar no nosso próprio potencial. Durante a nossa formação na área da Culinária, aprendemos técnicas, receitas e sabores, mas acima de tudo, aprendemos que por trás de cada receita existe dedicação, por trás de cada conquista existe esforço e, por trás de cada sonho, existe uma mulher capaz de realizar.”, contribuiu Tainara Gomes da Fonseca Cruzl, representante das turmas do curso de Culinária.

Ao final da formação, as participantes desenham seu modelo de negócio e passam por uma avaliação de pitch e, em sua maioria, recebem recurso-semente para investir na abertura de seus projetos. A jornada empreendedora se fortalece na comunidade da Rede Negócio de Mulher, que se movimenta com encontros, visitas a negócios e workshops que ampliam repertório e conexões profissionais. Entre as atividades estão a visita ao departamento de figurino da TV Globo, oficina de costura com figurinistas da emissora e experiências sobre fotografia de produtos e inteligência artificial aplicada aos negócios. A Rede tem como culminância o Concurso Cultural Arrasa Garota, cuja final será realizada em 19 de novembro, Dia do Empreendedorismo Feminino, com premiações.

Os resultados do Negócio de Mulher consolidam a trajetória do Instituto da Providência no fortalecimento do empreendedorismo feminino como estratégia de inclusão social produtiva para romper ciclos de pobreza. Nove entre dez mulheres atendidas passaram a gerar renda com os próprios empreendimentos, e 78% das participantes superaram a linha de pobreza (R$ 280 per capita).  Desde 2022, o projeto já atendeu 2013 mulheres, gerou 896 novos negócios e concedeu 527 recursos semente para capital de giro dos negócios periféricos. 

Fonte: Brasil 247

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