Correios buscam empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados

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Por Luis Mauro FilhoBrasil 247

247 – Os Correios formalizaram uma proposta para captar R$ 7 bilhões com bancos privados. A nova operação depende do aval do Tesouro Nacional e pode elevar a R$ 19 bilhões o volume de crédito contratado pela estatal desde dezembro de 2025.

A empresa ainda negocia com as instituições financeiras as taxas, os prazos e as demais condições do empréstimo. Os nomes dos bancos envolvidos não foram informados.

“As condições financeiras da operação ainda estão em tratativas com as instituições envolvidas e, neste momento, não podem ser detalhadas. As informações oficiais serão divulgadas pela empresa oportunamente, após a conclusão das tratativas”, afirmaram os Correios.

O financiamento integra a estratégia para reforçar o caixa e sustentar o plano de recuperação da estatal, que enfrenta prejuízos bilionários, redução de receitas, despesas financeiras elevadas e passivos judiciais.

Em dezembro de 2025, os Correios já haviam contratado R$ 12 bilhões com Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O empréstimo também recebeu garantia do Tesouro.

Além das operações de crédito, o governo federal reservou R$ 6 bilhões no Orçamento de 2027 para um possível aporte nos Correios. Somados o financiamento anterior, a nova captação pretendida e os recursos orçamentários, o apoio financeiro poderá chegar a R$ 25 bilhões.

Prejuízo chega a R$ 5,55 bilhões no semestre

Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, aumento de 30,36% em relação ao resultado negativo de R$ 4,26 bilhões acumulado no mesmo período de 2025.

Somente no segundo trimestre de 2026, as perdas chegaram a R$ 2,39 bilhões. O valor representa uma queda de 5,5% ante o prejuízo de R$ 2,53 bilhões registrado entre abril e junho do ano anterior.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando a estatal perdeu R$ 3,16 bilhões, o resultado negativo recuou 24,4%. Apesar da redução trimestral, o déficit acumulado continuou acima do observado no ano anterior.

“Embora os números indiquem avanços, os desafios permanecem. O desempenho da empresa ainda é impactado pela redução de receitas, pelas despesas financeiras, e pelas contingências judiciais. Por isso, a execução disciplinada das ações de recuperação sustentável de receitas, eficiência operacional e de modernização do modelo de negócios continua sendo fundamental para preservar a qualidade e a abrangência dos serviços prestados pelos Correios em todo o País”, declarou a empresa.

A deterioração financeira se intensificou em 2025, quando os Correios encerraram o ano com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Em 2024, o resultado negativo havia sido de R$ 2,6 bilhões.

Empresa abre novo programa de demissões

A redução dos gastos com pessoal é outra frente do plano de recuperação. Em 2026, os Correios abriram um novo programa de desligamento voluntário para diminuir o quadro de funcionários.

As indenizações oferecidas aos trabalhadores que aderirem ao programa variam de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil. O pagamento será feito em parcela única e sem incidência de impostos.

Desde 2017, os três programas de desligamento lançados pela estatal tiveram a adesão de 7.254 empregados. O número, porém, ficou abaixo das metas estabelecidas pela administração da empresa.

Venda de imóveis arrecada R$ 387 milhões

Os Correios também intensificaram a alienação de imóveis sem uso ou considerados inadequados para a operação. Mais de 30 propriedades foram vendidas nos últimos meses, incluindo terrenos, pontos comerciais e prédios históricos.

As negociações renderam R$ 387 milhões. Desse total, R$ 207 milhões foram obtidos em leilões, enquanto R$ 180 milhões vieram de vendas diretas para órgãos e entidades do setor público.

A meta é arrecadar R$ 1,5 bilhão com a venda de patrimônio ao longo de 2026. A estatal possui aproximadamente 2,3 mil imóveis em todo o país, parte deles desocupada ou em estado de deterioração.

O ajuste ocorre enquanto os Correios tentam responder à expansão das plataformas internacionais de comércio eletrônico e das redes privadas de logística. A concorrência aumentou com a entrada de empresas que passaram a operar estruturas próprias de distribuição e entrega, reduzindo a participação da estatal em um mercado que historicamente sustentou parte relevante de suas receitas.

Fonte: Brasil 247

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