50 Best Bars 2026: São Paulo emplaca dois bares entre os melhores do mundo, mas Brasil ainda tem presença tímida no ranking
Por Bruno Acioli — Seu Dinheiro
O Bar Leone, localizado em Hong Kong, foi eleito, mais uma vez, o melhor bar do mundo na noite desta quarta-feira (7), durante a cerimônia do The World’s 50 Best Bars 2026, em Milão, na Itália. O topo conquistado pelo projeto do italiano Lorenzo Antinori, que também é proprietário do Montana, em Hong Kong, 36º colocado na mesma lista, reforça a valorização da alta hospitalidade sem afetação.
A noite também foi importante para o mercado brasileiro. O paulistano Exímia, de Márcio Silva, no Itaim Bibi, ficou na 20ª posição, enquanto o TanTan, em Pinheiros, garantiu o 35º lugar. Mas o país ainda enfrenta uma presença muito tímida dentro do ranking.

O triunfo da hospitalidade do melhor bar do mundo
A vitória do Bar Leone não é um acontecimento isolado, mas um reflexo de como a indústria vem recalibrando suas prioridades. Depois de anos de protagonismo dos speakeasies (bares “secretos”) ultraconceituais, marcados por técnicas de laboratório e experiências cada vez mais elaboradas, o mercado global dá sinais de cansaço diante de um modelo cerebral e, muitas vezes, distante.
O Leone já havia vencido no ano passado ao resgatar aquilo que chama de “cocktail popolari”. Inspirado nos bares de bairro e nos clássicos de Trastevere, em Roma, Lorenzo Antinori criou uma operação de alto volume que se concentra no essencial: acolhimento caloroso, serviço veloz, trilha sonora vibrante e execução precisa de clássicos.

Seja em um Dry Martini servido em temperatura extremamente baixa, em um Negroni de precisão ou no concorrido sanduíche de mortadela artesanal, o melhor bar do mundo mostra que a excelência técnica pode ficar nos bastidores. No salão, o protagonista é o cliente.
A permanência de Hong Kong no topo da coquetelaria mundial também reforça a força financeira e cultural da Ásia na definição das novas rotas de consumo do mercado de luxo internacional.

O desafio brasileiro
Uma análise dos dados históricos revela um gargalo para a coquetelaria brasileira: o país raramente consegue ampliar de forma consistente sua presença entre os 50 melhores bares do mundo. Ao longo dos anos, nomes como SubAstor e Frank Bar, ambos de São Paulo, ganharam espaço no ranking, mas a dinâmica tem sido mais de substituição do que de expansão.

Em 2019, aliás, o Guilhotina Bar, também de São Paulo, alcançou um marco para o país ao aparecer na 15ª posição. À frente da casa estava Márcio Silva, hoje um dos nomes por trás do Exímia. Seis anos depois, ele volta a colocar seu trabalho entre os melhores do mundo, agora com o bar na 20ª colocação.
No caso do TanTan, de Thiago Bañares, por exemplo, permanecer no ranking principal do 50 Best por anos consecutivos representa um desafio operacional maior do que aparecer na lista de forma pontual. O bar paulistano se consolidou ao combinar a cultura gastronômica asiática com uma coquetelaria de alta precisão.
A geopolítica do balcão
A distribuição geográfica do ranking deste ano expõe novos eixos de influência na hospitalidade mundial. A América Latina, por exemplo, aparece novamente com força, com representantes de Brasil, Colômbia, México, Peru e Argentina.
Além dos brasileiros, o Alquímico, de Cartagena, ficou em terceiro lugar e recebeu o Michter’s Art of Hospitality Award, que reconhece a excelência no serviço. A casa ocupa um casarão de três andares e combina projetos sociais, sustentabilidade e uma operação de alta energia.
O México também manteve presença relevante, com o Handshake Speakeasy, na sexta posição, e o Bar Mauro, na décima. A Argentina apareceu com o Tres Monos, em 21º, e o Victor Audio Bar, em 31º.
Na Europa, o Moebius Milano ficou com a vice-liderança mundial ao combinar gastronomia, música e arquitetura industrial em Milão. Atenas e Paris também aparecem entre os principais polos do continente, com o Line, em quarto lugar, e o Bar Nouveau, em 15º.

Os prêmios regionais reforçaram ainda a força de projetos com identidade própria. O Mimi Kakushi, de Dubai, 42º colocado, foi eleito o melhor bar do Oriente Médio ao resgatar referências da Osaka dos anos 1920. Entre suas atrações está o Nara Nara Martini, preparado e servido sobre um bloco de gelo na mesa.
Já o Front/Back, de Acra, em Gana, foi eleito o melhor bar da África. O espaço funciona como um clube privado voltado à valorização da cultura e dos ingredientes do continente.
Confira abaixo a lista final dos 50 melhores bares do mundo.
The World’s 50 Best Bars 2026
- Bar Leone (Hong Kong) — melhor bar do mundo e da Ásia
- Moebius Milano (Milão) — melhor bar da Europa
- Alquímico (Cartagena) — melhor bar da América do Sul e vencedor do prêmio de hospitalidade
- Line (Atenas)
- Bar Us
- Handshake Speakeasy (Cidade do México) — melhor bar da América do Norte
- Zest (Seul)
- Connaught Bar (Londres)
- Lady Bee (Lima)
- Bar Mauro (Cidade do México)
- Schmuck (Nova York)
- Hope & Sesame (Guangzhou)
- The Cambridge Public House (Paris)
- Sip & Guzzle (Nova York)
- Bar Nouveau (Paris)
- Sips (Barcelona)
- Paradiso (Barcelona)
- Jigger & Pony (Cingapura)
- The Bar in Front of the Bar (Atenas)
- Exímia (São Paulo)
- Tres Monos (Buenos Aires)
- Mamba Negra (Medellín)
- De Vie (Paris)
- Himkok (Oslo)
- Argo (Hong Kong)
- Danico (Paris)
- Dry Wave Cocktail Studio (Bangcoc)
- El Gallo Altanero (Guadalajara)
- Satan’s Whiskers (Londres)
- BKK Social Club (Bangcoc)
- Victor Audio Bar (Buenos Aires)
- Waltz (Londres)
- Locale Firenze (Florença)
- Mirror Bar (Bratislava)
- TanTan (São Paulo)
- Montana (Hong Kong)
- Sastrería Martinez (Lima)
- Nutmeg & Clove (Cingapura)
- Bar Carmen (Medellín)
- Barro Negro (Atenas)
- Gokan (Hong Kong)
- Mimi Kakushi (Dubai) — melhor bar do Oriente Médio
- Nouvelle Vague (Tirana)
- Bar Benfiddich (Tóquio)
- Caretaker’s Cottage (Melbourne) — melhor bar da Australásia
- Martiny’s (Nova York)
- Tlecān (Cidade do México)
- Virtù (Tóquio)
- Bar Snack (Nova York)
- Angelita (Madri)
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Fonte: Seu Dinheiro