Com mais de 100 mil empresas, mercado de academias busca tecnologia para enfrentar evasão de alunos
Por Esporte News Mundo — Carta Capital
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Empresas apostam em dados e inteligência artificial para ampliar retenção.
O mercado brasileiro de academias reúne 103.790 empresas ativas e 186.592 empregos, segundo dados do Sebrae referentes a 2025. O número de postos de trabalho cresceu 12,7% em relação ao ano anterior, em um setor que combina expansão da oferta com um desafio que interfere diretamente no resultado dos negócios: manter o aluno depois da matrícula. Um estudo brasileiro que acompanhou 5.240 frequentadores mostrou que 63% dos novos alunos abandonaram a academia antes de completar três meses e menos de 4% permaneceram por mais de 12 meses consecutivos.
Em um modelo sustentado principalmente por mensalidades, a saída antecipada reduz o período de geração de receita por cliente e aumenta a necessidade de novas matrículas para recompor a base. Pesquisa publicada em 2026 no Journal of Retailing and Consumer Services aponta que as mensalidades representam tipicamente 85% da receita dos clubes fitness e situa as taxas anuais de cancelamento entre 40% e 50%. Retenção, portanto, deixa de ser apenas uma discussão relacionada à prática esportiva e passa a fazer parte da gestão financeira das academias.
A Movement desenvolveu o Movement ARCH, ecossistema digital que conecta equipamentos, aplicativos, dados e inteligência artificial. A proposta é acompanhar diferentes pontos da jornada do aluno, reunindo informações como frequência, treinos realizados, utilização dos equipamentos e comportamento ao longo do tempo.
Os dados podem ajudar profissionais e gestores a identificar mudanças de padrão, dificuldades recorrentes ou queda de frequência e atuar antes que o afastamento resulte no cancelamento.
“Pensamos em uma tecnologia capaz de ter uma visão 360 graus da jornada do aluno dentro da academia, desde o momento em que ele passa pela catraca até a entrega de uma experiência de treino mais personalizada, eficiente e completa. O objetivo é conectar dados, equipamentos e profissionais para entender o que acontece durante essa jornada e permitir que a academia ofereça a atenção certa, no momento certo”, afirma Victor Xavier, head do Laboratório de Inovação da Movement.
A tecnologia também atua durante o treinamento. Caso um equipamento previsto esteja ocupado, o sistema pode oferecer uma alternativa equivalente para evitar a interrupção daquela etapa. Se determinado exercício ou aparelho não atender às necessidades ou preferências do aluno, outras possibilidades podem ser apresentadas mantendo os objetivos estabelecidos para o treino.
Essa capacidade de adaptação ganha importância porque a frequência de utilização está relacionada à permanência. Pesquisa brasileira sobre retenção em serviços fitness identificou justamente a frequência de utilização como a variável de maior relevância para a retenção, enquanto preço e duração do contrato não apresentaram impacto significativo no modelo analisado.
Para as academias, o uso dos dados também pode aumentar a capacidade de acompanhamento das equipes. Em uma sala com vários alunos treinando simultaneamente, informações geradas pelo sistema podem indicar quem precisa de atenção e em qual momento. A ideia não é substituir o profissional, mas fornecer elementos para direcionar sua atuação.
O impacto da retenção ganha outra dimensão diante do volume de investimentos no segmento. Redes continuam ampliando unidades e capacidade instalada. A Selfit, por exemplo, anunciou 32 novas academias entre agosto e dezembro de 2026, sendo 26 próprias e seis franquias. Somente as unidades próprias representam investimento de R$ 91 milhões. A empresa encerrou 2025 com receita de R$ 448 milhões.
Para negócios que investem em imóveis, equipamentos, manutenção, profissionais, marketing e tecnologia, prolongar a permanência do cliente significa gerar receita recorrente sobre uma estrutura já instalada. No sentido contrário, a desistência exige que parte da operação comercial trabalhe continuamente para substituir os alunos perdidos.
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Fonte: Carta Capital