‘Colocamos o deus dinheiro em primeiro plano’, critica Vera Holtz ao falar da ganância humana
Por Conversa Bem Viver — Brasil de Fato
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O espetáculo “Ficções”, com interpretação da atriz Vera Holtz, chegou a 400 apresentações e participa do Festival de Teatro de São Paulo neste final de semana, com sessões nos dias 19 e 20 de setembro. Inspirada no livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, do historiador Yuval Noah Harari, a produção conta ainda com o músico Federico Puppi em cena.
Mesmo sendo um monólogo, a atriz interage com o músico e a equipe técnica no palco. “A peça é toda vista. Você vai ver todo mundo em cena, onde está a energia, a vibração entra, contrarregra, baixa cenário, sobe cenário, troca de roupa, figurino sai. Tem o Federico Puppe, um italiano, que toca cello, e é bacana porque ele tem quase o mesmo timbre da voz humana, é superharmonioso e o que você não entende por meio da palavra, você sente por meio da música”, conta Holtz em entrevista ao programa Conversa Bem Viver.
A atriz recordou a trajetória da peça até aqui. A estreia ocorreu após apenas 40 dias de ensaio, e a produção ganhou musculatura ao longo do tempo nos palcos. Ela aponta que entrar nesse projeto foi uma redescoberta do seu trabalho como atriz e do seu corpo como instrumento de trabalho.
“Eu me redescobri na peça. Eu tenho 74 anos hoje. A partir da minha idade, eu comecei a perceber as limitações do meu corpo e da minha voz e fui reaprendendo a interpretação com a minha idade. O limite da voz, como é que está a projeção, articulação, trabalho técnico mesmo. Foi muito interessante redescobrir o instrumento de trabalho.”
Ao relacionar o tema da peça — a capacidade dos humanos de inventar e acreditar em realidades — com a atual conjuntura do país, a atriz apontou como o dinheiro é central na vivência de algumas pessoas.
“A nação tem toda uma forma de conduta, de comportamento do homem. Tem regras que colocam você nas caixinhas. Você coloca o Deus dinheiro em primeiro plano. Toda essa confusão, o que está por trás de tudo isso é o deus dinheiro”, analisa.
Formada em Artes Plásticas e Desenho Geométrico, Holtz também estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, a USP, e teve formação musical desde a primeira infância. Por isso, a consagrada atriz afirma não saber viver sem arte no seu cotidiano.
“Arte tem uma função de abrir a cabeça. A arte, para mim, é vida. Eu não sei viver de outra forma, eu não sei olhar o mundo se não tiver a manifestação artística. Para mim, o ato de criação é divino. Esse ritualizado que a arte traz, a gente perdeu bastante.”
Para mais informações sobre o Festival de Teatro de São Paulo, acesse festivaldeteatrodesp.com.br
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Fonte: Brasil de Fato