Crise no STF é destaque na imprensa internacional
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – A divisão entre ministros e a suspensão do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) ganharam destaque em veículos estrangeiros após a sessão desta terça-feira (15), dedicada à análise do relatório da PF (Polícia Federal) sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações são da CNN Brasil.
ABC News, Reuters, Washington Post, El País e Clarín acompanharam a sessão extraordinária, interrompida depois de Flávio Dino pedir vista. O julgamento foi suspenso com placar parcial de 4 a 3 a favor da análise separada dos casos relacionados a Moraes e André Mendonça.
A divergência surgiu durante a votação de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes defenderam que os dois casos fossem examinados conjuntamente.
Edson Fachin, presidente da Corte, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela manutenção dos processos separados. Nunes Marques declarou-se impedido, enquanto Dias Toffoli alegou suspeição por motivo de foro íntimo. Nenhum dos dois participou da votação realizada após a leitura do relatório inicial de Fachin.
Com o pedido de vista de Dino, o Supremo não chegou a uma decisão definitiva sobre a forma de tramitação dos processos.
ABC News fala em crise sem precedentes
A emissora norte-americana ABC News afirmou que o STF está imerso em uma “crise sem precedentes”. Na avaliação apresentada pelo veículo, decisões de integrantes da Corte estariam sendo anuladas por outros ministros, em meio a suspeitas de corrupção, parcialidade política e interferência policial.
A cobertura também relacionou o ambiente de tensão no Supremo à proximidade da eleição presidencial brasileira, prevista para outubro.
Reuters destaca agravamento das tensões
A Reuters classificou a sessão como parte de uma “crise crescente” no STF. A agência ressaltou que o julgamento ocorreu poucas semanas antes de uma eleição presidencial descrita como acirrada.
Ao abordar o caráter incomum da sessão, a Reuters também a definiu como “sem precedentes”, destacando a repercussão institucional do caso analisado pelos ministros.
Washington Post coloca Moraes e Mendonça no centro do impasse
O Washington Post descreveu o episódio como uma “crise sem precedentes na mais alta corte do país”. O jornal apontou Alexandre de Moraes e André Mendonça como personagens centrais dos acontecimentos e os situou em posições opostas no espectro político polarizado do Brasil.
No título de sua reportagem, o periódico norte-americano apresentou Moraes como “o juiz que condenou o ex-presidente Bolsonaro à prisão”.
El País ressalta caráter inédito da investigação
O espanhol El País destacou as expectativas geradas pela sessão e chamou atenção para o caráter inédito do procedimento. Segundo o jornal, em 135 anos de história, o STF nunca havia investigado um de seus próprios integrantes.
A publicação também contextualizou o episódio pela proximidade das eleições presidenciais, apontando a relevância política e institucional do julgamento.
Clarín enfatiza discussões entre ministros
Publicado após o encerramento da sessão, o relato do argentino Clarín afirmou que o evento, marcado por “gritos entre juízes”, terminou sem resultados imediatos.
O jornal destacou as discussões acaloradas e avaliou que a crise atinge o funcionamento da Corte. Segundo o Clarín, o STF “opera de maneira extremamente politizada em vista das eleições presidenciais de outubro, com juízes que se inclinam para um ou outro candidato”.
A retomada do julgamento dependerá da devolução do processo por Flávio Dino. Até lá, permanece sem definição se os casos envolvendo Moraes e Mendonça serão analisados conjuntamente ou em procedimentos separados.
Fonte: Brasil 247