Conselho Superior do MPF decide nesta sexta se abrirá investigação contra Gonet; entenda

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Por Maiara Marinho — Carta Capital

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O partido Novo pediu o afastamento do Procurador-Geral da República dos casos ligados ao Banco Master por suposto envolvimento com Daniel Vorcaro

O Conselho Superior do Ministério Público Federal realiza nesta sexta-feira 25, a partir de 10h, uma sessão para decidir se existem elementos suficientes para dar início a uma investigação sobre a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos procedimentos do Supremo Tribunal Federal ligados ao Banco Master.

A representação foi feita por parlamentares do partido Novo. O pedido da sigla sugere o afastamento de Gonet do caso para que a subprocuradoria assuma a função, além de questionar se ele deveria se declarar impedido ou suspeito para atuar nas ações que envolvem a instituição financeira e seu ex-dono, Daniel Vorcaro.

A iniciativa dos parlamentares surgiu após a divulgação de mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. As conversas indicam que o advogado Ciro Soares, antigo defensor do banco, teria intermediado contatos entre o ex-banqueiro e o procurador-geral entre os anos de 2024 e 2025.

Em março de 2025, o advogado enviou a Vorcaro uma foto junto a Gonet afirmando que o procurador-geral desejava conversar com ele, momento em que foram registradas chamadas telefônicas, incluindo uma com duração de três minutos e 49 segundos.

Outros trechos atribuídos ao chefe do Ministério Público Federal continham frases de ‘apoio’ e ‘saudade’. Somado a isso, uma imagem divulgada pelo jornal O Globo mostrou Gonet e Vorcaro em um evento jurídico patrocinado pelo Banco Master em Londres, em abril de 2024.

Diante do material apresentado, o colegiado vai deliberar sobre a escolha de um subprocurador-geral da República para examinar os fatos. Essa possibilidade está prevista na lei complementar que trata da organização, das atribuições e do estatuto do Ministério Público da União. Se o membro for indicado, caberá a ele analisar as evidências e eventual ação penal se constatar fundamento bastante.

Por outro lado, caso os conselheiros entendam que as provas são insuficientes, o pedido será arquivado. A escolha de um subprocurador não representa o afastamento automático de Gonet do cargo de procurador-geral e nem significa que ele tenha cometido algum crime.

Em manifestação encaminhada ao órgão, Gonet rejeitou a abertura de apurações e afirmou estar apto a seguir na condução dos processos do Banco Master, alegando não ter interesse pessoal na causa. Ele negou possuir amizade com Vorcaro, explicando que o único encontro presencial ocorreu no evento em Londres na companhia de outras autoridades.

Sobre o contato telefônico intermediado por Ciro Soares, o procurador-geral descreveu a ligação como rápida e banal, sem qualquer relação com suas atividades profissionais.

A condução da reunião caberá ao vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino, que é irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Ele ocupará o posto porque Gonet, que preside o conselho originalmente, não participará das discussões sobre a própria conduta.

O subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino atuará como relator, sendo o encarregado de detalhar o processo e apresentar o seu voto. Conforme estabelece o Regimento Interno, após a leitura do relatório poderão ser realizadas sustentações orais com tempo limite de quinze minutos, desde que solicitadas.

Na sequência, o relator vota e os demais membros se manifestam por ordem de antiguidade, do mais novo ao mais antigo, cabendo a Nicolao votar por último. Qualquer integrante do grupo pode solicitar mais tempo para analisar o caso, o que paralisa o julgamento até a reunião ordinária posterior, embora os outros conselheiros possam adiantar seus votos antes da interrupção.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.

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Fonte: Carta Capital

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