CrossFit, HYROX, Lagree: quanto custa para uma academia oferecer as modalidades fitness que viraram febre

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Por Sara MagalhãesSeu Dinheiro

O mercado fitness ganhou uma nova camada de sofisticação nos últimos anos. Além das academias tradicionais, estúdios especializados em modalidades como CrossFit, Lagree, HYROX, Pilates e spinning passaram a disputar espaço no mercado.

Em alguns casos, o empreendedor precisa pagar para utilizar uma marca ou metodologia reconhecida internacionalmente. Em outros, o modelo funciona por franquia, com investimento inicial que inclui estrutura, equipamentos, treinamento e direito de operação.

Mas não existe um preço único para “abrir um CrossFit” ou “ter uma academia de HYROX”. O custo da licença é apenas uma parte da conta, que ainda pode envolver aluguel, reforma, equipamentos, certificação de professores e capital de giro.

Ainda assim, os valores cobrados pelas próprias marcas ajudam a dimensionar quanto vale o negócio por trás dessas modalidades.

Atletas praticam crossfit
Box de crossfit – Imagem: Cristian Camilo/ Pexels

CrossFit: afiliação pode chegar a US$ 4,5 mil por ano

No CrossFit, o modelo não é de franquia tradicional. O empreendedor precisa solicitar uma afiliação e, depois de aprovado, pode operar utilizando a marca CrossFit. O Brasil, aliás, é o segundo maior mercado da CrossFit. O paós tinha 1.177 boxes afiliados, segundo dado divulgado pela própria empresa em 2019, hoje, este número pode ser ainda maior.

A empresa informa que a taxa anual de afiliação varia entre US$ 2.500 e US$ 4.500, de acordo com a localização. Considerando o dólar a R$ 5,125, cotação de fechamento de 11 de setembro, o valor equivale a aproximadamente R$ 12,8 mil a R$ 23,1 mil por ano.

Essa, porém, está longe de ser a conta completa para colocar um box de pé. O empreendedor ainda precisa arcar com espaço, equipamentos, adequações, profissionais e demais custos operacionais.

A própria CrossFit trata o pagamento como uma taxa de afiliação, que permite ao estabelecimento utilizar a marca e fazer parte do ecossistema da companhia.

Sebastien Lagree, criador do método Lagree
Sebastien Lagree, criador do método Lagree – Imagem: Divulgação/ Lagree Fitness

Lagree: até R$ 20 mil por ano só pela licença

Entre as modalidades mais recentes a ganhar espaço no Brasil está o Lagree, método criado pelo francês Sebastien Lagree e conhecido pelo uso de máquinas como o Megaformer. O primeiro estúdio de Kagree no país, a Nux House, abriu no ano passado na Vila Nova Conceição, bairro nobre de São Paulo.

Aqui, o modelo é ainda mais parecido com um licenciamento de marca do que com uma franquia. A Lagree Fitness afirma que não trabalha com franquias e permite que o dono mantenha a propriedade e o controle do negócio.

Para um estúdio que utiliza Megaformer ou EVO, a licença custa US$ 3.990 por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 20,5 mil na cotação usada nesta reportagem. O valor é cobrado por estúdio e não inclui o treinamento dos profissionais.

Há opções mais baratas. A licença para operar com Miniformer, por exemplo, custa US$ 1.990 por ano, enquanto a modalidade com Microformer sai por US$ 990 anuais, cerca de R$ 10,2 mil e R$ 5,1 mil, respectivamente.

Ou seja, antes mesmo de comprar as máquinas, o empresário pode desembolsar alguns milhares de reais por ano apenas para ter o direito de operar oficialmente dentro do método.

Hyrox chega ao Brasil: competição mistura corrida e força
Hyrox une corrida e força em um único treino – Imagem: Divulgação/ Hyrox

HYROX: o modelo é de academia afiliada

O HYROX segue outra lógica. A modalidade combina corrida com exercícios funcionais e ganhou força como uma espécie de “corrida fitness”, com provas padronizadas realizadas em diferentes países.

Para oferecer treinamento oficial, academias precisam se tornar afiliadas da marca. O estabelecimento deve enviar documentação, pagar uma taxa e seguir os padrões determinados pela organização.

Um guia publicado pela Tecnofit em 2026 aponta que a filiação parte de US$ 130 por mês, ou cerca de US$ 1.560 por ano. Isso representa aproximadamente R$ 666 mensais ou R$ 8 mil por ano.

Mas, novamente, não representa o investimento total para oferecer a modalidade. A procura, por outro lado, vem crescendo rapidamente. Segundo a Tecnofit, o Brasil já tinha mais de 220 academias afiliadas ao HYROX no início de 2026.

Estúdio de pilates na The Symple Gym Village Mall
Estúdio de pilates na The Symple Gym Village Mall – Imagem: Divulgação/Simple Gym

Pilates: franquia pode exigir mais de R$ 100 mil

No Pilates, a conta muda de patamar porque o mercado brasileiro tem redes que trabalham com franquias completas, e não apenas com o licenciamento de uma metodologia.

A Pure Pilates, por exemplo, aparece no Portal do Franchising da Associação Brasileira de Franchising (ABF) com investimento total de R$ 135 mil a R$ 150 mil. Os dados foram atualizados pela própria franquia em setembro de 2026.

O valor contempla a estrutura necessária para a operação da franquia, e não apenas uma taxa pelo uso do nome. O mercado também tem opções mais robustas. Segundo a ABF, a VIPilates exige investimento de R$ 130 mil a R$ 190 mil.

Portanto, para quem pretende entrar no segmento de Pilates por meio de uma franquia, a conta pode começar em torno de R$ 130 mil e subir conforme o modelo escolhido.

Studio Velocity
Studio Velocity – Imagem: Divulgação/Velocity

Spinning: a licença da marca pode custar zero

No spinning, há uma particularidade que ajuda a explicar como esses modelos de negócio podem funcionar.

A Spinning, marca criada pela Mad Dogg Athletics, em 1987, informa que não cobra taxa de licenciamento para que uma academia se torne uma Official Spinning Facility.

Mas existe uma condição: o estabelecimento precisa utilizar bicicletas Spinner, ter instrutores certificados pela Spinning e assinar um contrato de uso da marca. Ou seja, a licença em si custa zero, mas isso não significa que abrir uma operação de spinning seja barato.

O investimento passa principalmente pelos equipamentos e pela formação da equipe. Para quem pretende abrir um negócio especializado, existem ainda modelos de franquia no Brasil. A ABF lista, por exemplo, a Spin’n Soul, com investimento de R$ 689.588, e o Studio Velocity, especializado em aulas de bike, com investimento entre R$ 760 mil e R$ 1,21 milhão.

Por trás das diferentes modalidades existe, portanto, uma mesma tendência: o consumidor deixou de procurar apenas uma academia e passou a comprar métodos, comunidades e experiências de treino e isso abriu espaço para um mercado em que marcas fitness também vendem modelos de negócio.

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Fonte: Seu Dinheiro

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