‘Corrupção não cola em Flávio Bolsonaro porque isso não importa para seu eleitor’, diz cientista política

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Por José BernardesBrasil de Fato

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A quebra de sigilo das investigações envolvendo o Banco Master coloca a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) sob pressão ao revelar com mais profundidade as relações dele com o banqueiro Daniel Vorcaro. As informações dão conta de que a intermediação para as remessas de dinheiro de Vorcaro para a realização da cinebiografia “Dark Horse” foi feita pelo irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro (PL).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que a forma com que é encarado o escândalo para cada um dos lados em disputa na eleição nunca foi simétrica. E ela compara a dimensão dada ao episódio da CPMI do INSS, que, em algum momento, citou o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luis, e todas as recentes movimentações do STF envolvendo Flávio e Vorcaro.

“As investigações que estavam em curso, que envolviam o filho do presidente Lula, envolviam o caso do INSS. Essas investigações que estavam sendo feitas pelas instituições de controle foram sendo vazadas a conta-gotas, de modo a permanecer bastante tempo na imprensa uma pauta negativa associando o presidente Lula ou o seu governo de maneira geral. Isso provocou um grande desafio para a campanha do presidente e inclusive afetou a avaliação positiva de governo, que vem num processo de queda”, argumenta.

Goulart avalia que a forma com que o eleitorado é afetado pelas notícias também muda e reforça que “a corrupção cola menos sobre a família Bolsonaro”, porque a ética e a idoneidade não são o que determinam o bolsonarismo.

“O principal determinante do voto em Flávio Bolsonaro não é a percepção de que ele é um cara honesto, até porque, antes mesmo da campanha eleitoral, ele já tinha inúmeras evidências de corrupção na sua vida: rachadinha no Rio de Janeiro, movimentação de dinheiro vivo, a compra de uma mansão milionária em Brasília, e nada disso foi capaz de interromper a transferência de voto de Jair Bolsonaro, que está preso, para ele. Porque aquilo que faz o eleitor votar em Flávio Bolsonaro é menos uma percepção positiva sobre ele do que o antipetismo”, afirma.

Na avaliação da cientista política, a eleição será decidida na reta final, pelos eleitores que ainda não estão conectados com nenhum dos polos. “Esse eleitor que ainda não está determinado, que ainda não escolheu, ele é um eleitor desconectado da política. Ele não está recebendo informação, se empolgando com a campanha eleitoral. Ele é um eleitor que está afastado”, aponta.

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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