Crise no STF muda voto? Datafolha mostra que 85% mantêm preferência para presidente
Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

Levantamento do Datafolha aponta que os recentes desdobramentos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram efeito reduzido sobre a escolha dos eleitores para a eleição presidencial. Segundo a pesquisa, as acusações dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes não alteraram a preferência eleitoral de 85% dos entrevistados. Já as críticas relacionadas ao ministro André Mendonça não influenciaram a decisão de voto de 86% dos participantes.
O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre os dias 8 e 10. A pesquisa possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e registrou parte das reações às informações mais recentes relacionadas ao caso. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada na Justiça Eleitoral no número BR-01833/2026
A controvérsia ganhou força após a divulgação de um relatório sigiloso revelado por André Mendonça, o documento trouxe detalhes da relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O material divulgado menciona um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo banqueiro com o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes, Viciane Barci de Moraes, além de mensagens nas quais o empresário questionava a conveniência de deixar o país para evitar uma eventual prisão. Não há informação sobre resposta às mensagens.
O episódio passou a ser explorado no ambiente político, o senador Flávio Bolsonaro associou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Alexandre de Moraes durante a disputa eleitoral. Apesar da repercussão, os dois principais nomes mencionados na pesquisa apresentaram oscilação positiva nas intenções de voto. Lula passou de 38% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 33% para 35%.
O nível de conhecimento sobre a crise é elevado, de acordo com o levantamento, 66% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento do caso. Dentro desse grupo, 26% disseram estar bem informados sobre os acontecimentos.
Quando questionados sobre reflexos na escolha eleitoral, 7% declararam ter ficado em dúvida sobre o voto após as revelações. Outros 4% afirmaram que mudaram sua preferência em decorrência dos fatos.
As acusações envolvendo André Mendonça também foram avaliadas pelo instituto. Nesse caso, 45% dos entrevistados disseram conhecer o conteúdo das suspeitas, sendo que 22% afirmaram possuir informações mais detalhadas sobre o episódio.
Em meio à disputa entre os ministros, André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do chefe do setor de inteligência da corporação. Em seguida, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, suspendeu as medidas adotadas e convocou uma sessão para discutir a atuação de Alexandre de Moraes.
As tensões continuaram nos dias seguintes. O ministro Flávio Dino autorizou uma operação policial relacionada ao caso conhecido como Dark Horse, com o objetivo de verificar a possível destinação de recursos de emendas parlamentares ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
O caso também envolve investigações sobre repasses atribuídos a Daniel Vorcaro para a produção da obra audiovisual. Flávio Bolsonaro nega irregularidades. O senador já havia sido citado em apurações relacionadas ao empresário, que também aparece no centro das discussões envolvendo o Banco Master.
Por determinação de Edson Fachin, André Mendonça retirou o sigilo de documentos ligados ao caso Banco Master. A medida, porém, gerou questionamentos por ter ocorrido inicialmente de forma parcial. Posteriormente, na sexta-feira, 11, Fachin autorizou a divulgação integral das informações, ampliando o acesso aos dados da investigação.
A abertura completa dos documentos aumentou a expectativa em torno de possíveis novos desdobramentos e manteve o caso no centro das atenções políticas e jurídicas.
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Fonte: Jornal Opção