Chico Buarque, Raí e Piketty assinam carta contra interferência dos EUA na eleição brasileira
Por Wendal Carmo — Carta Capital
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Potência estrangeira busca influenciar o resultado com a participação ativa de um dos candidatos, diz o manifesto
O jornal francês Le Monde publicou nesta quarta-feira 30 um manifesto que alerta para uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, com a cumplicidade do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
Entre os signatários do texto estão o cantor e compositor Chico Buarque, o ex-jogador de futebol Raí e os economistas Thomas Piketty, Philippe Aghion e Joseph E. Stiglitz.
Com o título No Brasil, os Estados Unidos procuram influenciar a eleição presidencial, com a cumplicidade de um dos candidatos, Flávio Bolsonaro, o texto lista episódios em que o filho de Jair Bolsonaro questionou a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro e diz que isso é uma “ preparação metódica para uma contestação eleitoral, independentemente de vitória ou derrota” .
Também há menção ao que consideram uma “enorme pressão vinda de Washington”, por meio da retirada dos vistos de autoridades brasileiras e das tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil em resposta ao processo contra o ex-capitão, condenado a mais de 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado.
“Uma potência estrangeira procura abertamente influenciar o resultado de uma eleição soberana, com a participação ativa de um dos candidatos. Esse precedente, se não for fortemente denunciado, não ficará restrito ao Brasil”, diz o manifesto.
Para os autores, estas eleições não envolvem apenas a escolha de um presidente, mas a decisão sobre “se a maior democracia da América Latina continuará a ser uma democracia”. O texto ainda relembra a má condução do enfrentamento à pandemia de Covid-19 pelo governo Bolsonaro e diz que o ex-presidente atuou “contra os movimentos negros e indígenas, as mulheres e as pessoas LGBTQIA+”.
Destacam também que a candidatura de Flávio significa a continuidade desse projeto, alertando para uma ameaça institucional e “um programa econômico que anuncia um retrocesso social igualmente preocupante”, com risco de aprofundamento das desigualdades.
O manifesto termina por convocar “os meios de comunicação, os responsáveis políticos, as instituições europeias e a sociedade civil francesa” a acompanhar o processo eleitoral e rejeitar qualquer interferência estrangeira, além de apoiar a sociedade civil e as instituições brasileiras.
Wendal Carmo
Repórter do site de CartaCapital no Nordeste
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Fonte: Carta Capital