Como comemorar a independência do Brasil?
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Publicado em 11 de Setembro de 2026 às 04:15
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O título deste artigo já estava escolhido – sem o ponto de interrogação que acrescentei agora – para associar as comemorações da independência do Brasil à importância do voto a ser dado nas eleições de 4 de outubro.
Pretendia ressaltar o valor do ato do eleitor em digitar na urna eletrônica o número dos candidatos da sua preferência que merecessem representá-lo nos próximos quatro (ou oito, como no caso dos senadores) anos.
Tinha pensado em terminar o texto conclamando todos a votar, mesmo aqueles que pela idade, como eu, não tenham mais essa obrigação legal, acreditando na construção de um futuro melhor para o nosso país.
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Mas, confesso, a marcha dos mais recentes acontecimentos políticos – e aqui me refiro aos atos daqueles que ocupam cargos públicos em geral, na nossa República – tiraram o meu entusiasmo de fazer conclamações cívicas, sejam elas quais forem.
A cada novo escândalo envolvendo servidores públicos em geral – inclusive magistrados de alta patente –, aumenta em mim a desesperança com relação à construção de um país melhor.
Confesso que já vivi frustrações parecidas no passado, seja na época do regime militar que acabou, durante um bom tempo, com a liberdade de expressão e com o Estado Democrático de Direito, seja com os descaminhos de governantes que, mesmo após a volta da democracia e eleitos pelo voto popular, não honraram os seus mandatos e mais se apropriaram do dinheiro público do que buscaram fazer algo em favor da população.
Mas também senti orgulho e a renovação das minhas esperanças de que era possível crer em um futuro melhor quando vivi a vitória do Plano Real, seguida da entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal, para demonstrar que era possível, mesmo em um país à deriva, derrotar a inflação e impor limites à gastança pública irresponsável.
Também me empolguei quando a Justiça conseguiu desbaratar a quadrilha do mensalão e implodiu o dinheiroduto que assaltava os cofres públicos no petrolão.
Mas é duro constatar que todo aquele esforço de passar o país a limpo se perdeu pouco tempo depois, quando manobras das mais diversas naturezas, guiadas por interesses de toda ordem, jogaram no lixo as provas coletadas com tanto esforço por alguns que remavam contra a maré.
Foi revoltante tomar conhecimento que decisões monocráticas tornaram nulos os processos, até aqueles nos quais os condenados haviam confessado os seus crimes e devolvido somas vultosas em delações premiadas.
E o que se vê no atual cenário brasileiro neste mês em que se comemora o 204º aniversário da independência? Um mar de lama inundando a República, exibindo as entranhas do compadrio sórdido que prevalece entre os homens públicos que deveriam defender a nação.
Entre os mais envolvidos nos escândalos estão até aqueles que têm a missão de defender o fiel cumprimento da Constituição Federal.
Como, então, ter esperanças de que seria possível sonhar com um Brasil melhor a partir das próximas eleições? Como confiar após tantas e sucessivas decepções? Como acreditar que seja possível consertar um país já tão moralmente destruído?
Como, enfim, comemorar a independência do Brasil, com o Brasil que temos hoje?
José Carlos Corrêa
É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço
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