Chico Alencar: “A rejeição ao Lula tem diminuído”

0

Por Dafne Ashton — Brasil 247

247 – O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que a reta final da eleição presidencial mostra uma redução da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre parte do eleitorado e, ao mesmo tempo, uma diminuição da disposição de setores conservadores em defender a candidatura de Flávio Bolsonaro. A avaliação foi feita em entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, ao comentar o ambiente político nas ruas nos dias que antecedem a votação.

“Eu percebo nas ruas, numa pesquisa empírica, que a rejeição ao Lula que existe tem diminuído e a vontade de gente conservadora e de direita defender o Flávio também tem se apequenado”, disse Alencar.

O deputado deixou claro que sua percepção não substitui pesquisas eleitorais. Segundo ele, trata-se de uma leitura construída a partir da campanha de rua, do contato com eleitores e das manifestações públicas realizadas nesta fase da disputa.

Para Alencar, a eleição chega aos últimos dias com um quadro diferente de outras campanhas presidenciais disputadas por Lula. Em sua avaliação, o presidente enfrenta uma disputa mais apertada e, por isso, a mobilização direta com o eleitorado passa a ter peso maior.

“Pela primeira vez, o Lula não está com uma margem confortável nas intenções de voto de segundo turno. E agora isso leva a mais empenho, mais esforço, mais ida à população”, afirmou.

O primeiro turno das eleições gerais será realizado em 4 de outubro. Além da Presidência da República, estarão em disputa governos estaduais, duas vagas ao Senado em cada unidade da Federação, além das cadeiras da Câmara dos Deputados e das assembleias legislativas. O Tribunal Superior Eleitoral estabelece ainda 25 de outubro para eventual segundo turno nas disputas para presidente e governador.

Ao analisar o comportamento dos eleitores, Alencar afirmou que existe uma parcela consolidada em torno da direita, mas chamou atenção para o grupo que ainda pode alterar sua escolha nos últimos dias da campanha.

Segundo ele, é nesse segmento menos identificado de forma permanente com um campo político que episódios surgidos durante a campanha podem produzir impacto. O parlamentar relacionou essa avaliação ao noticiário envolvendo personagens próximos ao campo de Flávio Bolsonaro, ressaltando que a repercussão desses casos pode influenciar eleitores que ainda avaliam as candidaturas.

“Tem um meio de campo ali que eu acho que está olhando”, afirmou.

Alencar também destacou que considera imprevisível o comportamento do eleitorado brasileiro. Para sustentar essa avaliação, recordou disputas anteriores no Rio de Janeiro nas quais candidatos registraram crescimento concentrado nas semanas finais da eleição.

“O voto no Brasil tem sido muito volúvel”, disse. “O eleitorado é muito volúvel, muito imprevisível, a despolitização é muito grande.”

Na avaliação do deputado, essa volatilidade está relacionada também ao afastamento de uma parcela da população da política institucional. Segundo ele, a experiência cotidiana da campanha mostra eleitores que manifestam descrença nas candidaturas e resistência ao próprio processo eleitoral.

“Quem está na rua fazendo campanha vê como a maioria das pessoas está desencantada, e o desencanto é desmobilizador”, afirmou.

Alencar disse ouvir com frequência declarações de eleitores que colocam políticos de diferentes partidos no mesmo patamar e concluem que não vale a pena participar. Para ele, essa atitude reduz a possibilidade de diferenciação entre projetos, trajetórias e posições políticas.

“A pessoa se fecha. ‘Não quero saber porque não, ninguém presta.’ Isso é um erro tremendo”, afirmou. “É evidente que tem muita gente que não presta, muita gente oportunista, muito roubo, muita falcatrua, mas é preciso reagir com voto consciente, esclarecido.”

O deputado relacionou a necessidade de mobilização ao encontro de Lula com artistas e representantes da cultura realizado na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Alencar esteve no evento e disse ter identificado uma presença significativa de jovens artistas ao lado de nomes que participam historicamente de atos políticos ligados ao presidente.

Segundo ele, a composição geracional encontrada no evento sinalizou uma ampliação do grupo mobilizado na reta final da disputa.

“Em outras eleições presidenciais, não vi tanta presença de gente e gente querendo entrar”, afirmou.

Alencar mencionou ainda que parte do setor cultural mantém uma relação política com o atual presidente, construída também durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que o Ministério da Cultura foi extinto e posteriormente recriado como secretaria. Para o parlamentar, a presença de diferentes gerações no encontro mostrou que a campanha tenta ampliar sua capacidade de diálogo para além dos grupos tradicionalmente vinculados a Lula.

Apesar da movimentação, Chico Alencar evitou afirmar que a eleição será definida no primeiro turno. Segundo ele, os dados disponíveis não permitem tratar esse cenário como resultado esperado, embora mudanças possam ocorrer até a votação.

“Eu gostaria muito que a eleição se resolvesse no primeiro turno, mas não é isso que está indicado, pelo menos”, afirmou.

Para o deputado, a última etapa da campanha será marcada justamente pela tentativa de convencer eleitores ainda indecisos, desmobilizados ou pouco identificados com as candidaturas. Sua leitura é de que, em uma disputa apertada, o trabalho presencial ganha importância porque permite enfrentar diretamente a rejeição e o afastamento da política.

Ao resumir sua disposição para os últimos dias, Alencar evitou falar em confiança sobre o resultado.

“Eu não estou propriamente otimista, mas determinado”, afirmou.

Para ele, a eleição permanece aberta à movimentação do eleitorado até o momento do voto. “Esse Brasil tem cartas embaralhadas e sinais trocados o tempo todo”, disse.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *