China e BRICS abrem novas fronteiras para exportações da África do Sul
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Exportadores sul-africanos de alimentos e frutas estão acelerando a busca por novos mercados na China e em outros países do BRICS, em um movimento de diversificação comercial impulsionado pelas transformações da economia mundial. Segundo reportagem do Global Times, empresas instaladas na Zona Econômica Especial de Coega, na província do Cabo Oriental, veem especialmente China, Índia e Rússia como destinos estratégicos para o crescimento de longo prazo.
Uma das empresas que lideram esse movimento é a DC Foods, fabricante de frutas congeladas e sorvetes. A companhia está concluindo os procedimentos regulatórios necessários para entrar no mercado chinês, um processo que já dura aproximadamente um ano.
A adequação envolve protocolos sanitários e de segurança alimentar específicos, sobretudo porque parte da produção é composta por alimentos que combinam diferentes ingredientes. Superada essa etapa, a empresa espera acessar diretamente um dos maiores mercados consumidores do planeta.
A China não aparece, porém, como uma aposta isolada. A DC Foods também busca oportunidades na Índia e considera o conjunto das grandes economias emergentes um componente importante de sua estratégia internacional.
BRICS como mercado para a produção africana
Outra companhia baseada em Coega, a Coegapack, também identifica China, Índia e Rússia como mercados capazes de absorver parte crescente da produção agrícola da África do Sul.
A estratégia ganha relevância à medida que o BRICS amplia sua participação na economia mundial e fortalece as relações comerciais entre países do Sul Global. Para os produtores sul-africanos, a dimensão dos mercados asiáticos oferece uma oportunidade de reduzir a dependência de destinos tradicionais na Europa e na América do Norte.
A China tem papel central nesse processo. Pequim vem ampliando o acesso de produtos africanos ao seu mercado, inclusive por meio de tratamento tarifário preferencial para mercadorias elegíveis.
Exportadores sul-africanos começam a avaliar como aproveitar essa abertura. A expectativa da Coegapack é que a redução das barreiras tarifárias produza benefícios estruturais de longo prazo, tornando produtos agrícolas africanos mais competitivos no mercado chinês.
Diversificação diante das barreiras comerciais
A busca por novos destinos também responde às mudanças na política comercial das economias desenvolvidas.
Segundo a DC Foods, alterações de regras e aumentos tarifários na América do Norte pressionaram as margens da companhia e reforçaram a necessidade de diversificar mercados. Nesse cenário, China e outros países do BRICS passaram a ser vistos não apenas como destinos adicionais, mas como fontes potenciais de estabilidade.
A lógica é diminuir a vulnerabilidade a decisões tomadas em um único mercado. Quanto maior o número de destinos disponíveis, menor tende a ser o impacto de novas tarifas, restrições comerciais ou oscilações de demanda sobre os exportadores.
Esse movimento evidencia uma transformação mais ampla das relações econômicas internacionais: empresas do Sul Global começam a explorar de maneira mais intensa o enorme mercado existente dentro do próprio conjunto das economias emergentes.
Expansão gera empregos no Cabo Oriental
A estratégia internacional também tem efeitos sobre a economia local. A DC Foods afirma ter criado aproximadamente 1.500 empregos na província do Cabo Oriental nos últimos dois anos.
A geração de postos de trabalho mostra como a expansão das exportações pode produzir impactos que ultrapassam as próprias empresas, estimulando cadeias agrícolas, processamento de alimentos, logística e serviços.
Coega oferece vantagens específicas para esse modelo. A zona econômica está próxima de importantes regiões produtoras e do porto de águas profundas de Ngqura, infraestrutura que facilita o escoamento marítimo em grande escala.
Essa combinação permite que produtos agrícolas sejam processados próximos das áreas produtoras e posteriormente embarcados para mercados distantes, incluindo os países asiáticos.
China aproxima-se da África
A abertura do mercado chinês para produtos africanos também integra o aprofundamento das relações econômicas entre China e África. Pequim tem buscado ampliar as importações provenientes do continente, enquanto governos e empresas africanas procuram reduzir a histórica dependência da exportação de matérias-primas e aumentar a participação de alimentos processados e outros produtos de maior valor agregado no comércio internacional.
Para a África do Sul, essa estratégia ganha uma dimensão adicional devido à sua participação no BRICS.
O bloco oferece uma plataforma política para ampliar a cooperação econômica entre grandes países emergentes e estimular fluxos comerciais que não dependam exclusivamente dos tradicionais mercados ocidentais.
O movimento observado em Coega oferece um exemplo concreto dessa transformação. Frutas cultivadas no Cabo Oriental podem ser processadas por empresas sul-africanas, embarcadas em Ngqura e vendidas a consumidores chineses ou indianos.
Mais do que uma simples mudança de destinos comerciais, trata-se da construção gradual de novas cadeias econômicas entre países do Sul Global — uma tendência que pode ganhar força à medida que China, África e demais integrantes do BRICS aprofundem seus mecanismos de integração.
Fonte: Brasil 247