Com juros altos, prazo para pagar compras no varejo é o menor em 8 anos

0

Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O parcelamento a perder de vista deu lugar a prazos mais curtos e com cobrança de juros no varejo brasileiro, refletindo o cenário prolongado de taxas de juros elevadas e o aumento da inadimplência no país, informa reportagem do jornal O Globo.

O consumidor tem encontrado no varejo um cenário de juros altos por um longo período. As parcelas a perder de vista deram lugar a um prazo menor para quitar as compras e, em muitos casos, com cobrança de juros. O prazo médio de financiamento para a compra de bens, exceto veículos, foi de 16,2 meses em julho. Trata-se do menor resultado para o mês desde 2018, de acordo com dados do Banco Central (BC) compilados pelo economista sênior da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes. Em janeiro, a média era de 19,5 meses.

Restrição de crédito e aumento da inadimplência

Fabio Bentes avalia que esse achatamento pode ser resultado tanto da demanda, já que o consumidor evita se endividar por mais tempo, quanto da oferta, com redução do prazo concedido por bancos e varejistas com crédito próprio. O dado do BC não permite distinguir uma coisa da outra, mas o pano de fundo é claro: com a escalada dos juros, conceder crédito ficou mais caro para o varejo, e o risco de inadimplência aumentou.

Em julho, essas operações alcançaram o maior nível de inadimplência para o mês desde 2017, com percentual de 11,5%. Já os atrasos entre 15 e 90 dias somaram 5,76% do total emprestado, o maior patamar para julho desde 2019. O sufoco do crédito não afeta apenas quem quer comprar e busca uma parcela que caiba no bolso. O capital de giro do varejo tem hoje taxa média de 25% ao ano, a maior desde 2017, de acordo com Bentes. “Há quase nove anos a situação do crédito não era tão preocupante, seja do ponto de vista do comerciante, seja do consumidor”, observa o economista sênior da CNC.

Faz diferença na ponta do lápis. Um telefone celular de R$ 1 mil financiado com taxa média de 5,96% ao mês, como a registrada em julho, e com prazo de 16 meses, teria prestação de R$ 99. Em janeiro, com juros de 5,39% ao mês e prazo de pagamento de 19,5 meses, o mesmo celular teria parcela de R$ 84.

Até julho, o varejo restrito (que exclui veículos e atacado) acumula alta de 1,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com exceção de 2024, quando o comércio cresceu 4,1% com o arrefecimento da inflação, o varejo só cresce em torno de 2% ao ano. “É quase um crescimento vegetativo”, afirma Bentes.

Mesmo com desemprego nas mínimas históricas e renda em alta, o economista diz que fatores como juros elevados, pandemia, recessões e a migração do consumo de bens para serviços têm limitado o crescimento estrutural do comércio na última década.

Relatório do Santander aponta que o crédito está mais seletivo. Entre 2023 e 2024, o saldo de crédito livre cresceu para as faixas acima de três salários mínimos, mas ficou praticamente estagnado para as famílias de renda mais baixa, justamente o público que mais depende do crediário e do parcelamento das compras.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *