Contas de aliados de Trump anunciam: ‘vitória de Flávio é vitória dos EUA’

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Por Jamil Chade — ICL Notícias

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

Contas nas redes sociais de aliados do presidente Donald Trump intensificam os ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas das eleições no Brasil. Desde o último final de semana, sites passaram a dar destaque para a eleição brasileira com uma frequência maior, atingindo milhões de seguidores.

A conta Commentary Trump Daily, que traz a imagem usada oficialmente pelo americano para suas contas nas redes sociais e chega a quase 3 milhões de pessoas, é uma das mais ativas. Neste domingo, uma postagem compara Joe Biden ao presidente Lula, reforçando a tese de que nenhum dos dois venceu supostamente suas respetivas eleições.

A narrativa de uma fraude na eleição em que Trump foi derrotado é parte do centro das campanhas do movimento de extrema direita nos EUA.

“Lula é o presidente ilegítimo do Brasil”, diz a postagem. O texto ainda diz que tanto Biden quanto Lula usaram o governo para perseguir seus adversários políticos.

A conta é administrada pela Red Audience, uma plataforma digital com forte tendência conservadora e ligada ao movimento MAGA (Make America Great Again).

Mais cedo, numa outra postagem, a mensagem foi ainda mais direta. “O ex-presidente Jair Bolsonaro teve sua eleição roubada pelo radical comunista Lula, que então o prendeu”, disse.

Agora, segundo eles, Flávio Bolsonaro tenta recuperar o poder. “É um aliado conservados e forte de Trump e os EUA. Uma vitória de (Flávio) Bolsonaro é uma vitória dos EUA”, constata. A mensagem é concluída com a frase inspirada no slogan trumpista: “Make Brazil Great Again”.

A postagem foi vista por quase 4 milhões de pessoas.

Jason Miller, estrategista de comunicação e ex-conselheiro de Trump, é outro que tem ocupado parte de suas redes sociais com mensagens sobre Flávio.

Ex-CEO da rede social Gettr, ele tem postado até mesmo resultados de pesquisas estaduais que mostram o bolsonarista em vantagem.

Desde meados do ano, o governo brasileiro sinalizou que o período próximo da eleição poderia ser  marcados por ações orquestradas por parte de grandes plataformas digitais, com o objetivo de criar uma turbulência política no país e influenciar a eleição.

Com suspensão de vistos, tarifas, sanções e ofensas americanas, Brasília considera que existe uma ingerência do governo Trump desde 2025, que a eleição de outubro é revelante para a estratégia dos EUA e que a ofensiva pode ganhar ainda mais força até outubro.

Ao longos dos últimos meses, membros do governo tentaram entender por onde poderia vir os próximos lances dessa ingerência e de um processo de desestabilização.

A principal aposta é de que o instrumento usado para isso seja o impulsionamento de desinformação a partir de fora do país, com a possibilidade de plataformas agindo de forma subterrânea para impactar na opinião pública.

A operação repetiria o modelo que acaba de ser adotado com êxito na eleição Colômbia e, há poucos meses, em Honduras. Ambos garantiram a vitória de aliados de Donald Trump.

Trabalhar com o “medo” da população também poderia ser um instrumento que tem sido avaliado como um risco por parte do Brasil para abalar padrões de votos. Para autoridades brasileiras, as cenas de 70 mil imigrantes em Ceuta, a partir da difusão de uma desinformação, reforçaram a tese de uma orquestração para abalar democracias.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que, apesar da liderança de Luiz Inácio Lula da Silvas nas pesquisas de opinião, o pleito continua acirrado e que uma operação de manipulação poderia virar votos suficientes para transformar a eleição em um dos momentos mais tensos do país em décadas.

Membros do governo ainda estudaram os casos das vitórias de aliados de Trump em Honduras e na Colômbia, beneficiados por uma forte atividade de narrativas que viriam de fora desses países. No caso do pleito em Bogotá, o que se observou foi uma proliferação intensa de Inteligência Artificial e de DeepFake.

Uma das estratégias seria o impulsionamento de desinformação a partir de perfis falsos, criados nos exterior. O material poderia promover mudanças abruptas na opinião pública, faltando poucos dias para a eleição e capaz de virar votos.

O cálculo do envolvimento das plataformas é por conta do impacto de uma reeleição para o setor. O governo estima que as Big Techs seriam os grandes perdedores com a vitória de Lula. Se o petista vencer, a estimativa é de que poderia usar seu quarto mandato para promover uma regulamentação das redes digitais e das Bets.

Um possível retorno do ativismo de Elon Musk também é monitorado, principalmente diante de seu histórico de realizar provocações em eleições em todo o mundo, às vésperas do pleito.

Esperar até o último momento para fazer a operação também impediria que houvesse tempo suficiente para investigações e eventuais denúncias do envolvimento de um grupo ou outro no processo de desestabilização.

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Fonte: ICL Notícias

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