37% querem afastamento de Mendonça e 34% de Moraes, aponta Datafolha
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – Segundo levantamento do Datafolha divulgado neste sábado (12), 34% dos brasileiros defendem o afastamento temporário do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto 28% consideram que ele deveria sofrer impeachment. Entre os entrevistados, 13% também avaliam que o ministro deveria renunciar.
Em relação ao ministro André Mendonça, 37% dos entrevistados defendem seu afastamento temporário. Outros 12% são favoráveis ao impeachment, enquanto 11% consideram que ele deveria renunciar. Para 25%, Mendonça não cometeu nenhuma ilegalidade em sua atuação no caso.
A pesquisa foi realizada com 2.002 pessoas em 125 cidades entre terça-feira (8) e quinta-feira (10), em meio à crise no STF relacionada ao caso do Banco Master. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
Crise no STF e caso Banco Master
Moraes e Mendonça passaram a ocupar posições opostas na condução das questões relacionadas ao Banco Master. O conflito se intensificou depois que Mendonça revelou um relatório sigiloso com informações sobre relações de Moraes com Daniel Vorcaro, incluindo um contrato de R$ 131 milhões entre o ex-banqueiro e o escritório de advocacia da esposa do ministro.
Também vieram a público mensagens nas quais Vorcaro questionava Moraes sobre a possibilidade de deixar o país para evitar a prisão. O ex-banqueiro acabou preso sob acusação de comandar a maior fraude bancária da história brasileira.
Após a divulgação das informações, Moraes pediu uma apuração sobre a legalidade das medidas adotadas por Mendonça. O ministro, por sua vez, determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do chefe da inteligência da corporação, apontando uma possível atuação conjunta com Moraes.
Entre os entrevistados, 7% disseram não ter identificado nada de errado na atuação de Moraes. Outros 5% afirmaram que não havia problemas, porque consideravam ilegal a apuração de provas realizada por Mendonça.
Disputa chega à campanha eleitoral
A crise envolvendo os dois ministros também passou a integrar a disputa presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou apoio a Mendonça, que foi ministro da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro, e passou a associar Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as medidas adotadas pelos dois ministros em uma tentativa de conter o conflito.
Na quinta-feira (10), o ministro Flávio Dino autorizou uma operação policial que voltou a trazer à tona o caso “Dark Horse”. A produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro, segundo Flávio, teria sido financiada com dinheiro de Vorcaro. O senador teve uma conversa com o ex-banqueiro, na qual cobrava dinheiro, revelada pelo site The Intercept.
Fachin também determinou o fim do sigilo sobre o caso Banco Master. Mendonça, inicialmente, teria liberado apenas parte das informações e acabou obrigado a determinar a transparência total na sexta-feira (11).
Fonte: Brasil 247