Com queda de 30% em 2026, TRXF11 quer recomprar cotas, mas um ‘detalhe’ pode limitar a operação
Por Igor Grecco — Seu Dinheiro

Depois de observar seus papéis caírem quase 30% em 2026 e passar por um terremoto na bolsa, o fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11) voltou aos holofotes do mercado financeiro ao anunciar, na noite de segunda-feira (19), um programa de recompra de cotas.
Por meio de fato relevante, o FII informou que poderá adquirir, pelos próximos 12 meses, a partir de novembro, até 10% de suas cotas existentes, o equivalente a aproximadamente 9,59 milhões de unidades.
Para isso, o veículo terá de seguir alguns critérios previstos na regulamentação vigente. Entre eles, está o preço pago por papel, que deverá ser inferior ao valor patrimonial apurado no dia imediatamente anterior à operação.
Além disso, as cotas recompradas serão canceladas imediatamente após a liquidação das transações.
Primeiro programa de recompra do TRXF11
Este será o primeiro programa de recompra do TRXF11. A gestora, TRX Real Estate, afirmou que a iniciativa amplia as alternativas de administração ativa e alocação de capital do FII.
O objetivo, de acordo com o veículo, é aproveitar momentos em que os papéis são negociadas abaixo do preço patrimonial para gerar valor aos cotistas.
Atualmente, cabe ressaltar, o fundo negocia a 0,74 vez o P/VP (valor patrimonial por cota) após a desvalorização de 29% desde o início de janeiro.
A TRX Real Estate ressaltou, no entanto, que o programa é facultativo e que não há garantia de que o limite de 9,59 milhões de unidades será atingido. E, de fato, o montante pode não ser alcançado, segundo Marcos Baroni, analista da Suno e especialista em fundos imobiliários.
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“Mensagem positiva, mas efeito marginal”
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Baroni afirmou que o TRXF11 tem uma série de desembolsos para fazer nos próximos meses, relacionados principalmente ao pagamento de imóveis adquiridos e de obrigações financeiras.
Segundo os números do relatório gerencial mais recente, o veículo tem cerca de R$ 539,2 milhões em desembolsos previstos para outubro, R$ 125,6 milhões para novembro, R$ 410 milhões para dezembro e R$ 350 milhões para janeiro de 2027. O documento também aponta saldo devedor de aproximadamente R$ 3,16 bilhões em securitizações.
Nesse contexto, o analista considera “improvável” que o fundo utilize todo o limite previsto no programa de recompra, já que, considerando a cotação atual na faixa de R$ 72 a R$ 73, a aquisição de 9 milhões de unidades representaria um gasto de cerca de R$ 650 milhões.
“Eu acho quase impossível [o TRXF11 recomprar tudo]. Nós estamos falando de 9 milhões de cotas. O FII não tem caixa para fazer tudo isso”, ponderou.
Na avaliação de Baroni, o anúncio tem mais peso como sinal ao mercado do que como uma medida capaz de produzir consequências expressivas.
“É muito mais uma mensagem positiva do que um efeito prático”, resumiu.
Recompra pode ajudar na percepção do mercado
Apesar das limitações financeiras, o especialista avaliou que o anúncio pode contribuir para melhorar a percepção dos investidores sobre o fundo. Isso porque, segundo ele, a recompra sinaliza que a gestão considera que os papéis estão “atrativos”.
“A mensagem que a TRX quer passar é a seguinte: ‘Olha, o TRXF11 está muito barato, e eu vou ter, pelo próximo um ano, a possibilidade de recomprar cotas nas quais eu entendo que estejam com esse preço descontado’”, afirmou o analista.
Baroni ressaltou ainda que o programa ficará aberto por até 12 meses, período em que a situação financeira do veículo poderá mudar. Uma eventual venda de imóveis ou a redução de obrigações, segundo ele, poderia abrir espaço para recompras maiores, caso as cotas continuem descontadas.
Autorização da CVM
É importante ressaltar que recompra de papéis já é comum entre companhias listadas na bolsa de valores. Empresas abertas costumam recorrer a esse tipo de operação quando consideram que suas ações estão descontadas, como forma de sinalizar confiança aos acionistas.
No caso dos fundos imobiliários (FIIs) e fiagros, porém, o mecanismo é algo mais recente e só passou a ser autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em maio de 2025.
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Fonte: Seu Dinheiro