Com militância 100% mobilizada, PT tem chance de gesto histórico para virar eleição na hora final: vista-se branco

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Por Marco Damiani — Brasil 247

O antipetismo é, foi e sempre será o prato de comida mais fundo em que o bolsonarismo se alimenta. Incontáveis, um dos memes que circula nas redes diz, com todas as letras, ‘se Lula fosse de direita, eu também não votaria nele’. Outro, de cunho religioso, pergunta ‘se Jesus está à direita do pai, quem sou eu para estar contra?’. Não é, portanto, um eleitor que se deixe convencer. Ao menos não muito facilmente, para dizer o mínimo. Na prática, como qualquer um que já tentou sabe, mudar esse posicionamento é a chamada missão impossível, que só dá certo no cinema.

Se você concorda com a premissa, por certo está percebendo que demanda uma melhor sintonia a estratégia do PT voltada à vitória sobre o bolsonarismo. O partido deve procurar vencer em nome do Brasil. A mensagem de que o objetivo é manter o partido no poder não é suficiente para conquistar os corações e mentes que estão faltando para levar Lula à vitória – e o próprio presidente tem isso claro.

Na impressionante manifestação que tingiu de vermelho a Avenida Paulista ontem, no coração de São Paulo, Lula foi o único orador a dar ênfase sobre os 32 milhões de eleitores que não compareceram às urnas do primeiro turno. Vestido com uma camisa de cor azul, ele foi direto ao ponto que interessa agora:

“Nós tivemos mais de 30 milhões de pessoas que não foram votar”, iniciou o presidente. “Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar. Porque, se essa pessoa não quer votar por ela, tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer essas pessoas.”

Na véspera do grande ato da Paulista, em Natal (RN), outro grande momento do partido ocupou uma grande avenida potiguar com uma imensa procissão vermelha. Ali, o candidato petista Cadu Xavier disputa o segundo turno, depois de o presidente ter sido o mais votado em todos os municípios do estado, com apenas duas exceções. Concentrações rubras de grande porte também foram realizadas, na primeira volta, em Recife (PE) e Salvador (BA), enchendo a militância de empolgação. Nenhuma dúvida de que a filiação petista está 100% mobilizada, o que demonstra toda a força do partido neste momento decisivo.

É preciso, porém, ajustar. Do contrário, se tudo estivesse às mil maravilhas, Lula teria sido eleito em primeiro turno. Que tal mudar de atitude começando pelo forte recado emocional que as cores encerram? Ainda é tempo.

No finalzinho do segundo turno de 2022, Lula vestiu branco em praticamente todos os seus compromissos públicos. Foi assim que ele encontrou o respiro necessário para superar o potente fôlego de chegada do verde-amarelo de Jair Bolsonaro, que vinha tirando a diferença.

É preciso frisar, ainda que todos saibam, que o branco é a cor da paz. É suprapartidária. Reflete além da política, não tem contraindicação. Do branco pacífico só refutam os que pregam o ódio, a discriminação e a desigualdade entre as pessoas. Branco une. Está na internet, para quem ‘googar’, que o branco é “frequentemente associado à pureza, paz, limpeza e simplicidade. É também chamado de ‘cor da luz’, e transmite uma sensação de clareza e frescor”. Dá para não achar bacana?

A direção do PT tem de parar para pensar. A militância está pronta ao seu comando. O que lhe for pedido pelos chefes partidários, em termos de tática eleitoral, será feito pelas bases. Ao mesmo tempo, a campanha de Lula precisa de um fato político forte o suficiente para tirar de casa, no dia 25, as mais de 30 milhões de abstenções às urnas do primeiro turno.

Imagine-se no próximo fim de semana, em todos os grandes centros urbanos e onde quer que seja, inclusive no exterior, atos convocados pelo PT em que todos fossem chamados a estar com uma peça visível de roupa branca. A foto seria outra. Não seria preciso nem fazer discursos. O sinal à vista de todos, limpo e claro, já estaria dado a favor do compromisso da legenda, e de todos à volta de Lula, pela busca por Brasil de inclusão, no qual todos se inserem. Os petistas e além.

Não é toda hora que a direção do PT pode estalar os dedos e colocar a sua massa na rua. Neste momento, provado está, o controle é absoluto. Uma ordem de luta pela mensagem universal da paz seria atendida com grande entusiasmo. Fica a dica.

Fonte: Brasil 247

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