Cientistas do Japão e da França recebem Nobel de Química
Por AFP — Carta Capital
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Pesquisadores Henri B. Kagan e Kenso Soai são premiados “pela descoberta de efeitos não lineares e autocatálise em síntese orgânica assimétrica”, fundamental para fabricação de medicamentos, anuncia Comitê Nobel
Os cientistas Henri B. Kagan, de 95 anos, da Universidade Paris-Süd em Orsay, e Kenso Soai, de 76 anos, da Universidade de Ciências de Tóquio, receberam o Prêmio Nobel de Química de 2026, anunciou nesta quarta-feira 7 a Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo.
Eles foram agraciados “pela descoberta de efeitos não lineares e autocatálise em síntese orgânica assimétrica”, afirmou o Comitê Nobel de Química.
“Suas descobertas desempenharam um papel determinante para os químicos que desenvolvem reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos”, saudou o comitê.
“Este é o dia mais emocionante da minha vida; estou muito feliz em compartilhar este prêmio com o professor Henri Kagan”, disse Soai, falando por telefone e acrescentando que estava fazendo compras quando recebeu a notícia.
O prêmio leva o nome do seu criador, o inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896). Neste ano, a dotação teve um aumento de 9%, alcançando 12 milhões de coroas suecas (cerca de 6,2 milhões de reais), para comemorar os 125 anos desde que o prêmio foi concedido pela primeira vez.
“O prêmio deste ano trata de química fundamental”, disse o presidente do Comitê Nobel de Química, Heiner Linke.
“Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico com mais de um século de existência: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente”, afirmou Linke. “As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares.”
Algumas moléculas essenciais à vida, como os aminoácidos, existem em duas versões que são imagens espelhadas uma da outra, como as mãos esquerda e direita. No entanto, as proteínas das células do corpo contêm quase exclusivamente apenas uma dessas formas espelhadas – um fenômeno conhecido como homoquiralidade (do grego para “mão”). Durante muito tempo, os químicos se perguntaram como uma assimetria química desse tipo poderia surgir.
“Muitas moléculas de medicamentos apresentam-se em duas variantes que são imagens espelhadas não idênticas entre si: uma delas exerce o efeito terapêutico, enquanto a outra pode causar efeitos colaterais desnecessários e, por vezes, prejudiciais”, declarou o Comitê Nobel.
Kagan e Soai descobriram maneiras de fazer a química escolher um lado ao demonstrarem como reações químicas podem ser direcionadas para favorecer uma única imagem espelhada molecular.
O japonês Susumu Kitagawa, o britânico Richard Robson e o jordaniano Omar M. Yaghi foram os laureados do Prêmio Nobel de Química de 2025 pelo desenvolvimento de um novo tipo de arquitetura molecular, as estruturas metalorgânicas, que contêm cavidades nas quais as moléculas podem entrar e sair. Essa porosidade pode ser usada para capturar substâncias específicas, desenvolver reações químicas e conduzir eletricidade.
Em 2024, o Nobel de Química foi para o bioquímico americano David Baker, o britânico Demis Hassabis e o americano John M. Jumper por suas contribuições no campo do design computacional de proteínas e previsão da estrutura proteica.
Em 2023, a conceituada distinção do campo da química coube a Moungi Bawendi, Louis Brus e Alexei Ekimov, atuantes nos Estados Unidos, pela descoberta e desenvolvimento dos pontos quânticos, ou átomos artificiais, importantes para a computação quântica e já empregados em televisores modernos.
Os seis dias de anúncios do Nobel iniciaram-se nesta segunda-feira, com o de Medicina, dado ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel por suas descobertas relacionadas à atividade cerebral.
As descobertas desses três cientistas em optogenética, um método que permite mostrar como as células nervosas moldam as memórias, os sentimentos e os comportamentos no cérebro vivo, “lançaram as bases de uma nova era na neurociência”, de acordo com o detalhamento da decisão.
Por meio da optogenética, os pesquisadores conseguiram revelar os circuitos neuronais que controlam memórias, emoções e comportamentos específicos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos.
Nesta terça-feira, o Nobel de Física de 2026 premiou o cientista belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, por “suas contribuições decisivas para o observatório de neutrinos IceCube, na Antártida, e para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica”.
Nesta quinta-feira será a vez do Nobel de Literatura e, na sexta-feira, o da Paz. Na próxima segunda-feira, por fim, será anunciado o Nobel de Economia, que não faz parte da lista de prêmios determinada no testamento de Alfred Nobel e que foi criado em 1968 pelo Banco da Suécia em homenagem a Alfred Nobel.
AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.
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Fonte: Carta Capital