Com Benedict Cumberbatch, documentário questiona como será a vida em um planeta em transformação
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Andando pelos salões do Museu de História Natual de Londres, o ator Benedict Cumberbatc assume o papel de apresentador para nos guiar por um verdadeiro “projeto” de como reestruturar a nossa relação com o planeta no documentário “How To Live On Earth” (Como Viver na Terra, na tradução livre).
Longe do tom apocalíptico e emergencial que costuma dominar as produções sobre as mudanças climáticas e a relação do ser humano com o planeta, a obra se destaca pelo otimismo. O foco não é apenas apontar os danos, mas provar de forma prática que a natureza tem uma capacidade incrível de se curar, desde que os humanos deem espaço para isso.
O documentário intercala os monólogos de Cumberbatch no museu londrino com curtas-metragens dinâmicos que viajam o globo para apresentar pessoas que já estão testando novas formas de viver. Sem estragar as surpresas, a jornada apresenta figuras fascinantes, como um biólogo apaixonado por grandes felinos, ativistas indígenas trabalhando na linha de frente para proteger ecossistemas locais, como as populações de salmões, e um ex-chef da Casa Branca, da era Barack Obama, que está repensando o futuro da nossa alimentação por meio de proteínas alternativas.
A grande sacada da produção é propor uma mudança de perspectiva prática. A natureza viva é, de fato, mais valiosa do que a natureza morta ou extraída. O filme ilustra, por exemplo, como um elefante vivo traz muito mais riqueza para o ecossistema e para as comunidades da savana do que o valor do marfim de suas presas, sugerindo que é necessário um novo modelo no qual a natureza seja recompensada por tudo o que oferece de graça.
A produção também questiona a forma como a sociedade mede o valor da natureza. Entre os caminhos apresentados estão iniciativas que buscam transformar a conservação dos ecossistemas em uma atividade economicamente valorizada, além de alternativas alimentares que podem reduzir a pressão sobre o uso da terra.
Além de guiar o telespectador pela Amazônia e por lugares remotos, a obra deixa como convite para as pessoas buscarem o contato com a natureza na própria vizinhança, mesmo nas grandes metrópoles.
Em uma das histórias, o documentário mostra como Singapura incorpora áreas verdes à paisagem da cidade, enquanto outra acompanha uma iniciativa na Coreia do Sul que promove o contato com florestas como forma de bem-estar. Os exemplos ampliam a discussão para além de áreas remotas e ecossistemas ameaçados e aponta, por exemplo, que a conservação também passa pela maneira como as cidades são planejadas e por quanto espaço reservam para outras formas de vida.
A crítica de Sarah Kent, publicada no The Arts Desk, destaca justamente a conexão entre biodiversidade, saúde humana e a necessidade de repensar a relação entre sociedade e ambiente.
A proposta é mostrar que preservar florestas, proteger espécies e recuperar ambientes naturais não são apenas compromissos ambientais, mas ações relacionadas à segurança alimentar, à economia e à qualidade de vida. A abordagem, no entanto, não elimina a dimensão política do problema. Uma crítica publicada pelo The Guardian traz que iniciativas individuais e comunitárias são importantes, mas medidas governamentais de maior escala também serão necessárias para enfrentar a crise climática.
Com o documentário disponível gratuitamente na internet, a ideia é democratizada a mensagem para todos os públicos.
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Fonte: umsoplaneta