Comeram poeira! Rali dos bancos na B3 deixa estas duas ações para trás — mas JP Morgan vê espaço para uma nova arrancada

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Por Camille Lima — Seu Dinheiro

Ontem (6) foi dia de festa para os ativos brasileiros. Após o inesperado desfecho do primeiro turno das eleições, as ações domésticas entraram em um forte rali, com destaque para o setor financeiro. Mas, enquanto os grandes bancos aceleraram na bolsa, os rivais digitais ficaram para trás. 

Para o JP Morgan, porém, essa diferença pode abrir uma oportunidade. Nubank (ROXO34) e Inter (INTR) ainda negociam a múltiplos considerados atrativos pelos analistas e, na visão do banco, oferecem bom potencial de valorização. 

“Ambos os nomes se destacam em nossa cobertura por ainda apresentarem valuations descontados após o rali recente”, avaliam os analistas. 

No caso do roxinho, a ação é vista pelos analistas como uma aposta de mais longo prazo, sustentada pela vantagem de custos e capital e pela capacidade de continuar ganhando participação de mercado.  

Já o Inter tem uma história mais ligada à reprecificação do múltiplo: se a rentabilidade continuar avançando e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) superar a marca de 20%, o banco vê espaço para a ação ganhar valor além do crescimento dos lucros. 

Nubank: crescimento ainda cabe no preço 

O Nubank negocia atualmente a cerca de 13,5 vezes o lucro projetado para 2027, ou aproximadamente 10 vezes o resultado estimado para 2028. Mesmo após a alta recente dos papéis, o JP Morgan considera o valuation uma forma razoável de capturar a exposição ao crescimento do mercado brasileiro. 

O banco manteve recomendação overweight, equivalente à compra, para o Nubank e elevou o preço-alvo para US$ 23, ante US$ 20 anteriormente. A nova cifra prevê um salto de até 82,5% frente ao último fechamento. 

“Gostamos particularmente do Nubank para investidores de longo prazo, dado seu diferencial estrutural de custos e capital, que deve continuar sustentando ganhos de participação de mercado no Brasil mesmo em um ambiente macroeconômico mais difícil”, diz o JP Morgan. 

Apesar do potencial de alta, segundo os analistas, o que realmente sustenta a tese é a combinação entre crescimento e estrutura de custos. 

O Nubank já reúne cerca de 139 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia e apresenta uma rentabilidade elevada em seu principal mercado. Segundo o JP Morgan, o ROE no Brasil está próximo de 50%. 

O banco acredita que a fintech ainda pode ganhar participação no Brasil, especialmente por operar com uma estrutura mais enxuta do que os bancos tradicionais. A instituição também avalia que sua participação entre clientes de menor renda — hoje em torno de 30% — ainda pode crescer. 

Mesmo com premissas mais conservadoras, o JP Morgan projeta crescimento dos lucros próximo de 30% ao ano em dólares, o que ajuda a sustentar a tese de valorização no longo prazo. 

Contudo, o caminho não está livre de obstáculos. Uma eventual deterioração adicional do ciclo de crédito em 2027 e possíveis medidas macroprudenciais continuam entre os principais riscos para a tese. 

Uma deterioração maior da qualidade dos ativos, uma desaceleração do crescimento ou dificuldades para monetizar a enorme base de clientes também poderiam pressionar os resultados. 

Há ainda a preocupação dos investidores com possíveis movimentos de fusões e aquisições (M&As), além dos riscos ligados à expansão internacional, especialmente no México. 

Inter e melhora do ROE 

No Inter, o JP Morgan enxerga uma dinâmica um pouco diferente. A ação ainda é negociada a menos de 7 vezes o lucro projetado para 2027, o que, para os analistas, deixa espaço para uma recuperação do múltiplo caso a companhia continue entregando melhora de rentabilidade. 

O banco manteve recomendação overweight e elevou o preço-alvo para R$ 55 por BDR, o que implica uma alta potencial de 66,7%. 

O principal gatilho para essa tese é o ROE. O Inter vem melhorando o retorno sobre o patrimônio líquido, embora em um ritmo mais lento do que o mercado esperava. O JP Morgan projeta que o indicador avance para algo entre 20% e 22% nos próximos anos. 

Se isso acontecer, os analistas acreditam que o mercado pode estar disposto a pagar mais pelo papel. 

Em outras palavras, não seria necessário apenas o lucro crescer; uma rentabilidade maior poderia fazer o próprio múltiplo da ação subir. 

O JP Morgan calcula que uma expansão de apenas 3 a 4 pontos percentuais no ROE já poderia provocar uma reprecificação relevante. 

O Inter também chega a esse momento com uma base de mais de 44 milhões de clientes e uma plataforma que reúne serviços bancários, investimentos, conta global e marketplace.  

A companhia historicamente priorizou linhas de crédito mais garantidas, o que tende a reduzir a exposição em ciclos de inadimplência, mas também limita parte do potencial de rentabilidade. 

A expectativa agora é que a execução operacional ajude a fechar essa conta. 

O risco que pode colocar os dois no mesmo barco 

O JP Morgan ressalta, no entanto, que o Nubank e o Inter compartilham um risco importante: o ciclo de crédito. 

O JP Morgan espera um ambiente ainda difícil para os bancos em 2027 e, por isso, reduziu em cerca de 2% a 3% suas estimativas de lucro para a maioria das instituições tradicionais.  

No caso dos digitais, a deterioração da qualidade do crédito ou medidas macroprudenciais mais duras também poderiam pesar sobre o sentimento dos investidores. 

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Fonte: Seu Dinheiro

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